Diário do Amapá - 07/01/2026
| OPINIÃO | DIÁRIO DO AMAPÁ QUARTA-FEIRA | 07 DE JANEIRO DE 2026 2 LUIZ MELO Diretor Superintendente ZIULANA MELO Diretora de Jornalismo Circulação simultânea em Macapá, Belém, Brasília e em todos os municípios do Amapá. Os conceitos emitidos em artigos e colunas são de responsabilidade dos seus autores e nem sempre refletem a opinião deste Jornal. Suas publicações são com o propósito de estimular o debate dos problemas amapaenses e do país. O Diário do Amapá busca levantar e fomentar debates que visem a solução dos problemas amapaenses e brasileiros, e também refletir as diversas tendências do pensamento das sociedades nacional e internacional. MÁRLIO MELO Diretor Administrativo DIÁRIODECOMUNICAÇÕES LTDA. C.N.P.J: 02.401.125/0001-59 Administração, Redação e Publicidade Avenida Coriolano Jucá, 456 - Centro CEP 68900-101 Macapá (AP) - Fone: 96-3223-7690 www.diariodoamapa.com.br COMPROMISSOCOMANOTÍCIA S e tem uma coisa que o brasileiro aprendeu com a vida — e não foi na escola, porque lá só tinha giz e falta de giz — é que tudo que vai pro bolso do povo vai devagar. Mas o que vai embora do bolso do povo... vai de jatinho. Agora me aparece o governo dizendo que vai devolver o dinheiro roubado de aposentados e pensionistas. Ah, que beleza! Palmas! Toca a música da vitória, mas bem baixinho, pra não acordar a reali- dade. Estão prometendo devolver o que foi tirado — sorrateiramente, na surdina, no cantinho do contracheque — por entidades de nomes mais suspeitos que agiota de terno branco. Cobranças que ninguém pediu, ninguém autorizou, mas que todo mês estavam lá. Uma taxa aqui, uma contribuição ali, uma “mensalidade associativa obrigatória opcional compulsória”. Tudo feito com o ca- rimbo da legalidade. Claro! Aqui no Brasil, a lei é como carteira de estudante em balada: serve pra quase tudo e quase sempre é falsifi- cada. Por anos, entidades “representativas”, sin- dicatos de fachada e associações de nomes desconhecidos apareciam no contracheque do INSS com siglas obscuras, cobrando mensali- dades que os beneficiários muitas vezes nunca autorizaram conscientemente. E o mais grave: tudo isso acontecia com anuência, ou pelo menos negligência, do próprio sistema público que deveria proteger o segurado. Agora, o governo anuncia que irá devolver esses valores. É um gesto correto, sim, mas não é favor — é reparação mínima diante do estrago moral e financeiro. Por trás de cada centavo roubado havia um remédio que deixou de ser comprado, uma conta que virou dívida, uma comida que não chegou à mesa. E os culpados? Ah, os culpados! Onde estão? Presos? Investigados? Que nada. Estão por aí, provavelmente dando consultoria sobre como descontar dinheiro sem encostar em ninguém. Se fosse o contrário... se o aposentado devesse dois centavos pro INSS, já estava com o CPF cancelado, o nome no Serasa e a alma penhorada. Então me diga, caro leitor: pra que serve o Estado, se nem pra proteger quem já pagou a vida inteira ele serve? O aposentado brasileiro é tipo aquele cliente que já pagou o almoço, mas continua esperando a comida. Devolver parte do que foi tirado é o mínimo. Mas o Brasil precisa de um sistema em que roubar o aposentado não seja tão fácil, tão comum e tão impune. Enquanto isso, a população assiste. Torcendo para que o respeito ao idoso no Brasil não seja só discurso de campanha — mas prática permanente de Estado. ■ O vunerável sistema do INSS Agora, o governo anuncia que irá devolver esses valores. É um gesto correto, sim, mas não é favor — é reparação mínima diante do estrago moral e financeiro. Por trás de cada centavo roubado havia um remédio que deixou de ser comprado, uma conta que virou dívida, uma comida que não chegou à mesa. E-mail: gregogiojsimao@yahoo.com.br Radialista e estudante de Filosofia GREGÓRIOJ.L. SIMÃO O ano de 2020 trouxe inúmeros prejuízos financeiros para grande parte da população e, em2021, a crise sanitária continuou também refletindo prejuízos no bolso dos brasileiros. De acordo com o Serasa, hoje no Brasil, são mais de 62 milhões de inadimplentes, sendo que metade desses estão com a renda inteira comprometida, e esse "superendividamento" acaba fazendo com que as pessoas fiquem com o "nome sujo". Em paralelo, a pesquisa Pnad Contínua, do IBGE, divulgada em abril revelou outro cenário alarmante, mostrando que 14,4 milhões de brasileiros estão desempregados. Ou seja, o cenário econômico e a realidade financeira complicada provou que cuidar das finanças pessoais é essencial para contornar situações imprevisíveis em relação ao dinheiro. No Brasil, conversar sobre dinheiro e ensinar educação financeira para as crianças não é algo comum. O que acontece é que os adultos têmque aprender na prática e, na maioria das vezes, da pior forma possível. Essa escassez de en- sinamentos sobre educação financeira ainda é muito presente e somado a isso está o baixo salário que grande parte da população brasileira recebe. Em comparação com outros países mais desenvolvidos essa diferença salarial é enorme. Se todos os brasileiros que perderam o emprego ou que tiverama redução da renda durante a pandemia tivessemuma reserva de emergência, provavelmente, o número de pessoas passando fome não seria tão grande quanto o que estamos enfrentando. Porém essa realidade ainda é muito distante da maioria da população. Quando falamos de comportamentos e decisões financeiras, estamos ao mesmo tempo falando de ações baseadas não só na parte racional, mas também no emocional de cada um. E todas essas questões que os brasileiros enfrentam levam o nosso incons- ciente a acreditar em crenças limitantes. Como por exemplo, de que nunca será possível ter sua casa própria ou quitar as dívidas, e emcasosmais extremos, até a ideia de que o dinheiro não nos traz felicidade. Esses pensamentos, na grande maioria das vezes, geram aversão a querer saber mais sobre dinheiro e sobre como lidar da melhor maneira com as finanças pessoais. Nós já sabemos que mesmo após a contenção da doença que enfrentamos nesta pandemia, ainda vão restar muitas sequelas financeiras e a recuperação da economia no Brasil pode ser muito lenta. Para reverter essa situação, enxergo que a melhor solução atualmente para os brasileiros é investir em educação financeira de base, para ser ensinada ainda na infância. Vimos alguns avanços em relação a esse tema quando o estudo passou a integrar o currículo escolar como matéria transversal, porém a realidade da educação financeira estar nas casas da população ainda é muito distante. Principalmente neste momento onde grande parte das crianças não estão tendo acesso às aulas, nem emmodelo presencial, nem à distância. Para quem não sabe por onde começar, mas tem interesse por mudar essa realidade e se empoderar sobre suas finanças, aconselho buscar por canais e influenciadores que ensinam gratuitamente sobre o tema. Existem milhares pessoas com esses perfis na internet e até alguns que trabalham conteúdos es- pecíficos para nichos, como os voltados para a população de baixa renda, para mulheres, para quem já conseguiu certa estabilidade e quer começar a investir. Eu acredito que ensinar sobre educação financeira seja um dever também do Estado e podemos comparar com outros países que aplicam essa disciplina o resultado em como as pessoas lidam melhor com as finanças. Porém, enquanto essa realidade é distante, podemos fazer a nossa parte. ■ Educação financeira se prova essencial para superar sequelas econômicas da crise Nós já sabemos que mesmo após a contenção da doença que enfrentamos nesta pandemia, ainda vão restar muitas sequelas financeiras e a recuperação da economia no Brasil pode ser muito lenta. E-mail: gabriela.cardoso@falacriativa.com.br Educadora Financeira da Mobills LARISSA BRIOSO
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