Diário do Amapá - 06/01/26

| OPINIÃO | DIÁRIO DO AMAPÁ TERÇA-FEIRA | 06 DE JANEIRO DE 2026 2 LUIZ MELO Diretor Superintendente ZIULANA MELO Diretora de Jornalismo Circulação simultânea em Macapá, Belém, Brasília e em todos os municípios do Amapá. Os conceitos emitidos em artigos e colunas são de responsabilidade dos seus autores e nem sempre refletem a opinião deste Jornal. Suas publicações são com o propósito de estimular o debate dos problemas amapaenses e do país. O Diário do Amapá busca levantar e fomentar debates que visem a solução dos problemas amapaenses e brasileiros, e também refletir as diversas tendências do pensamento das sociedades nacional e internacional. MÁRLIO MELO Diretor Administrativo DIÁRIODECOMUNICAÇÕES LTDA. C.N.P.J: 02.401.125/0001-59 Administração, Redação e Publicidade Avenida Coriolano Jucá, 456 - Centro CEP 68900-101 Macapá (AP) - Fone: 96-3223-7690 www.diariodoamapa.com.br COMPROMISSOCOMANOTÍCIA O s extremistas de direita, bem como os de esquerda têm algo em comum: a paixão por ideologia ou político cega a inteligência e floresce a estultícia. Creem que no Brasil não haja democracia, mas até isso a COP-30 demonstrou haver, afinal as COP anteriores aconteceram em países sem democracia, nem tolerância e, pior, em país produtor de combustíveis fósseis. Aliás, diante da mais exuberante floresta do mundo, ficou claro que as futuras COP precisam excluir países que não queiram promover a mudança, que sigam o presidente Trump, invistam em petróleo e carvão e afundem diante da incrível tecnologia chinesa que tornou mais barato produzir energia solar e eólica e armazenar em baterias. Países que não tem a diversidade brasileira para complementar a energia solar e eólica com hidrelétricas e termelétricas a bagaço de cana, agora têm a disposição baterias de lítio com preços compensatórios. O governador da Califórnia anunciou que atingiu 16.942 megawatts (MW) de capacidade disponível de armazenamento em baterias, um terço da capacidade de armazenamento estimada como necessária até 2045 para ser 100% de energia limpa. Os investimentos em armaze- namento começaram em 2019. China tem maior capacidade do mundo, atingiu 164 GW de capacidade instalada em sistemas de armazenamento de energia em agosto de 2025. Somente no primeiro semestre de 2025, instalou 100 GW de baterias de lítio. A Califórnia também aderiu ao Compromisso Global de Armazenamento de Energia e Redes Elétricas, uma iniciativa da COP apoiada por mais de 100 países e organizações. Esse com- promisso estabelece metas globais de implantar 1.500 gigawatts de armazenamento de energia, dobrar os investimentos mundiais em redes e construir 25 milhões de quilômetros de nova infraestrutura de transmissão até 2030, para cumprir a meta acordada na COP-28. O armazenamento de energia é essencial, ao capturar o excedente de energia solar e eólica quando é abundante e liberá-lo durante os picos de demanda, as baterias mantêm a rede estável e permitem depender de energia renovável 24 horas por dia. A Califórnia já completou três anos consecutivos sem sequer precisar emitir um alerta para conservação voluntária, um grande su- cesso. A energia renovável já responde por quase 67% das vendas de ele- tricidade no varejo dentro do estado, e a Califórnia continua a desativar usinas de combustíveis fósseis e eliminará a energia a carvão de sua matriz elétrica em poucos meses. O Operador do Sistema Independente da Califórnia (CAISO), que atende aproximadamente 80% dos consu- midores de eletricidade do estado, atendeu, em média, a demanda com 100% de energia limpa por quase seis horas todos os dias até o momento deste ano. O setor brasileiro de biocombustíveis lançou também a Carta de Belém, que propõe um esforço internacional para quadruplicar a pro- dução e o uso de combustíveis sustentáveis até 2035, seguindo as re- comendações da Agência Internacional de Energia (IEA). Os governos também deveriam orientar os donos de carros elétricos qual o melhor horário para abastecer. ■ De baterias gigantes a biocombustíveis A energia renovável já responde por quase 67% das vendas de eletricidade no varejo dentro do estado, e a Califórnia continua a desativar usinas de combustíveis fósseis e eliminará a energia a carvão de sua matriz elétrica em poucos meses. E-mail: mariosaturno@uol.com.br Tecnologista Sênior A situação de Bom Jardim e Turilândia, recentemente exposta em jornais, que mostrou municípios marcados pelo alto grau de pobreza e palco de sucessivos escândalos de corrupção envolvendo políticos locais, não é exceção no país. O caso dessas cidades representa um padrão recorrente em diversos municípios brasileiros, onde a má gestão e o desvio de verbas públicas comprometem diretamente a infraestrutura, a educação e a saúde da população, fazendo com que os filhos de famílias humildes se obriguem a estudar em ambientes insalubres, sem estrutura f ísica e pedagógica, enquanto recursos que deveriam ser destinados ao bem-estar coletivo são desviados para interesses privados. Veja, por exemplo, em Turilândia, prefeito e vereadores são presos por desvios de recursos. O esquema gerou dano de mais de R$ 56 milhões aos cofres públicos. A gestão política corrupta, sem fiscalização, é a principal responsável pelo desfalque das verbas públicas. A falta de caráter dos políticos maranhenses, que não se envergonham de pertencer ao ente federativo cujo índice de pobreza é o mais elevado do país, é uma constatação lastimável. O Maranhão é vítima da péssima qualidade ética e moral histórica de seus políticos, cuja maioria só deseja tirar proveito da coisa pública, em prejuízo de um conjunto de problemas sociais crônicos jamais combatidos no Estado. Infelizmente, vivemos num país cujas regras criminais favorecem infratores, sejam eles ou não de colarinho branco. Enquanto o crime de corrupção política for tratado com leniência e não com penalidade severa — cadeia imediata, sem direito à fiança e prisão domiciliar, bem como o banimento da vida pública —, continua- remos a assistir à desenvoltura de elementos cri- minosos representando a sociedade no Parlamento e nos governos, saqueando descaradamente o erário. A raiz da corrupção do dinheiro público nas prefeituras está na fragi- lidade dos mecanismos de fiscalização. Os Tribunais de Contas, responsáveis por verificar o uso das verbas públicas, atuam de forma tardia — quando o dinheiro já foi gasto e o prejuízo já está consumado. Essa lógica precisa ser urgentemente revista. É necessário que a fiscalização ocorra de forma preventiva, antes que os recursos cheguem às mãos dos gestores municipais. Uma proposta que merece atenção é a transferência da gestão financeira das prefeituras para os Tribunais de Contas. Esses órgãos, compostos por profissionais técnicos e não eleitos, possuem maior ca- pacidade de controle, transferência e responsabilidade. Os prefeitos continuariam responsáveis pela formulação e execução das políticas pú- blicas, mas sem acesso direto aos recursos, o que reduziria significativa- mente as oportunidades de corrupção. Solução existe para combater a corrupção do dinheiro público nas pre- feituras, basta que se queira mudar o sistema existente de fiscalização. ■ A corrupção política nas prefeituras maranhenses Uma proposta que merece atenção é a transferência da gestão financeira das prefeituras para os Tribunais de Contas. Esses órgãos, compostos por profissionais técnicos e não eleitos, possuem maior capacidade de controle, transferência e responsabilidade. E-mail: juliocmcardoso@hotmail.com Servidor federal aposentado JULIO CARDOSO MARIO EUGENIO

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