Diário do Amapá - 01/04/2025

ESPLANADA |OPINIÃO | DIÁRIO DO AMAPÁ TERÇA-FEIRA | 01 DE ABRIL DE 2025 5 ComWalmor Parente (DF), BethPaiva (RJ) eHenrique Barbosa (PE) E-mail: reportagem@colunaesplanada.com.br LEANDRO MAZZINI PODER , POLÍTICAEMERCADO Brasil-Canadá Enquanto o presidente Donald Trump piora as relações bilaterais com série de taxações, com o argumento de proteger a economia dos EUA, as exportações de produtos brasileiros para o Canadá já bateram mais de US$ 1 bilhão neste ano. Estima-se que será o melhor trimestre da História na relação entre os países. Os dados, do Quick Trade Facts, foram antecipados à Coluna pela Câmara de Comércio Brasil- Canadá. Olhos na fronteira Autoridades de segurança do Brasil e da Bolívia se reuniram no Comitê de Integração Cobija- Brasília-Epitaciolândia, para discutir melhorias para as populações locais, dos dois lados da fronteira, onde a pobreza avança junto com a criminalidade. A ideia é criar uma Área de Controle Integrado, a exemplo daquela que já foi implementada entre Guajará-Mirim (Brasil) e Guayaramerín (Bolívia). Free flow O deputado federal Hugo Leal (PSD-RJ) visitou diretores da ANTT para relatar inconsistências no pedágio free flow em rodovias federais – em especial na Rio- Santos – e pedir anulação das multas. O sistema, sem pedágio, consiste em torres com câmeras que fotografam as placas e mandam a cobrança para o motorista. A inadimplência é alta – junto com as multas e pontuação nas CNH. Esse é o problema de “mão-dupla”. Espiões à vontade É perceptível a crise na Inteligência do Governo. Os espiões estrangeiros, alguns credenciados junto à ABIN, trabalham sem respaldo legal e andam tranquilamente por Brasília e capitais. Há uma relação amistosa entre eles e brasileiros do setor, tradicionalmente, e cada um na sua. Mas a Política Nacional de Inteligência expirou em 2021, está desatualizada e não há nenhum indício de que possa ser reformada. Janja esbanja As recentes viagens da primeira-dama do Brasil Rosângela Silva, a Janja, ao Japão e a Paris – sem a companhia do presidente Lula da Silva – reforçaram as críticas da oposição e as viagens continuam mesmo após o TCU fazer série de recomendações. Janja foi a Paris em agenda oficial de quatro dias (mas apenas dois foram de evento), representando o Brasil em fórum de nutrição, mesmo sem ter cargo no Governo. Ela levou quatro assessores da Presidência. O Governo também não colabora para a transparência do chamado Custo Janja. O chefe da Casa Civil, Rui Costa, será chamado à Câmara dos Deputados, para prestar esclarecimentos a respeito da decisão do Governo de impor sigilo de 100 anos sobre informações relacionadas à primeira-dama. Márcio Macêdo, da Secretaria-Geral, também será convidado para tratar dos gastos com cartões corporativos da Presidência, com foco especial nos usados pelo staff de Janja. Os requerimentos são dos deputados Marcos Pollon (PL-MS) e Evair de Melo (PP-ES). E ntregadores fazem paralisação nesta segun- da-feira (31), em São Paulo, em protesto contra a precarização do trabalho em serviços de entrega dos principais aplicativos do país. Eles rea- lizam atos em alguns pontos da Grande São Paulo. A paralisação está prevista para continuar amanhã (1º), como forma de pressionar as plataformas por melhores condições de trabalho. Eles reivindicam reajuste dos valores pagos à categoria. Taxa mínima por corrida Segundo o Sindicato dos Mensageiros Motoci- clistas, Ciclistas e Mototaxistas do Estado de São Paulo (SindimotoSP), os entregadores pedem: a definição de uma taxa mínima de R$ 10 por corrida até quatro quilômetros; aumento do valor para R$ 2,50 por km; limitação das entregas por bicicletas a um raio máximo de três quilômetros; o pagamento integral de taxa em cada um dos pedidos, mesmo em entregas agrupadas na mesma rota. “O sindicato dos motoboys de São Paulo vem a público manifestar total apoio a essa luta dos tra- balhadores diante da exploração desenfreada das empresas de aplicativo, que promovem a pior pre- carização trabalhista da história do motofrete, ex- plorando os entregadores e tornando-os verdadeiros escravos em pleno século 21”, divulgou, em nota, o SindimotoSP. ■ PARALISAÇÃO Entregadores de aplicativos protestam contra precarização do trabalho O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta segunda- feira (31), que ameaças autori- tárias, “infelizmente, ainda insistem em sobreviver”. Em publicação nas redes sociais, alusiva ao golpe civil-militar de 1964, Lula reforçou a importância da defesa da democracia, dos direitos hu- manos e da soberania do povo para es- colher seus líderes por meio do voto. “Não existe, fora da democracia, ca- minhos para que o Brasil seja um país mais justo e menos desigual. Não existe um verdadeiro desenvolvimento inclu- sivo sem que a voz do povo seja ouvida e respeitada. Não existe justiça sem a garantia de que as instituições sejam sólidas, harmônicas e independentes”, escreveu. O golpe civil-militar de 1964, que completa 61 anos nesta terça (1º), marcou o início de uma ditadura comandada por generais no Brasil que durou 21 anos, período no qual eleições diretas foram suspensas e a liberdade de ex- pressão e oposição política restringi- das. “Nosso povo, com muita luta, su- perou os períodos sombrios de sua his- tória. Há 40 anos, vivemos em um regime democrático e de liberdades, que se tornou ainda mais forte e vivo com a Constituição Federal de 1988. Esta é uma trajetória que, tenho certeza, continuaremos seguindo. Sem nunca retroceder”, acrescentou o presidente. No ano passado, o Supremo Tribunal Federal (STF) julgou ser inconstitucional empregar dinheiro público para come- morar o golpe militar de 1964. Hoje, a Corte publicou, em seus perfis oficiais nas redes sociais, uma mensagem sobre o golpe, que deve ser lembrado “para que nunca se repita”, diz o texto. No dia 18 de março, o Senado Federal também realizou sessão solene para lembrar os 40 anos da redemocratização do país, com uma homenagem ao ex- presidente José Sarney, o primeiro pre- sidente do Brasil após o fim da ditadura, que prevaleceu entre 1964 e 1985. Na ocasião, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, destacou que o evento no Plenário firma o compromisso da Casa com a democracia. Anistia Em publicação nas redes socias, a ministra de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, lembrou que, no pe- ríodo da ditadura, direitos e garantias foram cerceadas e opositores ao regime militar foram presos, perseguidos e mortos. “Foram mais de duas décadas de resistência e sacrif ício para a res- tauração da democracia”, escreveu, de- fendendo que não haja anistia para quem, hoje, atenta contra a democra- cia. ■ AMEAÇAS AUTORITÁRIAS AMEAÇAS “INSISTEM EM SOBREVIVER”, DIZ LULA SOBRE GOLPE DE 64 V Foto/ Valter Campanato/Agência Brasil

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