Diário do Amapá - 08/01/2026
| OPINIÃO | DIÁRIO DO AMAPÁ QUINTA-FEIRA | 08 DE JANEIRO DE 2026 2 LUIZ MELO Diretor Superintendente ZIULANA MELO Diretora de Jornalismo Circulação simultânea em Macapá, Belém, Brasília e em todos os municípios do Amapá. Os conceitos emitidos em artigos e colunas são de responsabilidade dos seus autores e nem sempre refletem a opinião deste Jornal. Suas publicações são com o propósito de estimular o debate dos problemas amapaenses e do país. O Diário do Amapá busca levantar e fomentar debates que visem a solução dos problemas amapaenses e brasileiros, e também refletir as diversas tendências do pensamento das sociedades nacional e internacional. MÁRLIO MELO Diretor Administrativo DIÁRIODECOMUNICAÇÕES LTDA. C.N.P.J: 02.401.125/0001-59 Administração, Redação e Publicidade Avenida Coriolano Jucá, 456 - Centro CEP 68900-101 Macapá (AP) - Fone: 96-3223-7690 www.diariodoamapa.com.br COMPROMISSOCOMANOTÍCIA Tecnologista Sênior E-mail: mariosaturno@uol.com.br O site do Fórum Econômico Mundial, aquele que realiza reuniões em Davos entre as nações mais ricas, divulgou um interessante artigo sobre empatia tática e como ela pode ajudar nas negociações no trabalho. Uma negociação é geralmente retratada como uma artimanha em que o vencedor leva tudo, seja fechando um negócio, reivindicando um salário mais alto ou pedindo uma promoção. Para isso, utiliza táticas ao estilo de A Arte da Guerra de Sun Tzu. Há muitos livros fazendo essa analogia, muitos cursos de MBA e livros didáticos ensinando que os ne- gócios são um campo de batalha. Curiosamente, o criador da nova metodologia Chris Voss foi um ne- gociador de reféns do FBI por mais de 24 anos e chefe da divisão inter- nacional por cinco anos, atuando em casos no Iraque, Faixa de Gaza, Fi- lipinas, Colombia eHaiti. Ele tornou-se professor adjundo das Universidadea de McDonough e do Sul da Califórnia. Ainda escreveu o livro "Never Split the Difference: Negotiating As If Your Life Depended On It" com o jornalista Tahl Raz. Há algum tempo, ele treina lideranças para abandonar aquela visão de guerra e encarar as negociações comconfiança e trabalho emequipe, comuma abordagemcolaborativa para o conflito, buscando primeiro entender as motivações da outra parte. SegundoVoss, a empatia tática utiliza conceitos da neurociência para influenciar emoções. Pro- curar demonstrar o quão profundamente se está ouvindo as palavras do outro e o quanto se con- sidera a posição do outro. Uma tática chave, chamada de espelhamento, envolve repetir uma, duas ou três palavras que a outra pessoa disse, com o objetivo de ajudar a construir um relacio- namento. Essa prática simples pode até transformar-se em conversas significativas. É comum assim que um colega compartilha algo sobre si, o outro coloca uma experiência semelhante, é preciso evitar isso e ouvir a experiência alheia, de forma a promover uma compreensão mais profunda de nossos colegas. Em um confronto mais agressivo, o espelha- mento pode ajudar a recuperar o equilíbrio ou ganhar tempo. Enquadrar as palavras da outra pessoa na forma de uma pergunta também faz com que ela experimente termos diferentes, o que ajuda a esclarecer e evitar uma discussão improdutiva. E se ambas as partes forem hábeis em espelhar, não se produzirá um impasse, antes, o espelhamento revela os fatores mais importantes em jogo e o caráter de cada parte. Em algum momento, alguém sairá dessa dinâmica e será objetivo e caminhará para um acordo. E essa tática também funciona quando as partes vêm de culturas di- ferentes. É uma qualidade do ser humano a empatia, querer ser com- preendido e se abrirá quando for ouvido. O desejo de conectar-se e ser compreendido é a camada básica que sustenta tudo. Voss acredita que o tempo inicial investido na construção de confiança de longo prazo sempre valerá a pena. É um acelerador muito sutil, quanto melhor fica o relacionamento, mais acelerada é a linha do tempo de um negócio. E sugere ainda utilizar essa técnica nos relacionamentos pessoais com amigos e até mesmo com os familiares. ■ E se ambas as partes forem hábeis em espelhar, não se produzirá um impasse, antes, o espelhamento revela os fatores mais importantes em jogo e o caráter de cada parte. Em algum momento, alguém sairá dessa dinâmica e será objetivo e caminhará para um acordo. Empatia tática MARIO EUGENIO A Filosofia é essencial para o surgimento de um pensamento crítico, um questionamento saudável capaz de gerar uma discussão sobre diferentes verdades. A atitude filosófica faz parte da vida de todos nós ao debater sobre a existência e, também, sobre o mundo e o universo. É o pensar, livre pensar. Para quem imagina que o filósofo é um utópico: "A Filosofia ensina a agir, não a falar", disse Sêneca há quase 2.000 anos, sábio estoico e um dos mais célebres advogados, escritores e intelectuais do Império Romano. A Filosofia não possui uma determinação de utilidade. E por não possuir tal objetivo, é que se constitui no principal saber da humanidade, algo essencial à evolução. Interessante partir da hipótese de que tudo o que você viveu não existiu, que sua vida foi uma mentira, como no filme "Matrix", da irmãs Lana e Lilly Wachowski. Na trama, os personagens "Morfeu" e "Neo" se encontram em um diálogo assim, no qual o primeiro promete ao outro apenas a verdade, pois até então ele teria vivido em um mundo fictício, fora da realidade e engendrado para que ele jamais percebesse. A ideia não é nova, já havia sido defendida por Platão em "A República", no livro 7º, conhecido como a "Alegoria da Caverna", há centenas de anos antes de Cristo. Por mais que "Matrix" seja uma imaginação científica, nossa história soma velhos padrões deter- minados que, ao longo do tempo, foram superados com a ajuda da Filosofia. Ela abre nossa mente, nos tira do "mais do mesmo", nos liberta de pensar apenas "dentro da caixinha". Para criar possibilidade infinitas, provocar uma ruptura de limites, é preciso filosofar. Para pensar é necessário ter tempo, sem ocupar a mente com preo- cupações do dia a dia como: sobrevivência, família, riscos etc. Esse tempo para refletir está cada vez menor na competitividade do mundo moderno, cada vez mais as pessoas pensam menos. A escravidão do passado, do trabalho sem respeito, hoje está presente na necessidade de alcançar status, ter poder econômico e social. Seguimos acorrentados. Estamos nos tornando seres automatizados, apenas comprometidos com coisas práticas e de resultados imediatos, supostamente vantajosos. Desde a primeira revolução industrial - e não paramos mais, agora es- tamos na 4.0 - não sabemos mais filosofar, refletir, estabelecer novas dimensões de pensamento livre de interesses econômicos. Não há sentido na vida apenas assim. A tecnologia deve ser um agente da felicidade. Criamos uma geração adoecida, e muito além da Covid-19, vítima de estresse, ansiedade, depressão, síndrome do medo e outros males - todos da alma e não f ísicos, mas dando espaço a eles. E tem crescido o número de suicídios, em especial entre os mais jovens que não veem perspectivas futuras de felicidade. Em todo o planeta, as mortes por suicídio chegam a 800.000 por ano, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). É hora de resgatar o quão a Filosofia é importante. Sem o livre pensar, caímos na ignorância, na mediocridade, no obscurantismo, na violência e no desrespeito humano. Passamos a defender ideias preconceituosas, discriminatórias, totalitárias e sem luz. A Filosofia é que abre novas oportunidades, incentiva reflexão e desperta criatividade. Libertar-se do "mais do mesmo" e romper a tampa da "caixinha" é sair da caverna de Platão. É descobrir que não há apenas um pequeno mundo, mas um imenso universo a ser explorado. Ele é seu. Contrariando o que disse Shakespeare, você poderá observar que não há tantos mistérios entre o céu e a terra, porque a Filosofia não é vã e imagina muito além dos limites para construir a felicidade. ■ O livre pensar, garante o livre existir É hora de resgatar o quão a Filosofia é importante. Sem o livre pensar, caímos na ignorância, na mediocridade, no obscurantismo, na violência e no desrespeito humano. Passamos a defender ideias preconceituosas, discriminatórias, totalitárias e sem luz. E-mail: agata@viveiros.com.br Jornalista RICARDOVIVEIROS
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