Diário do Amapá - 18/09/2025

FALECOM0COMERCIAL E-mail: comercial.da@bol.com.br site: www.diariodoamapa.com twitter: @diariodoamapa Instagram: @diariodoamapa ECONOMIA | ECONOMIA | DIÁRIO DO AMAPÁ 7 QUINTA-FEIRA | 18 DE SETEMBRO DE 2025 D ois estudos lançados nesta terça- feira (16) defendemque a Petrobras tem condições de mudar o rumo atual, focado em combustíveis fósseis, e liderar a transição energética no Brasil. Produzidos por pesquisadores da Uni- versidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e do Observatório do Clima, os docu- mentos propõem um mapa para que a maior empresa do país deixe de depender do petróleo e se consolide como referência em energia limpa. Segundo os pesquisadores, a análise ocorre em um momento em que o Brasil expande a produção de óleo e gás e vê o petróleo ultrapassar a soja como principal produto de exportação, representando 13% das vendas ao exterior. O cenário aumenta o risco de o país ser atingido pela chamada “bolha de car- bono”, com ativos encalhados caso a de- manda global por combustíveis fósseis caia abruptamente a partir da próxima década. O documento Questões-Chave e Al- ternativas para a Descarbonização do Portfólio de Investimentos da Petrobras, é assinado pelos economistas Carlos Eduar- do Young e Helder Queiroz, da UFRJ. Ele é a base para a produção do segundo es- tudo, A Petrobras de que Precisamos, produzido por 30 organizações do Grupo de Trabalho em Energia do Observatório do Clima. Ambos defendem que a Petrobras di- versifique seu portfólio e alinhe seus in- vestimentos às metas do Acordo de Paris e do Plano Clima, que preveem neutrali- dade de emissões de gases do efeito estufa até 2050. Segundo os números apresen- tados nas pesquisas, dos US$ 111 bilhões previstos no plano de negócios 2025-2029 da estatal, apenas US$ 9,1 bilhões estão destinados a energias de baixo carbono. A Petrobras disse, em nota, que o investi- mento em energia de baixo carbono é maior do que o relatado: US$ 16,3 bi- lhões. Para os economistas da UFRJ, a de- pendência da receita do petróleo expõe o Brasil a choques econômicos devido à vo- latilidade e ao caráter finito do recurso. “A Petrobras, e o setor de petróleo e gás natural como um todo, não podem ser considerados comomeros instrumentos de solução para o problema macroeco- nômico que abarca a questão fiscal no país”, diz Young. “Apesar dos recursos financeiros ar- recadados comroyalties, impostos e demais participações governamentais, é importante recordar o risco associado à dependência das administrações públicas (federal, es- taduais e municipais), já que a atividade petrolífera é caracterizada pela extração de recursos esgotáveis e cujos preços são extremamente voláteis”, complementa Queiroz. Caminhos propostos Oestudo conduzido peloObservatório do clima sugere um conjunto de medidas para que a empresa passe pelo processo de transformação: ampliar investimentos em pesquisa de biocombustíveis e hidrogênio de baixo carbono; retomar a atuação em distribuição e emterminais de recarga para o consumidor final; priorizar energias de baixo carbono, como hidrogênio verde, biocombustíveis de segunda e terceira geração, e combustível sustentável de aviação (SAF); alinhar o plano de negócios aos obje- tivos mais ambiciosos do Acordo de Paris, da Contribuição Nacionalmente Deter- minada (NDC) do Brasil e da Estratégia Nacional de Mitigação (Plano Clima); realocar recursos de refinarias para a ampliação de novos combustíveis. ■ ESTUDOS APONTAM CAMINHO PARA DESCARBONIZAR A PETROBRAS TRANSIÇÃO ENERGÉTICA V Foto/ Petrobras/Divulgação

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