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e

DIÁRIO DO AMAPÁ

e

DOMINGO E SEGUNDA-FEIRA 1

24

E

25

DE FEVEREIRO DE

2019

Opinião

1

jornal ,

,

DIARIO

AMAPA

LUIZ MELO

ZIULANA MELO

ZIULANA MELO

Editora Chefe

MÁRLIOMELO

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Circulação simultânea em Macapá, Belém, Brasília e em todos os municípios do Amapá. Os

conceitos emitidos em artigos e colunas são de responsabilidade dos seus autores e nem

sempre refletem a opinião deste Jornal. Suas publicaçCies são com o propósito de estimular o

debate dos problemas amapaenses e do país. O Diário do Amapá busca levantar e fomentar

debates que visem a solução dos problemas amapaenses e brasileiros, e também refletir as

diversas tendências do pensamento das sociedades nacional e internacional.

e

DOM PEDRO JOSÉ CONTI - BISPO DE MACAPÁ

Articulista

As rosas que não acabavam

T

rês amigos, bem diferentesenrre si, estavam

reunidos na casa de um deles, tomando

café, quando apareceu um Gênio, como

um daqueles dos quais tinham ouvido falar nas

fábulas infantis.

- Gênio, o que você nos traz? Perguntaram,

agradecendo a oportunidade e esperando algo

maravilhoso.

- Rosas. Respondeu o Gênio. Dito isso, entre–

gou um buquê de rosas para cada WTI.O que fazer

com aquilo?Cada um agiu do seu jeito.O ingrato

foi o primeiro a sair, achou que não tinha sorte na

vida mesmo e jogou as rosas no lixo. O confor–

mado foi o segundo a sair, sem saber o que fazer,

foi para casa e colocou as flores num jarro. O

generoso, o dono da casa, ficou alegre. Saiu pelas

ruas distribuindo as rosas aos vizinhos. Logo per–

cebeu que mais ele as distribuía, mais rosas apa–

reciam nas suas mãos. Elas não acabavam. Tcxlos

receberam alguma flor. Finalmente, voltou para

casa com um buquê de rosas ainda maior. No dia

seguinte, os amigos se reuniram de novo e o Gênio

compareceu pela segunda vez. Perguntaram-lhe:

- E agora o que você deseja?

- Quero que as rosas se transfonnem em ouro!

Respondeu o Gênio.

O homem generoso ficou feliz e mais alegre

ainda, porque viu que não só ele havia ganhado

o ouro, mas todos os moradores da vila aos quais

tinha conseguido entregaras rosas.O con–

formado, só encontrou o seu jarro cheio

de ouro. O ingrato, tentou lembrar onde

tinha jogado o buquê das rosas, mas

alguém o devia ter levado e, assim,

ficou sem nada.

Neste domingo, continuamos a lei–

tura do evangelho de Lucas. O ensina–

mento de Jesus nos parece tão distante

da realidade e da nossa vida do dia a dia

que, provavelmente, o achamos impossí–

vel de ser praticado. Somente os heróis, ou

os santos, conseguem amar os inimigos. Não

é justo deixar levar as nossas coisas. Apanhar

duas vezes, oferecendo a outra face? Nem pensar.

Apelamos ao bom senso e

à

legítima defesa. Não

podemos ser "bonzinhos" com os ladrõese, menos

ainda, deixar de defender a nossa vida, as nossas

famílias e os nossos bens. Emprestar, dinheiro

sem ter retorno?

É

burrice. - Vamos

à

justiça.

É

o que mais se escuta. Todos estamos prontos a ir

até as últimas consequências para defenderaqueles

que consideramos os nossos sagrados e intocáveis

direitos. Até aqui, não tem nada de novo. Toda a

história da hum anidade, a nossa pessoalou fami–

liar estão resumidas nessas disputas. A que serve

a "Boa Nova" de Jesus se a consideramos impra–

ticável? Precisamos entender.

Podemos até aceitar que a linguagem do evan–

gelista Lucas seja demais radical, mas por quê?

Porque nós somos mestres dos ajustes de conduta

e do mais ou menos. Também o nosso agir fun-

''

Podemos até

aceitar que

a

linguagem do

evangelista

Lucas seja demais

radical,

mas

por quê? Porque

nós

somos mestres dos ajustes de

conduta edo mais ou menos.

''

dona na troca, na recompensa, ou seja, que–

remos ganhar também alguma coisa, ou,

pior, no "troco" que nos sentimos obri–

gados a devolver, quando se trata de

ofensas ou coisas semelhantes.

É

o gos–

_,... ...._._ tinha da justiça-vingança. Ninguém

pede o impossível, nem Jesus, mas isso

não nos dispensa de mudar atitudes e

maneira de pensar. Para entendera novi–

dade deJesus basta substituiras palavras

"que recompensa tereis?" com as palavras

"que gratidão esperais?". A palavra grega

usada por Lucas pode ser traduzida melhor

dessa outra forma. Por isso, logo em seguida,

o evangelista diz para emprestar "sem esperar

coisa alguma em troca" e coloca o próprio Deus

Altíssimo como modelo insuperável: ele "é bon-

doso também com os ingratos e os maus" porque

é o Pai de todos, muito além das respostas dos

beneficiados (Lc 6,35-36). Esta é também a nova

tradução oficial da Bíblia dos Bispos do Brasil.

Ou seja: a "recompensa"

à

qual temos direito e a

alegria de esperar é só a "gratidão". Em lugar da

vingança do inimigo, do ódio do devedor e da

indiferença de quem pouco ou nada amávamos:

a surpreendente gratidão deles. Jesus nos coloca

de vez nWTI outro plano de relacionamentos. Quem

consegue imaginar uma sociedade onde a lei, invo–

cada como justiça e direito, deixa o lugar

à

mise–

ricórdia e

à

gratuidade? Comecemos ao menos a

ver se funciona entre nós cristãos. Vamos doar

"flores" de bondade e de solidariedade a quem

encontramos pelos caminhos da vida. As "rosas"

do amor nunca acabarão.

e

CLAUDIO PIGHIN - SACERDOTE, DOUTOR EM TEOLOGIA, MESTRE EM MISSIOLOGIA ECOMUNICAÇÃO

Articulista

Se o senhor não tivesse estado conosco!

O

salmo 123 das Sagradas Escrituras

nos narra uma oração que muitos

peregrinos faziam durante o rito litúr–

gico ao chegar ao templo de Sião. O salmo

focali za dois momentos diferentes. No pri–

meiro momento, diz o seguinte: "Se o

Senhor não tivesse estado conosco, os

homens que se insurgiram contra nós teriam

então nos devorado vivos. Quando seu furor

se desencadeou contra nós, as águas nos

teriam submergido. Uma torrente teria pas–

sado sobre nós. Então, nos teriam recoberto

as ondas intumescidas."

O que notamos aqui? Um simbolismo

negativo das imponentes águas. Elas, nas

Sagradas Escrituras, são imagens do caos,

do mal e da destruição. Representam o mal.

E parece que esse fiel tinha uma sensação

tão forte de se encontrar ao longo de uma

praia com ondas gigantescas que a invadem.

Águas que submergem a terra firme. Depois

o autor desse salmo passa dessa imagem das

águas ao simbolismo do caçador: "Bendito

seja o Senhor, que não nos entregou como

presa aos seus dentes. Nossa alma escapou

como um pássaro, dos laços do caçador.

Rompeu-se a armadilha, e nos acha–

mos livres."

O fiel súplica ao seu Deus aju-

da e força para ser libertado. Por–

tanto, mostra como o fiel bendize

o seu Deus por tê-lo tirado do

perigo do seus caçadores: "Nosso

socorro está no nome do Senhor,

criador do céu e da terra." Assim,

estamos reconhecendo que águas e

caças se entrelaçam, para fazer o que?

Para mostrar como os perigos mortais

da vida estão presentes, mas quem confia

no Senhor não deve temer porque será liber–

to de tudo isso. Não temerá nenhuma cilada.

Assim sendo, o salmo se resume justa–

mente na fras e inicial: "Se o Senhor não

tivesse estado conosco!" As dramaticidades

da vida enfrentadas com Deus não derrotam

o ser humano. De fato, o salmo revela as

consequências se Deus não estivesse com

a pessoa. Aquele que evitou por pouco a

morte, preservou a vida sem ser atingido de

nada, sente-se de viver mais ainda. E ter–

mina o salmo dizendo: "Nosso socorro está

''

CoJJfiarem

Deus

querdizerentrar

nos seus

desígnios sem

nada

pretender, aceitando

inclusive

que

a

sua salvação e

oseu

auxilio

c!Jeguem a

nós

de modo

diverso

das

nossas

expetativas.

no nome do Senhor" e desse jeito sen–

te-se tranquilo e sereno para conduzir

a sua vida.

O papa Francisco, na audiência

geral da quarta-feira, 25.01.2017,

disse o seguinte: "Caros irmãos e

irmãs, nunca coloquemos condi–

ções a Deus mas, ao contrário, dei–

xemos que a esperança vença os

nossos receios. Confiar em Deus quer

dizer entrar nos seus desígnios sem

nada pretender, aceitando inclusive que

a sua salvação e o seu auxílio cheguem a

nós de modo diverso das nossas expetativas.

Pedimos ao Senhor vida, saúde, afetos, fe li–

cidade; e é justo fazê-lo, mas com a cons–

ciência de que até da morte Deus sabe haurir

vida, que é possível experimentar a paz inclu–

sive na doença e que até na solidão pode

haver serenidade, e bem-aventurança no

pranto. Não somos nós que podemos ensinar

a Deus o que Ele deve fazer, aquilo de que

temos necessidade. Ele sabe-o melhor do que

nós e devemos ter confiança porque os seus

caminhos e os seus pensamentos são dife–

rentes dos nossos."