Diário do Amapá - 14 e 15/12/2025
ENTREVISTA ENGENHEIRO |ENTREVISTA | DIÁRIO DO AMAPÁ DOMINGO E SEGUNDA-FEIRA | 14 E 15 DE DEZEMBRO DE 2025 14 Especialista destaca potencial mineral do Amapá e aponta ferrovia como chave para retomada do setor. Analisa retomada do Sistema Amapá, competitividade do minério de ferro e desafios logísticos do estado. D iário - Marcelo, qual é a sua formação exatamente e como começou sua relação profissional como estado doAmapá? MarceloVelazquez - Eu sou engenheiro de produção, formado pela Universidade Federal de Ouro Preto. Trabalho commineração há cerca de 20 anos e estou no Amapá há 15. Vimpara cá em setembro de 2010 para trabalhar na Anglo American, emPedra Branca do Amapari, e acabei ficando. Já atuei emquatro projetos diferentes e hoje presto consultoria na área. Diário - Você acompanhou o auge da produção mine- ral no estado. Qual foi o marco desse período? Marcelo - Em 2012, quando eu era gerente da usina de benefi- ciamento, batemos o recorde histórico de produção mineral do Amapá: 6 milhões de toneladas de minério de ferro em um único ano. Foi o maior volume já produzido no estado e também um recorde dentro da própria Anglo American. Diário - A retomada do Sistema Amapá pela DEV Mi- neração é tecnicamente viável? Marcelo - Sim, é viável. Ominério da região tem qualidade com- petitiva. Na época em que eu trabalhei lá, o teor médio de alimenta- ção da planta era de cerca de 43% de ferro, e após os processos de concentração, chegávamos a um produto final com até 67% de ferro, um pellet feed de redução direta. Agora, com a retomada, o teor deve cair um pouco, para algo em torno de 40%, o que exige ajustes na planta, mas nada fora da realidade da mineração moderna. Diário - Esse tipo de adaptação tecnológica? Marcelo - Totalmente comum. A mineração evoluiu muito. Hoje, usamos uma combinação de processos f ísicos e f ísico-químicos, como britagem, moagem, separação magnética e flotação reversa. Isso permite elevar o teor do minério e torná-lo comercialmente competitivo, mesmo quando a qualidade natural da jazida diminui com o tempo. Diário - O Amapá ainda tem muito potencial mineral? Marcelo - Sem dúvida. O estado tem um potencial enorme. In- clusive, em 2025, o Serviço Geológico do Brasil atualizou o mapa geológico do Amapá, o que amplia a capacidade de identificar áreas promissoras. Mas é importante dizer: indício não é certeza. Só com campanhas de sondagem, perfuração e estudos econômicos é que se confirma uma mina viável. Diário - O maior gargalo hoje é a logística? Marcelo - É o principal gargalo. Com a ferrovia paralisada, toda a produção depende do modal rodoviário, que é muito mais caro. Para se ter uma ideia, transportar minério por caminhão até o Por- to de Santana pode custar cerca de U$ 90 [dólares] por tonelada. Pela ferrovia, esse custo já foi de aproximadamente U$ 14 por tone- lada. É uma diferença absurda. Diário - E o transporte marítimo é o mais viável? Marcelo - Sim. Hoje, os navios que operam no Amapá carregam até cerca de 48 mil toneladas. Se conseguirmos aumentar o calado e operar navios de até 75 mil toneladas, o custo do frete marítimo cai significativamente. Cada 20 centímetros a mais de calado represen- ta cerca de 2 mil toneladas extras por embarcação. Diário - A ferrovia pode atender outros setores além da mineração? Marcelo - Com certeza. A ferrovia tem um papel social e econô- mico. No passado, ela transportava passageiros e ajudava a agricul- tura familiar a escoar produção para Macapá. Hoje, com o cresci- mento do agronegócio, especialmente da soja, a ferrovia pode vol- tar a ser estratégica para reduzir custos logísticos e impulsionar o desenvolvimento regional. Diário - Atualmente, em quais projetos você atua como consultor? Marcelo - Além de projetos minerais tradicionais, participo de uma iniciativa muito interessante na área de remineralizadores. O Amapá não temmina de calcário, mas identificamos rochas com teores relevantes de cálcio e magnésio na região de Vila Nova, que podem ser usadas para corrigir a acidez do solo. Isso é fundamental para o avanço do agronegócio no estado. Diário - O senhor está otimista então? Marcelo - Com ferrovia operando, porto mais competitivo e se- gurança regulatória, o Amapá tem tudo para voltar a ser um grande polo mineral. Minério existe. O desafio é criar as condições para ex- plorá-lo de forma sustentável e economicamente viável. Texto: CLEBER BARBOSA | Foto: IRANEI LOPES PERFIL MarceloCoelho Velazques tem formação em Engenharia de Produção e atua hámais de 20 anos nomercado demineração, sendo 15 deles somente no estado doAmapá. Atualmente está dedicado a atividades de consultoria em gestão empresarial, exceto consultorias técnicas específicas. BREVE CURRÍCULO -Marcelo Velazquez é reconhecido como um dos profissionais mais respeitados do setor mineral brasileiro. - Engenheiro de Minas formado pela tradicional Universidade Federal de Ouro Preto – referência nacional e pioneira na formação de engenheiros – Possui também MBA pela Fundação Getulio Vargas (FGV). - Ao longo de sua trajetória, acumulou experiência em grandes players globais, como Vale, Rio Tinto, Anglo American, Zamin Ferrous, Icomi e Unamgen. - Com mais de 20 anos de atuação na indústria mineral, sendo 15 dedicados ao Estado do Amapá, construiu sólida expertise nas áreas operacional, ambiental, regulatória e estratégica do setor. CONSULTORIA - Atualmente, atua como consultor especializado, apoiando diversas empresas de mineração em processos decisórios, projetos de estruturação operacional, compliance ambiental e gestão de novos empreendimentos. Marcelo Velazquez ■ EngenheiroMarceloVelazquez analisa a retomada domercado deminérios pelo estado doAmapá OAmapátem tudopara voltaraserum grandepolo mineral. mapátem erum
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