Diário do Amapá - 16/01/2026

ECONOMIA | ECONOMIA | DIÁRIO DO AMAPÁ 7 SEXTA-FEIRA | 16 DE JANEIRO DE 2026 O Banco Central anunciou nesta quinta-feira (15) a liquidação da antiga Reag Investimentos, hoje CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A, instituição financeira envolvida nas suspeitas de fraudes ligadas ao Banco Master. Com sede em São Paulo, a empresa e seu fundador e ex-CEO, João Carlos Mansur, foram alvo de mandados de busca e apreensão cumpridos pela Polícia Federal (PF) na quarta (14), na segunda fase da Operação Compliance Zero. “A decretação da liquidação extraju- dicial foi motivada por graves violações às normas que regem as atividades das instituições integrantes do SFN”, afirmou o BC, em nota. “O Banco Central conti- nuará tomando todas as medidas cabíveis para apurar as responsabilidades nos termos de suas competências legais”, diz o texto. O BC informou ainda que, com a medida, os bens dos controladores e dos ex-administradores da Reag Investimen- tos devem ficar indisponíveis, isto é, não podem ser alienados pelos donos, medida prevista na legislação para impedir a di- lapidação do patrimônio. O banco disse que “continuará ado- tando todas as medidas cabíveis para apurar as responsabilidades, nos termos de suas competências legais”. O órgão informou ainda que a Reag Investimentos se enquadra como insti- tuição financeira do segmento S4, isto é, representa menos de 0,001% do ativo total ajustado do Sistema Financeiro Na- cional. Devido ao menor risco à estabi- lidade do Sistema Financeiro Nacional (SFN), esse segmento possui regulação mais simplificada e commenos requisitos que aquela aplicada a empresas de maior porte. A Reag atuava sobretudo como ad- ministradora de cerca de 90 fundos de investimentos, cada um concentrando os recursos de diversos investidores. Com a liquidação da empresa, tais fundos seguem existindo, mas precisarão buscar uma nova gestora para os recursos. A instituição é suspeita de administrar fundos fraudulentos ligados ao Banco Master. O esquema funcionaria por meio de uma ciranda financeira de depósitos e retiradas por diversos desses fundos, com o objetivo de ocultar o beneficiário final do dinheiro. Segundo as investigações, as fraudes podem superar os R$ 11 bilhões e en- volvem o desvio de recursos do SFN para abastecer o patrimônio pessoal dos envolvidos, sobretudo de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e parentes. O caso começou a ser investigado sob supervisão da primeira instância da Justiça Federal, mas acabou sendo alçado ao Supremo Tribunal Federal (STF) de- vido a suspeitas ainda não esclarecidas sobre o envolvimento de pessoas com foro privilegiado. O relator do caso é o ministro Dias Toffoli, que autorizou as diligências de quarta-feira (15) que tiveram ex-execu- tivos da Reag e do Master como alvo. O próprio magistrado, contudo, virou alvo de questionamentos por ter viajado em um avião particular com um dos advo- gados que atuam no caso, em dezembro, dias antes de decretar sigilo absoluto sobre o processo. Em paralelo, o Tribunal de Contas da União (TCU) também tem se debru- çado sobre o escândalo, ameaçando rea- lizar uma inspeção sobre os procedi- mentos que levaram o BC a liquidar o Banco Master. ■ BC LIQUIDA REAG LIGADA ÀS SUSPEITAS DE FRAUDE NO BANCO MASTER ALVO V Foto/ Marcello Casal JrAgência Brasil

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