Diário do Amapá - 02/04/2025
| OPINIÃO | DIÁRIO DO AMAPÁ QUARTA-FEIRA | 02 DE ABRIL DE 2025 2 LUIZ MELO Diretor Superintendente ZIULANA MELO Diretora de Jornalismo Circulação simultânea em Macapá, Belém, Brasília e em todos os municípios do Amapá. Os conceitos emitidos em artigos e colunas são de responsabilidade dos seus autores e nem sempre refletem a opinião deste Jornal. Suas publicações são com o propósito de estimular o debate dos problemas amapaenses e do país. O Diário do Amapá busca levantar e fomentar debates que visem a solução dos problemas amapaenses e brasileiros, e também refletir as diversas tendências do pensamento das sociedades nacional e internacional. MÁRLIO MELO Diretor Administrativo DIÁRIODECOMUNICAÇÕES LTDA. C.N.P.J: 02.401.125/0001-59 Administração, Redação e Publicidade Avenida Coriolano Jucá, 456 - Centro CEP 68900-101 Macapá (AP) - Fone: 96-3223-7690 www.diariodoamapa.com.br COMPROMISSOCOMANOTÍCIA T odo mundo tem uma noção dos danos que o abuso de álcool faz ao indivíduo e à família, mas poucos sabem dos custos ao país. Aliás, muitos que abusamdo álcool, fazem-no crendo que "bebem socialmente". Isso é o que vem demonstrar o artigo científico "Análise da intensidade do consumo de álcool diário e das consequências f ísicas agudas" (Daily-level analysis of drinking intensity and acute physical consequences) publicado na revista científica "Addictive Behaviors". O uso de álcool entre adultos jovens está associado a uma considerável morbidade e mortalidade, e o mau uso do álcool custa aos Estados Unidos da América 249 bilhões de dólares anualmente (Hingson et al., 2009). O consumo de álcool em alta intensidade (há diversas definições para dose, em torno de 10g de álcool na bebida, que demora cerca de uma hora para o organismo digerir) de 8 ou mais doses para mulheres e 10 ou mais para homens (Patrick e Azar, 2018) é uma forma preju- dicial e custosa de consumo de álcool (Sacks et al., 2015, entre outros) e que é comum na idade adulta jovem (Terry-McElrath e Patrick, 2016, Patrick et al., 2016). Estudos têm constatado que aqueles que con- somem álcool em excesso (consumo de 4 ou mais doses para mulheres e 5 ou mais para homens) têm maior probabilidade de experimentar lesões acidentais, desmaios e ressacas (Krieger et al., 2018, Naimi et al., 2003, entre outros). Além disso, aqueles que se envolvem em consumo de alta intensidade têm maior risco de desenvolver sintomas de de- sordem (Linden-Carmichael et al., 2017, Patrick et al., 2021) em comparação com aqueles que conso- mem álcool em excesso ou em menor quantidade. Portanto, é importante identificar os riscos distintos do consumo de alta intensidade em comparação com o consumo em excesso. Usando uma amostra universitária, desmaios e ressacas eram mais prováveis em dias de consumo de alta intensidade em comparação com dias de consumo em excesso (Linden-Carmichael et al., 2018). No entanto, poucas pesquisas se concen- traram especificamente em diferentes tipos de con- sequências f ísicas agudas, e nenhuma examinou essas associações em uma amostra nacional de adultos jovens. Consequências f ísicas agudas são especialmente importantes de se exa- minar, pois podem levar a danos graves. Por exemplo, apagões e desmaios aumentam significativamente o risco de overdose, lesões e agressão sexual (Carey et al., 2015, Hingson et al., 2016, entre outros), e ocasiões de apagões estão associadas a mais consequências negativas do que ocasiões de consumo sem apagões (Devenney et al., 2019). Outras consequências f ísicas agudas, como ressacas e náuseas, também podem levar a um prejuízo cognitivo e f ísico substancial nos dias seguintes (Prat et al., 2008, e outros). E aí, confirmado o "happy hour" de hoje? Happy? Não! Infeliz quem bebe álcool em quantidade, mesmo que seja apenas um dia na semana. In- felicidade para si mesmo e para sua família. Segundo a Fiocruz, em 2015, o Brasil tinha 2,3 milhões de alcoólatras, ou 1,1% da população. Um problema social que merece ação por políticas públicas. ■ A catástrofe de Petrópolis podia ser evitada Usando uma amostra universitária, desmaios e ressacas eram mais prováveis em dias de consumo de alta intensidade em comparação com dias de consumo em excesso (Linden- Carmichael et al., 2018). MARIO EUGENIO E-mail: mariosaturno@uol.com.br Tecnologista Sênior M ariana tem 10 anos. Nasceu em março de 2011. Os pais são divorciados e a menina fica com a mãe e a avó que acaba sendo a genitora quase que de fato. Maria Lúcia, a mãe trabalha em uma empresa de marketing por seis horas e, á noite, estuda em uma faculdade. O pai é caminhoneiro e passa mais tempo na estrada do que na cidade onde a filha mora e, assim, dispõe de pouco tempo com a criança que o vê de vez em quando, poucos minutos em um final de semana qualquer, ou feriado. O tempo é sempre escasso e o amor de pai-filha-pai inexiste. A garota estuda à tarde. Levanta no meio do dia, pega seu lanche na geladeira, coloca no micro-ondas, juntamente com um copo de leite integral, desnatado e com achocolatado artificial. Senta-se em frente ao televisor, liga em um canal pago com programinha infantil, onde aparecem mil publicidades sobre isto e aquilo. O programa dura meia hora, mas serve como balizador para a menina. Logo que termina seu desjejum é que se lembra de escovar os dentes, pentear o cabelo. A cama fica por arrumar e a bagunça da noite anterior permanece ali. A avó não liga e espera que a mãe corrija a menina. Mas nada acontece, nem com uma e muito menos com a outra. Após o programa do café ela lança mão do celular e fica verificando as influenciadoras mirins e jovens que simulam isto ou aquilo em seus quartos, sala de estar, piscinas. O mundo da fantasia que encanta todos os pré-adolescentes, jovens e pré-adultos. Mariana nunca viajou com a mãe e, na rua em que mora, não conhece os vizinhos da rua. Limita-se a poucas amigas na escola. Também só na casa de uma é que foi em uma festa. Nada mais. O shopping fica distante da casa e a avó não tem tempo de levar a menina lá. Na cidade tem alguns pontos turísticos, museu, teatro, parque com área verde e urbanizada, igrejas históricas. Mariana nunca esteve em nenhum destes lugares. Também não conhece a zona rural com suas trilhas maravilhosas, paisagens en- cantadoras, cascatas e cachoeiras. Aliás, na roça, foi uma vez com a avó e um tio-avô. Passou ali um final de semana. Veio com o pé machucado, a pele picada por muriçoca e pernilongo. Hoje, esconjura quando se fala em passear na mata. Apaixona-se pelas belas paisagens que aparecem nas redes sociais. Nos hotéis luxuosos e distantes. Países que nem a avó ou a mãe jamais pensaram em visitar. Mas, naquela cabecinha pequena é ali que deseja conhecer, passear, visitar museus e morar um dia. Mas, o tempo vai passando e, o conhecimento real do mundo á sua volta mais distante. Mariana não está só neste círculo vicioso da moder- nidade. Junto a ela seguem dezenas, centenas, milhares de crianças mundo afora. Seres desprovidos de histórias próprias, conhecimento próprio. Vivem para sobreviver. Parece pleonasmo? Talvez seja. Sobrevivem em um mundo irreal, virtual, dissimulado e longe da realidade. A menina desconhece o mundo das amizades verdadeiras, das brincadeiras de correr, suar, cansar. Aquele sono do meio da tarde depois de um dia brincando, gastando energia. Para isso encaminham-na para uma academia com um “personal trainer”. Para alimentar-se melhor, uma nutricionista. Para seus cabelos, um profissional de salão. Não aprende com a amiga, com a vizinha, com a mamãe. Mariana nunca viu uma borboleta em sua vida, só ouve falar. Como é um amendoim na casca? Isso existe? Não sabe como funciona “as coisas”. Tudo é auto- mático. Foge de abelha por medo de uma reação. Teme o contágio pelo coronavírus. Come enlatados, porque vê na TV ou no celular. O “fast food” é o máximo. É só pedir que entregam em casa. Quem sabe, um dia, ela rompa esta bolha que a prende em seu sofá pela manhã, sua cama na noite e, neste novo redescobrir, conhecer, leve sua mãe, sua avó, seu pai. Nós, os seres humanos pensantes de hoje, estamos regredindo para nossas cavernas, nossos mundinhos. Fechados em nós, egoístas com os outros e, pequenos ditadores quando não concordam com nosso pensar. ■ Entendendo o mito das cavernas nos dias atuais Mariana nunca viu uma borboleta em sua vida, só ouve falar. Como é um amendoim na casca? Isso existe? Não sabe como funciona “as coisas”. Tudo é automático. Foge de abelha por medo de uma reação. GREGÓRIOJ.L. SIMÃO E-mail: gregoriojsimao@yahoo.com.br Radialista e estudante de Filosofia
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