Diário do Amapá - 26 e 27/07/2020
LUIZ MELO Diretor Superintendente ZIULANA MELO Diretora de Jornalismo Circulação simultânea em Macapá, Belém, Brasília e em todos os municípios do Amapá. Os conceitos emitidos em artigos e colunas são de responsabilidade dos seus autores e nem sempre refletem a opinião deste Jornal. Suas publicações são com o propósito de estimular o debate dos problemas amapaenses e do país. O Diário do Amapá busca levantar e fomentar debates que visem a solução dos problemas amapaenses e brasileiros, e também refletir as diversas tendências do pensamento das sociedades nacional e internacional. ZIULANA MELO Editora Chefe MÁRLIO MELO Diretor Administrativo DIÁRIO DE COMUNICAÇÕES LTDA. C.N.P.J: 02.401.125/0001-59 Administração, Redação e Publicidade Avenida Coriolano Jucá, 456 - Centro CEP 68900-101 Macapá (AP) www.diariodoamapa.com.br / / instrução da “Conversão Pastoral da Comunidade Paroquial a Servi- ço da Missão Evangelizadora da Igreja”, da Congregação para o Cle- ro,20.07.2020, focaliza muitos aspectos. Por exemplo, render a “evangelização como promoção para que as comunidades cristãs tornem-se cada vez mais centros propulsores do encontro com Cristo”. E o papa Francisco se pronunciou assim: “Se alguma coisa nos deve santamente inquietar e preocupar a nossa consciência é que haja tantos irmãos nossos que vivem sem a força, a luz e a consolação da ami- zade com Jesus Cristo, sem uma comu- nidade de fé que os acolha, sem um hori- zonte de sentido e de vida. Mais do que o temor de falhar, espero que nos mova o medo de nos encerrarmos nas estruturas que nos dão uma falsa proteção, nas nor- mas que nos transformam em juízes implacáveis, nos hábitos em que nos sen- timos tranquilos, enquanto lá fora há uma multidão faminta e Jesus repete-nos sem cessar: «Dai-lhes vós mesmos de comer (Mc 6, 37).” A Igreja de Jesus Cristo sempre se preocupa em estar presente na vida das pessoas e como melhor servi- las na ótica do Reino de Deus. O seu projeto vai além dos projetos humanos, porque é de Deus. E o Santo Padre, o papa Francisco, hoje deve ser fiel a Deus na sua missão, porque ele é sucessor de Pedro. O que me deixa, sobretu- do hoje em dia, altamente triste é ver católicos que contestam o papa, dizendo que não o represen- tam, talvez porque não satisfaça as ideologias deles. É bom esclarecer que o papa não é eleito por nós nem por par- tidos ou por qualquer um que o pretenda. Ele foi escolhido pelo Espirito Santo, isto é, por Deus. Quando Jesus escolheu Pedro, não foram os apóstolos que o indicaram, mas foi o próprio Deus que o escolheu. Não reconhecer isso significa que estamos fora da Igreja de Jesus. É muito grave isso enquanto rompe a comunhão com a mes- ma Igreja que Jesus fundou. A Igreja não é um partido político; e tentar se espelhar nela para dar uma razão partidária é mani- pular a verdade, distorcer a verdade. O papa, fiel ao Evangelho, conduz a Igreja rumo à salvação, a uma vida que fica para sempre. Segundo alguns católicos, por sorte são poucos, o papa Fran- cisco é comunista, faz política e assim por diante. O papa, como verdadeiro pastor, deve conduzir a Igreja conforme Deus estabele- ceu e planejou. É evidente que esse pastoreio abrange tudo e afeta tudo. Justamente, com essa preocupação da missão evangelizadora, o papa nos ajuda como melhor realizá-la. Portanto, o nosso papel é saber escutá-lo e colocar em prática o seu ensino. Isto significa que, como bons católicos, devemos ser obedientes a ele e não desobedientes como alguns fazem. No lugar de duvidar e rejeitar, precisamos viver seriamente aquilo que o sucessor de Pedro nos orienta, porque é para o nosso bem, para uma vida infinita que nenhuma ideologia desse mundo pode nos dar. Duvi- dar de Pedro é duvidar do projeto de Deus. Aqui está em jogo a verdadeira felicidade da nossa vida. ma ovelha descobriu um buraco na cerca e saiu do redil. Estava muito feliz por ter fugido. Foi bem longe e se perdeu. Descobriu, então,que estava sendo perseguida por um lobo. Ficou apavorada, correu, correu, maso lobo estava sempre atrás dela. Até que enfim chegou o pastor. Salvou a ovelha e a reconduziu ao redil. Todos dis- seramparaele consertara cerca,maso pastor não o fez. Deixou o buraco. Com tantas parábolas de Jesus, por que mais uma historinha, tão pouco diferente daquela da ovelha perdida? É um convite a reconhecer o fio condutor das parábolas que já encontramos e das últimas que, neste domingo, concluem o discurso de Jesus. Se opastordanossa historinha nãoquisconsertar o buraco na cerca foi por uma razão muito simples: foi para que a ovelha conseguisse “administrar” a sua liberdade. Ela mesma devia aprender a decidir e a assumir as con- sequênciasdassuasações.Óbvio que estamos falando de nós humanos e não de ovelhas. Se não o quisermos, não somos obrigados a serbons.Menosainda se o fazemospormedo ou covardia. Deve ser uma decisão bonita, grande, que revela o que realmente vale mais doque tudo para nósna vida. Todasas nossas decisões, também as pequenas e ordinárias, manifestam o que de f ato estamos buscan- do. Acredito que seja este o sentido das pri- meiras duas parábolas que encontramos no evangelho de Mateus deste domingo. Com certeza, parece-nosbastante exagerada a atitude do homem que encontra o tesouro, como também do compra- dor de pérolas, que vendem tudo o que têm para comprar aquele cam- po e aquela pérola preciosa. Para nós foram, nomínimo, impruden- tes. E se estivessem enganados? Teriam perdido tudo! Mas é justa- mente isso que Jesus quer nos dizer. Quem errar o sentido da vida, perde tudomesmo. Gastou à toa os seusdias, os dons que recebeu e que devia apren- der a administrar. Ao contrário, quem faz do “reino dos céus”, da sua busca e do seu crescimento, o sentido de sua vida, ficará “cheio de alegria”. Onde está a liberdade? No valor que damos ao “reino”! Se, para nós vale pouco, ficará às margens da nossa vida, só alguns minutos por semana ou uma missa ao ano. Ou talvez, todo domingo, fiéis no compromisso, mas tão distantes com a mente e o coração, que mal lembramos da Palavra de Deus ouvida e, menos ainda, da eucaristia - “comunhão” que não pode estar junto com brigas, egoís- mos e divisões. O que Jesus nos pede é a coragem de tomar uma decisão sem equívo- cos, sem incertezas, sem arrependimentos, com muita liberdade e alegria interior. Por isso, Deus, na sua bondade nos deixa livres, porque somente uma escolha amorosa e sem constrangimentos tem valor. Confiamos tan to no Se nhor que, por causa dele, estamos dispostos a arriscar o sentido da nossa vida inteira. Ou seja: do nosso traba- lho, da nossa família, da nossa posi- ção social, da nossa participação na política, no sindicato, naslutas pela dignidade e os direitos humanos, na própria Igreja. O “evangelho do reino” ou é uma luz que ilumina todos os recantos da nossa vida ou acaba na penumbra das indecisões ou no depósito escuro dos projetos nunca realizados. Aúltima parábola dospeixes “bons” e dos “que não prestam” lembra aquela do joio e do trigo. Como bemsabemos, na varie- dade da vida tem de tudo e, facilmente, julga- mos conforme as ideiase as circunstâncias do momento. Somos sujeitos a cometer muitos erros. O que parecia bom, talvez não o fosse tanto assim e o que parecia mau, na realidade, fazia parte de um projetojustoe valioso. Quan- tos condenados, ao longo da história, mais tarde foramchamados de herói e quantospaga- ram por erros não cometidos. Primeiro entre todos o próprio Jesus, o inocente crucificado. No fim dos tempos, saberemosa verdade para o nosso arrependimento ou a nossa alegria. Jesuspergunta tambéma nós: “Compreendes- tes tudo isso?”. No entusiasmo, os discípulos responderam que sim. Mais tarde, porém, na hora decisiva, o abandonaram e fugiram (Mc 14,30). O buraco para desistir cont inua abe rto. Cabe a nós fechá-lo de vez se acharmos que vale muito mais fazer parte do “reino”.
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