Diário do Amapá - 15/02/2020
/ / / / do. Assim viajo milhares de quilômetros em torno da Terra. Com o nome de Monção eu sopro ao longo do sul e leste da Ásia. Com o nome de Mistral sopro do norte para o noroeste, na Provençae França atingindo omáximo deviolênciana pla- nície do Ródano, especialmente no inverno e primavera. Com o nome de Bora, sopro na Ìstria e Dalmácia, na Costa da Bós- niaeMonteNegroedesçoosplanaltoscobertosdeneves.Eolian perguntou: - Deondevens?O ciciargravedo vento, açoitando as copas das árvores respondeu: - Como observas venho de todo lugar.Nãoexistelugar, montanha, vale, planície, campos, prados,mares,rios,cidadespequenasougrandesqueeunãoeste- ja presente. - Para ondevais? - Vou, venho e volto parao mesmo lugar. Rodeioo plane- ta Terra e passeio por ela. - O que tu fazes? - Faço tudo. Sopro as velas dos barcos do viajor, agito as ondas do mar e viajo no quedar de suas ondas. Transporto o pólen das flores para fecundar outras distantes, acaricio o ros- to de meninas como você, desalinho os seus cabelos, sopro na areia da praia, levanto a poeira do chão, dou energia elétrica atravésdoscata-ventos,retiroáguadospoços,sirvodemusa ins- piradora para os poetas. AfonsoLopesVieira -nopoema"DançadoVento"elefala de mim assim: "O vento é bom bailador, // baila, baila e asso- bia, //baila, bailae rodopia //e tubailaemredor..."Edizàsflo- res, bailando, // -Bailacomigo, baila!// eelas, curvadas, arfan- docomeçamdébeisbailando, //esuasfolhas tombando, //uma se esfolha, outracai // eo ventoasdeixa bailando, Iie lá vai...” - Sou tãovelhoquanto avida, háquase trêsmilanosquan- do Homero em"Odisséia" dizia: " Mande favônio Zéfiro, que aleia e encrespa o turvo ressoantepego." - Eu já existia há milhares de anos. Zéfiro era o nome que me davam, na Grécia quando me tornava brando e impelia os barcos para Pilo. - Viajo por todos os lugares. Ontem vi no Haiti a miséria que lá campeia. Não pude fazer nada. Apenas refresquei a tez negra daquele indômito povo. Vi a dor da guerra do Afeganis- tão. Mas, também soprei as águasazuladasdo Caribe e levan- tei os grãosde areia de suas paradisíacaspraias. Acompanhei um grupo de aves migradoras que voavam sobre o Atlântico. Ouvi amantes trocando juras de amor, passei por trovado- rescantando a vida e o amor. Açoitei, fazendo tremular cente- nas debandeiras arvoradasem terrasde vários países. - Eo que te falta fazer vento? - Tremular uma enorme bandeira branca, fincada no cen- tro da Praça da Paz Celestial, sob a sombra daqual osmaiores líderesdasnaçõesassinariamocompromissodejamaisfazerem guerrae entorno dosquais, crianças representantes de todas as nações da Terra dar-se-iam as mãos, cantando o “Cântico da Eterna Paz.” imaginário infantil é imensurável. A criança cria, imagi- naeconstróisuarealidadenoseumundoencantado infan- til. Para elas asnuvens têm formas de animais, as ondas do mar conversamcomos peixes, os trovõesé o papai do céu zangado e oventoconversacomas folhasdasárvoresecomospassarinhos. Eolianconversavacomo vento. Sabiaquando eleestavaale- gre, triste ou raivoso. Os seus sentimentos eram traduzidos pelo seu farfalhar lento e contínuo nas folhas das árvores ou pelo seu passar rápido açoitando comveemência ascopas das árvores. Certo diaEolian estavapensando debaixo deuma castanhei- ra. Perguntava-seasimesma.Oqueéovento?Deondeelevem? Para onde vai?O que ele faz?O que ele come? Quantos anosele tem?Eoliannaânsiadeterasrespostasparasuasperguntascome- çou interpretaravozdovento.Elanotouqueoventoquandoentra- va pelas frestas das portas e das janelas, fazia vibrar ou tremer todos os objetos que encontrava, produzindo assim toda espécie de sons, unseramaté quase musicais. Ao perpassar nos galhos das árvores ou nos leques das pal- meirasemitiaumsompróprio, quandobatianascristasdasondas do mar, tinha outravoz. UmdiaEolian julgou-secapazde traduziroqueoventodizia. Certo dia ela disse que o vento respondeu suas perguntas. O silvar do vento lhe respondeu: - O planeta não poderia viver sem oar.Osseresvivosquenelehabitamprecisamdemimparaviver. Pela mudança da pressão atmosférica e temperatura, o ar éagita- O empresário Li Ping,que demonstrou interesse em investir no estado, nem esperou por um cenário mais favorável por aqui e já aportou no vizinho estado do Pará, comoutro projeto de manganês. Especialistas do setor dizem que não desistiu do Amapá também. Arquivo
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