Diário do Amapá - 15 a 17/11/2025

ENTREVISTA PETROBRAS |ENTREVISTA | DIÁRIO DO AMAPÁ SÁBADO A SEGUNDA-FEIRA | 15 A 17 DE NOVEMBRO DE 2025 14 Aministra da Cultura, Margareth Menezes, diz em entrevista que considera que todas as formas de cultura podem estimular a reflexão e contribuir para que a população compreenda o cenário de mudança climática. E ntão, ministra, como exatamente a arte e a cultura podemcontribuir para enfrentar asmudanças cli- máticas? MargarethMenezes - As mudanças climáticas estão acontecendo, e estão afetando os patrimônios, não só o patrimôniomaterial, os pré- dios, os museus, mas também as pessoas, né? As pessoas que traba- lham, o artesanato, gente que tem estúdio, de uma maneira geral. Nós tivemos um exemplo dissomuito forte no Rio Grande do Sul, né? E naquele momento oMinistério da Cultura teve que fazer uma ação emergencial, então aquilo deu para nós a dimensão do que é, o prejuí- zo que é. Émuitomais barato fazer a prevenção do que esperar uma ação dessas que traz umprejuízo que até hoje nós estamos aí no cami- nho de reestruturar. Então, essa é a grande contribuição, reunir pes- soas que trabalhem com cultura, que trabalhem com essa resiliência para trazer suas experiências e isso nós estamos chamando de umpla- no de ação. Daí o ineditismo dessa iniciativa, é isso? Margareth - Então, é a primeira vez que a cultura é considera- da uma estratégia dentro de uma COP. O Brasil está trazendo isso, e nós também estamos aí trazendo a ideia de um plano de ação de todos os países que têm experiências com isso para a gente implementar em relação ao patrimônio e em relação tam- bém aos trabalhadores e trabalhadoras da cultura. Nós estamos com várias mesas, com vários fóruns discutindo isso dentro da COP. E para nós tem sido uma experiência muito valiosa. Agora, uma expressão que tem ganhado repercussão aqui dentro da COP, justamente nesse sentido tam- bém de envolver a arte, é o “artivismo”. É necessário, então, esse “artivismo”? André Lago - TCom certeza, inclusive eu estive no fórum Arti- vismo em Salvador, que aconteceu um pouco antes de vir para cá, para a COP, e para nós é muito importante a gente entender que existem pessoas, jovens, instituições, pessoas se movimentando sobre isso no mundo inteiro. E essa união de forças é um fórum que consegue congregar gente de todo lugar. E colocar esse pensa- mento, falar do que está acontecendo, exigir das autoridades tam- bém que isso seja observado com a importância que tem, faz parte desse artivismo. Então, são artistas, produtores, escritores, gesto- res, pessoas que trabalham no mundo inteiro trazendo a arte como uma forma de chamar a atenção, como uma ferramenta também de conscientização da população. Nós temos aí um evento que foi chamado pelo Brasil, que é esse mutirão, o presidente Lula falou essa palavra, mutirão, uma pala- vra indígena. Então nós estamos fazendo essa campanha desse grande mutirão, implementado pela ministra Marina da Silva, e a cultura está sendo uma ferramenta de repercussão disso, desse chamamento. Usar a cultura como uma ponte entre o que precisa- mos fazer e a implementação disso e a conscientização da popula- ção da necessidade desse momento, para a gente conseguir pelo menos diminuir os efeitos do que estamos vendo do desequilíbrio climático. E tudo isso aliado a políticas públicas já desenvolvi- das no Ministério da Cultura? Margareth - OMinistério da Cultura, desde 2024, começamos a conseguir realmente sair daquele processo da reconstrução, nós co- meçamos a implementar essa temática cultura e clima, cultura e sustentabilidade, dentro das nossas ações, do que chamamos de sis- tema MIC, ou seja, dentro de todas as áreas da cultura, um dos te- mas que nós estamos trazendo constantemente é essa questão. En- tão, já fizemos dois fóruns internacionais, fizemos um em 2024 em Salvador, fizemos um agora no Rio de Janeiro, antes da COP, e nós temos ações também dentro do Ministério da Cultura, para o ano nós teremos a Teia, que é a congregação de todos os pontos e pon- tões de cultura do projeto Cultura Viva, que vai discutir sobre isso também. Estamos estimulando que todas as áreas culturais possam refletir e trazer reflexão, para que a população entenda a necessida- de e o valor, tanto da cultura como ferramenta de conscientização, mas também da mudança de comportamento em relação aos nos- sos ativos da natureza. É ambição brasileira incluir a cultura nas metas? Margareth - É uma ambição não só do Brasil, é uma ambição de vários países. Eu faço parte, representando o Brasil, de um colegia- do, que são ministros da cultura, amigos do clima, e esse colegiado é integrado por 64 países, e o Brasil preside junto com Emirados Árabes. E isso é uma grande mobilização para que a cultura venha a ser considerada um dos ODS (Objetivos do Desenvolvimento Sus- tentável), porque isso muda completamente a maneira dos países de pensar, fazer e ter as políticas culturais. Edição: Cleber Barbosa Crédito: Américo Martins/CNN PERFIL Margareth Menezes é cantora, compositora, atriz, gestora cultural, empresária e atual ministra da Cultura doBrasil. BREVE BIOGRAFIA -Em 36 anos de trabalho, já soma 17 obras lançadas, entre LPs, CDs e DVDs, e 23 turnês internacionais por todos os continentes do mundo. Ganhadora de dois troféus Caymmi, dois troféus Imprensa, quatro troféus Dodô e Osmar, além de ser indicada para o Grammy Awards e Grammy Latino. - Além da carreira artística, fundou há 18 anos, em Salvador, a Associação Fábrica Cultural - organização social que desenvolve projetos nos eixos de Cultura, Educação e Sustentabilidade. Margareth faz a gestão de seu selo de música e tem uma carreira construída como artista independente. - É considerada uma das 100 mulheres negras que mais influenciam no mundo pela Most Influential People of African Descent (MIPAD), instituição reconhecida pela Organização das Nações Unidas (ONU) e é membro da IOV Unesco como embaixadora da Cultura Popular. UMMOTE - Defende a ideia de "mutirão global" para cumprir o GST (Global Stocktake) como uma NDC Global (Contribuição Globalmente Determinada). Margareth Menezes A humanidade em movimento e cultura é parte disso.

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