Diário do Amapá - 29/03/2025
O Banco Central reduziu de 2,1% para 1,9% sua estimativa de cres- cimento do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano. A informação consta no relatório de política monetária do primeiro tri- mestre, divulgado nesta quinta-feira (27). Em 2024, segundo dados oficiais do Instituto Brasileiro de Geografia e Es- tatística (IBGE), a economia brasileira registrou uma expansão de 3,4%. Uma alta menor, neste ano, conforme projetado pelo BC e por analistas do setor privado, representará uma desa- celeração no ritmo de crescimento. Nesta semana, a instituição já tinha avaliado que a atividade econômica e o mercado de trabalho têm apresentado dinamismo, mas que há dados sugerindo uma "incipiente" moderação do ritmo de crescimento da economia — o que, em sua visão, é um "elemento necessário" para redução das pressões inflacioná- rias. Representantes do BC têm dito que uma desaceleração do nível de atividade é necessária para reduzir a inflação, e trazê-la de volta para as metas. "Temos que desacelerar um pouco a economia. O PIB veio um pouco mais fraco do que o esperado. Estamos vendo sinais de moderação [da atividade eco- nômica]", disse o diretor do BC, Diogo Guillen , no começo deste mês. No relatório de política monetária, o BC informou que o chamado "hiato do produto" segue positivo. Isso quer dizer que a economia continua operando acima do seu potencial de crescimento sem pressionar a inflação. Estados Com exceção de Alagoas, todos os estados tiveram resultado positivo na geração de emprego no mês passado. Em termos absolutos, São Paulo gerou o maior número de postos de trabalho, fechando fevereiro com 137.581; seguido de Minas Gerais, com 52.603 postos, e Paraná, com 39.176 postos. Já os estados da Federação com me- nor saldo foram: Alagoas, que perdeu 5.471 postos; Acre, que criou 429 postos e a Paraíba, com 525 novos postos. ■ SALDO POSITIVO CAGED: BRASIL CRIOU QUASE 432 MIL EMPREGOS FORMAIS EM FEVEREIRO FALECOM0COMERCIAL E-mail: comercial.da@bol.com.br site: www.diariodoamapa.com twitter: @diariodoamapa Instagram: @diariodoamapa | ECONOMIA | DIÁRIO DO AMAPÁ 7 ECONOMIA SÁBADO | 29 DE MARÇO DE 2025 As emissões mensais recorde e o baixo volume de vencimentos de títulos fizeram a Dívida Pública Federal (DPF) subir emfevereiro. Segundonúmeros divulgados nesta sexta-feira (28) pelo Tesouro Nacional, a DPF passou de R$ 7,253 trilhões em janeiro para R$ 7,492 trilhões no mês passado, alta de 3,3%. Em junho do ano passado, o indicador superou pela primeira vez a barreira de R$ 7 trilhões. Mesmo com a alta em fevereiro, a DPF continua abaixo do previsto. De acordo com o Plano Anual de Financiamento (PAF), apresentado no início de fevereiro, o estoque da DPF deve encerrar 2025 entre R$ 8,1 trilhões e R$ 8,5 trilhões. ADívida PúblicaMobiliária (emtítulos) interna (DPMFi) subiu 0,23%, passando de R$ 6,951 trilhões em janeiro para R$ 7,178 trilhões em fevereiro. No mês passado, o Tesouro emitiu R$ 189,92 bilhões em títulos a mais do que resgatou, principalmente em papéis prefixados (com juros definidos antecipadamente) e atrelados à taxa Selic (juros básicos da economia). A alta foi reforçada pela apropriação de R$ 70,85 bilhões em juros. Pormeio da apropriação de juros, o governo reconhece, mês a mês, a correção dos juros que incide sobre os títulos e incorpora o valor ao estoque da dívida pública. Com a taxa Selic (juros básicos da economia) em14,25% ao ano, a apro- priação de juros pressiona o endividamento do governo. No mês passado, o Tesouro emitiu R$ 145,39 bilhões em títulos da DPMFi, omaior volumemensal desde o início da série histórica, em novembro de 2006. Com o baixo volume de vencimentos em fevereiro, os resgates somaram R$ 33,976 bilhões, o volume mais baixo desde dezembro do ano passado. A Dívida Pública Federal externa (DPFe) subiu 4,15%, passando de R$ 301,81 bilhões em janeiro para R$ 314,34 bilhões em fevereiro. Os principais fatores foram a alta de 1,35% do dólar e a emissão de US$ 2,5 bilhões em títulos no exterior, que aumentaram o endividamento do governo. Colchão Após forte queda em janeiro, o colchão da dívida pública (reserva financeira usada em momentos de turbulência ou de forte concentração de vencimentos) voltou a subir. Essa reserva passou de R$ 744 bilhões em janeiro para R$ 889 bi- lhões no mês passado. O principal motivo, segundo o Tesouro Nacional, foi a forte emissão líquida (emissões menos resgates) no mês passado. Atualmente, o colchão cobre 6,66meses de vencimentos da dívida pública. Nos próximos 12 meses, está previsto o vencimento de R$ 1,267 trilhão em títulos federais. Composição Apresar da forte emissão de títulos corrigidos pelos juros básicos e prefixados (com rendimento definido no momento da emissão), a composição daDPFmudou pouco. A proporção dos papéis atrelados à Selic caiu de 47,98% em janeiro para 47,77% em fevereiro. O PAF prevê que o indicador feche 2025 entre 48% e 52%. Esse papel está atraindo o interesse dos compradores por causa das recentes altas da taxa Selic. A fatia dos papéis prefixados subiu de 20,15% em janeiro para 20,54% em fevereiro. O PAF prevê que o indicador feche 2025 entre 19% e 23%. Normalmente, os papéis prefi- xados indicam mais previsibilidade para a dívida pública, porque as taxas são definidas comantecedência. No entanto, em momentos de instabilidade no mercado financeiro, as emissões caem porque os investidores pedem juros muito altos, que comprometeriam a administração da dívida do governo. A fatia de títulos corrigidos pela inflação na DPF caiu levemente, passando de 27,72% para 27,51%. O PAF prevê que os títulos vinculados à inflação encerrarão o ano entre 24% e 28%. Composto por antigos títulos da dívida interna corrigidos em dólar e pela dívida externa, o peso do câmbio na dívida pública passou de 4,15% para 4,18%. A dívida pública vinculada ao câmbio está dentro dos limites estabelecidos pelo PAF para o fim de 2025, entre 3% e 7%. ■ DPF Dívida Pública sobe 3,3% em fevereiro e aproxima-se de R$ 7,5 trilhões ● O rendimentomédio do trabalhador brasileiro chegou a R$ 3.378, o valor mais alto já registrado desde 2012, quando começou a série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domi- cílios Contínua (PnadContínua), feita pelo InstitutoBrasileirodeGeografia e Estatística (IBGE). Os dados foram divulgados nesta sex- ta-feira (28), e mostramque, emum ano, a alta na renda dos trabalhadores foi de 3,6%. O recorde anterior era do trimestre encer- rado em janeiro de 2025, com R$ 3.365. Os valores são deflacionados, ou seja, levam em conta a inflação acumulada no período, fazendo com que a comparação reflita o real poder de compra do trabalha- dor. A pesquisa do IBGE apura o compor- tamento nomercado de trabalho para pes- soas com 14 anos ou mais e leva em conta todas as formas de ocupação, seja emprego com ou sem carteira assinada, temporário e por conta própria, por exemplo. O le- vantamento apontou que, no trimestre en- cerrado emfevereiro, a taxa de desemprego foi de 6,8%. Formalidade aumenta renda A coordenadora da pesquisa, Adriana Beringuy, frisa que parte do recorde do rendimentomédio pode ser explicada pela redução da informalidade no mercado de trabalho. A taxa de informalidade ─ trabalha- dores que não têmgarantidos direitos como férias, contribuição para a Previdência Social e 13º salário ─ teve “ligeira redução”, caindo a 38,1% da população ocupada. No trimestre terminado emnovembro de 2024, estava em 38,7%. "Se hoje, naminha população ocupada, eu tenho uma maior proporção de traba- lhadores formais do que havia anterior- mente, é esperado que essa média [de ren- dimento] aumente, dado que, de modo geral, os trabalhadores formais têm um rendimento maior que os não formais", explica. A pesquisadora contextualiza ainda que o número total de ocupados ficou em 102,7milhões de pessoas, 1,2%menor que o do período terminado em novembro, sendo que o grupamento administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais foi res- ponsável pela subtração de 468mil ocupa- ções. Beringuy ressalta que esse número re- presenta um comportamento sazonal da administração pública, que dispensa fun- cionários temporários no começo de ano. “Foi o segmento do setor público com os menores rendimentos, que são aqueles dos contratos temporários”, afirmou ela, se re- ferindo a trabalhadores da área da educação fundamental. Dessa forma, como corte de pessoas commenores salários, o rendimento médio tende a aumentar. O reajuste do salário mínimo para R$ 1.518, no começo do ano, foi outro fator que contribuiu, em menor escala, para o recorde no rendimento do trabalhador. Segundo Beringuy, o reajuste serve como referência de rendimento mesmo para quem não tem carteira assinada. "O saláriomínimo é umbalizador importante no mercado de trabalho, principalmente entre os trabalhadores informais". Massa de salários Outro dado recorde apontado pelo IBGE é a massa salarial, que alcançou R$ 342 bilhões. Omontante consiste na soma de todos os valores que os trabalhadores recebem e funciona como um motor da economia. Emumano, esse total teve cres- cimento de 6,2% (mais R$ 20 bilhões). ■ RENDIMENTO MENSAL DO TRABALHADOR BATE RECORDE E CHEGA A R$ 3.378 IBGE V Foto/ Marcello Casal JrAgência Brasil
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