Diário do Amapá - 23 e 24/03/2025

LUIZ MELO Diretor Superintendente ZIULANA MELO Diretora de Jornalismo Circulação simultânea em Macapá, Belém, Brasília e em todos os municípios do Amapá. Os conceitos emitidos em artigos e colunas são de responsabilidade dos seus autores e nem sempre refletem a opinião deste Jornal. Suas publicações são com o propósito de estimular o debate dos problemas amapaenses e do país. O Diário do Amapá busca levantar e fomentar debates que visem a solução dos problemas amapaenses e brasileiros, e também refletir as diversas tendências do pensamento das sociedades nacional e internacional. MÁRLIO MELO Diretor Administrativo DIÁRIODECOMUNICAÇÕES LTDA. C.N.P.J: 02.401.125/0001-59 Administração, Redação e Publicidade Avenida Coriolano Jucá, 456 - Centro CEP 68900-101 Macapá (AP) - Fone: 96-3223-7690 www.diariodoamapa.com.br COMPROMISSOCOMANOTÍCIA |OPINIÃO | DIÁRIO DO AMAPÁ DOMINGO E SEGUNDA-FEIRA | 23 E 24 DE MARÇO DE 2025 2 C erta vez, um pai passeava pelas ruas da cidade com os seus dois filhos. Eles estavam chorando e de cara fechada. Um co- nhecido, ao encontrá-los, perguntou: – Qual é o problema com os dois meninos? – É o mesmo problema do resto do mundo, respondeu o pai. Tenho três nozes e ambos querem duas. No evangelho de Lucas, deste Sétimo Domingo do Tempo Comum, encontramos diversos ensinamentos de Jesus. Ele nos chama a uma verdadeira revolução em nossos relacionamentos humanos e… eco- nômicos. Nos pede para amar os inimigos, fazer o bem àqueles que nos odeiam e falam mal de nós, de não pedir de volta o que nos foi tirado. Devemos abençoar aqueles que nos amaldiçoam e oferecer a outra face a quem já nos esbofeteou de um lado. Jesus nos diz que amar somente aqueles que nos amam, fazer o bem a quem o faz para nós, emprestar dinheiro a quem temos certeza pagará a dívida, não tem nada de novo. Qualquer pessoa pode agir assim. Até os pecadores fazem ne- gócios desse jeito. Afinal, é uma questão de troca de favores e prestações. Ninguém quer perder nada e, assim, vivemos na defensiva, sempre atentos para não sermos enganados. Jesus nos pede para agirmos de uma maneira diferente, mais corajosa, inesperada, capaz de surpreender. Isso porque a referência dos “filhos do Al- tíssimo” não pode mais ser a esperteza do mundo, mas deve ser, nada menos, que a mi- sericórdia de Deus. Ele é um Pai “bondoso também para com os ingratos e os maus” (Lc 6,35). Na manifestação das nossas opiniões a respeito dos outros não devemos julgar e nem condenar. Devemos usar de uma medida larga, abundante de compreensão e perdão, porque com a mesma medida serão também avaliadas as nossas ações. Após ter escutado essas palavras de Jesus, somos tentados a pensar que ele foi um profeta visionário, que tinha muita imaginação e vivia fora da realidade. No entanto ele nos deu o exemplo quando perdoava os pecadores e, so- bretudo, quando invocou a misericórdia do Pai para aqueles que o crucificavam. Talvez sejamos nós a não saber mais acreditar que algo diferente possa acontecer nesta sociedade, onde sobram disputas, violências e injustiças e faltam demais fra- ternidade, solidariedade e paz. Continuamos a querer possuir mais, na ilusão de sermos mais felizes pelo poder ou os bens materiais que acumulamos. O chamado “bolo” das riquezas talvez continue crescendo, até quando o planeta Terra aguentar. Mas quando será partilhado de forma justa e respeitosa da dignidade de toda pessoa humana? Ainda no evangelho deste domingo, Jesus nos mostra o caminho. É a bem conhecida “regra de ouro”: “O que vós desejais que os outros vos façam, fazei- o também vós a eles” (Lc 6,31). Se queremos amor sincero, devemos também oferecer amor sem outra finalidade que o bem de quem di- zemos amar. Se tratamos mal o nosso próximo ou o excluímos com a nossa in- sensibilidade e indiferença, não podemos pretender atenção e ajuda quando precisarmos. Podemos esperar carinho se semeamos afeto e ternura. Quem não sabe renunciar nem a uma noz para alegrar o irmão e semear união, dificilmente encontrará um ombro para se apoiar na hora da privação. ■ DOMPEDROCONTI E-mail: oscarfilho.ap@bol.com.br Administrador Apostólico da Diocese de Macapá Continuamos a querer possuir mais, na ilusão de sermos mais felizes pelo poder ou os bens materiais que acumulamos. O chamado “bolo” das riquezas talvez continue crescendo, até quando o planeta Terra aguentar. Mas quando será partilhado de forma justa e respeitosa da dignidade de toda pessoa humana? Ainda no evangelho deste domingo, Jesus nos mostra o caminho. O problema N a revelação transmitida na Bíblia, o Criador cria a criatura. Há, portanto, uma dependência do ser humano perante o Criador. Então, demodo aparentemente paradoxal, a relaçãomesma comDeus é que permite a liberdade e a responsabilidade que caracteriza o humano. Do contrário, se eu nãomantiver essa busca deDeus, eu perco aminha liberdade. Pois, de fato, essa relação do ser humano comDeus é que confere a plenitude ao ser humano, que expressa a sua perfeição original. Semessa relação, quem somos nós? Seres limitados, tolhidos, presos, vítimas das circunstâncias. Per- demos a dimensão de plenitude que nos caracteriza desde a nossa criação. Assim sendo, compreendemos por que é dif ícil viver a justiça na sociedade e nas instituições em geral. Mas Deus quer ser protagonista, quer queiramos ou não. Veja o salmo 93 das Sagradas Escrituras que fala justamente desse protagonismo de Deus, Ele não fica no anonimato. “Senhor, Deus justiceiro, Deus das vinganças, aparecei emvosso esplendor. Levantai-vos, juiz da terra, castigai os soberbos como eles merecem.Até quando, Senhor, triunfarão os ímpios? Até quando se desmandarão em discursos arrogantes, e jactanciosos estarão esses obreiros do mal?Eles esmagam o povo, Senhor, e oprimem vossa herança. Trucidam a viúva e o es- trangeiro, tiram a vida aos órfãos.E dizem: O Senhor não vê, o Deus de Jacó não presta atenção nisso! Tratai de compreender, ó gente estulta. In- sensatos, quando cobrareis juízo?Pois não ouvirá quem fez o ouvido? O que formou o olho não verá? Aquele que dá lições aos povos não há de punir, ele que ensina ao homemo saber...OSenhor conhece os pensamentos dos homens, e sabe que são vãos. Feliz o homem a quem ensinais, Senhor, e instruís em vossa lei,para lhe dar a paz no dia do infortúnio, enquanto uma cova se abre para o ímpio, porque o Senhor não rejeitará o seu povo, e nãoháde abandonar a suaherança.Mas o julgamento com justiça se fará, e a seguirão os retos de coração. Quem se erguerá por mim contra os malfeitores? Quem será meu defensor contra os artesãos do mal?Se o Senhor não me socorresse, em breve a minha alma habitaria a região do silêncio. Quando penso: Vacilam-me os pés, sustenta-me, Senhor, a vossa graça.Quando emmeu coração semultiplicam as angústias, vossas consolações alegram a minha alma. Acaso poderá aliar-se a vós um tribunal iníquo, que pratica vexames sob a aparência de lei?Atentam contra a alma do justo, e condenam o sangue inocente. Mas o Senhor certamente será o meu refúgio, e meu Deus o rochedo em que me abrigo.Ele fará recair sobre eles suas próprias maldades, ele os fará perecer por sua própria malícia. O Senhor, nosso Deus, os destruirá.” Evidencia-se nesse salmo uma reflexão sobre o juízo divino contra as injustiças que existemefetivamente no seio do poder, nos órgãos constituídos para reger a vida de um país e, sobretudo, a injustiça contra os menos favorecidos. Esse hino se divide em duas manifestações de queixa e de testemunho de sabedoria. Tudo isso direcionado a Deus para que faça justiça. É Ele a verdadeira justiça. Os versículos de 3 a 7 e 16 a 21 são um grito de queixa pelos triunfos daqueles que praticam o mal e esbanjam da corrupção e opressão dos indefesos e pessoas humildes e desafiam Deus o Senhor do mundo. Perante tudo isso, os que são explorados repõem toda a confiança na intervenção divina para que faça justiça. Tudo isso revela o grande escândalo da injustiça que impera na sociedade e, aomesmo tempo, proclama a felicidade das pessoas que confiam no Senhor, o verdadeiro dono de tudo e de todos. A verdadeira justiça vem de Deus, fundamenta-se Nele. E Deus, que enxerga tudo, fará triunfar aqueles que são maltratados e perseguidos e não têm mais ninguémque os defendam. ÉDeus o defensor dos pobres. Evidentemente aqui se focaliza uma função jurídica de defesa dos injustiçados. ■ CLAUDIOPIGHIN E-mail: clpighin@claudio-pighin.net Sacerdote e doutor em teologia. Evidencia-se nesse salmo uma reflexão sobre o juízo divino contra as injustiças que existem efetivamente no seio do poder, nos órgãos constituídos para reger a vida de um país e, sobretudo, a injustiça contra os menos favorecidos. Esse hino se divide em duas manifestações de queixa e de testemunho de sabedoria. Tudo isso direcionado a Deus para que faça justiça. É Ele a verdadeira justiça. A justiça divina supera a humana

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