Diário do Amapá - 18 e 19/01/2026

LUIZ MELO Diretor Superintendente ZIULANA MELO Diretora de Jornalismo Circulação simultânea em Macapá, Belém, Brasília e em todos os municípios do Amapá. Os conceitos emitidos em artigos e colunas são de responsabilidade dos seus autores e nem sempre refletem a opinião deste Jornal. Suas publicações são com o propósito de estimular o debate dos problemas amapaenses e do país. O Diário do Amapá busca levantar e fomentar debates que visem a solução dos problemas amapaenses e brasileiros, e também refletir as diversas tendências do pensamento das sociedades nacional e internacional. MÁRLIO MELO Diretor Administrativo DIÁRIODECOMUNICAÇÕES LTDA. C.N.P.J: 02.401.125/0001-59 Administração, Redação e Publicidade Avenida Coriolano Jucá, 456 - Centro CEP 68900-101 Macapá (AP) - Fone: 96-3223-7690 www.diariodoamapa.com.br COMPROMISSOCOMANOTÍCIA |OPINIÃO | DIÁRIO DO AMAPÁ DOMINGO E SEGUNDA-FEIRA | 18 E 19 DE JANEIRO DE 2026 2 “ Não é fácil: pedir desculpa, começar tudo de novo, reconhecer que erramos, ser generosos, aceitar um sorriso de desprezo, ser perseverantes nas dificuldades, aprender com os erros, perdoar e esquecer as ofensas, refletir e agir corajosamente, usar ao máximo os dons de Deus, aceitar uma repreensão não merecida, dominar um temperamento agressivo, corrigir uma língua maliciosa, colocar-se à disposição da comunidade, defender a vida. Não, não é fácil.” No 3º Domingo do Tempo Comum, o evangelho de Marcos nos apresenta o início daquela que chamamos de “vida pública” de Jesus. Quase nada sabemos a respeito dos mais ou menos trinta anos anteriores. Agora, depois que João Batista foi preso, Jesus começa a falar e agir. Ele tem um anúncio para dar e uma missão a cumprir. As duas coisas, se assim podemos chamar, aparentemente tão diferentes, de fato acontecem juntas. Jesus anuncia a chegada, o início ou, melhor ainda, a presença do Reino de Deus e lança o convite à conversão, ou seja, à adesão comprometida a este Reino. Esse “anúncio”, como todas as notícias, boas ou não, é feito através de palavras, porém o Reino de Deus é um acontecimento. Com Jesus, no falar e no agir dele, o Reino se torna visível, pode-se encontrar, já está acontecendo. A “boa notícia” de Jesus não é simplesmente uma palavra nova, uma manchete, é uma pessoa – ele mesmo - que começa a fazer acon- tecer uma presença diferente, inédita, de Deus na história humana. A acolhida do Reino coincide, por- tanto, com a adesão à mensagem e à pessoa de Jesus. Por isso, ele chama discípulos a segui-lo, não sim- plesmente a compreender e a gostar dos seus ensi- namentos, mas os chama para estar com ele, vivendo assim, no dia a dia, o evento do Reino de Deus. A “conversão” ao Evangelho do Reino pede uma mudança de vida, um deixar “redes e barcos”. Jesus chama aqueles primeiros a uma missão: serão enviados para serem “pescadores de homens” (Mc 1,17), não mais de peixes. É sempre animador ver a resposta imediata de Simão, André, Tiago e João, os primeiros quatro. Foi fácil? Aparentemente sim, mas, de fato, os evangelhos não escondem as dúvidas, os mal-entendidos, os medos e a covardia dos apóstolos, sobretudo na hora da cruz: “Então, abandonando-o, todos fugiram” (Mc 14,50). Seguir Jesus, aceitar entrar na dinâmica do Reino não é nada fácil. No entanto, não é para desanimar, ao contrário, saber que um caminho é dif ícil e desafiador deve nos estimular à resistência, à perseverança, à fidelidade. Não estamos sozinhos nessa empreitada, estamos com Jesus, com o Espírito Santo, com a Comunidade dos fiéis, com os santos e as santas, os mártires, todos aqueles que nos prece- deram no seguimento do Senhor. Precisamos lembrar tudo isso para não desistir e desanimar com as quedas e as derrotas. Nunca Jesus disse que ser amigo dele seria fácil. Falou de perseguições e cruzes. Além disso, ele nos ensinou, através das parábolas, que o Reino cresce aos poucos e muitas vezes precisa procurar bem para chegar a encontrá-lo. Igualmente Jesus disse que o Reino é oferecido a todos, mas nem todos o acolhem. Por isso, às vezes, temos a impressão de sermos muitos, outras vezes devemos reconhecer que somos bem poucos. Se para seguir Jesus, esperamos que “todos” o façam, não sabemos quando e como isso acontecerá. Perderíamos a chance de decidir com a nossa liberdade, vontade e responsabilidade. E o amor, entra nisso também? Nós cristãos temos medo, como todos os seres humanos, de errar, de ser enganados, de não ser felizes por causa das nossas escolhas. Não é fácil arriscar. “Mestre, trabalhamos a noite inteira e nada apa- nhamos, mas, por tua palavra, lançarei as redes” (Lc 5,5), disse certa vez Simão Pedro a Jesus e a pesca foi extraordinária. Todo dia, todos nós tomamos decisões, falamos muito, somos fascinados e nos encantamos por coisas e pessoas. Por que tanto medo de nos envolver com Jesus, com o Reino de Deus, a justiça, a verdade, o amor e a paz? Não é fácil escolher o bem. Mas por que tanta desconfiança? Jesus continua a nos chamar. Vamos responder? ■ DOMPEDROCONTI E-mail: oscarfilho.ap@bol.com.br Bispo de Macapá Nunca Jesus disse que ser amigo dele seria fácil. Falou de perseguições e cruzes. Além disso, ele nos ensinou, através das parábolas, que o Reino cresce aos poucos e muitas vezes precisa procurar bem para chegar a encontrá-lo. Não é fácil U ma criança luta entre a vida e a morte. Não consegue nem mais chorar, somente os seus olhos estão estarrecidos, levantando as mãozinhas para o alto. Essa imagem triste e desoladora é a realidade de uma humanidade que vive em constante perigo. Às vezes, temos essa consciência, mas na maioria das vezes somos inconscientes. Não é somente a covid-19, mas inúmeras situações de perigo que en- frentamos diariamente. A partir de uma situação pessoal à comunitária, da própria cidade ao próprio país, das nações ao planeta inteiro, estamos em constante perigo de vida. Lembro-me de um jovem que me disse alguns anos atrás: “De noite, deitado na cama, eu fico olhando o teto do quarto e, no entanto, a com- panheira dorme tranquilamente!” Uma perfeita imagem de maneira diferente para enfrentar a realidade. Tem gente que se desespera, entra em pânico e tem outra que não está nem aí, ou não se importa com nada. A nossa humanidade está dividida ao enfrentar a história. E essa divisão gera sempre mais se- parações. Com isto, é evidente que enfraquece a convivência humana, levando-a a contraposições de desconfiança, de inimizade, de hostilidades e ódios. Essa situação leva os povos a se enfraquecerem e a não terem a capacidade de se unir para com- bater tudo aquilo que ameaça a vida da huma- nidade. Então, eu me pergunto: “Se a gente não consegue discernir as pessoas como irmãos, que tem o mesmo percurso histórico de vida, como podemos nos unir para caminhar juntos e en- frentar juntos o que a vida nos reserva?” A ver- dadeira pandemia é também essa calamidade de vivermos como inimigos, separados na cons- trução da vida. Não sabemos ir além dos nossos pontos de vista para compreender a realidade. Aliás, fazemos dessa maneira de compreensão unívoca o absoluto e, portanto, não conseguimos mais ver os outros pontos de vista das outras pessoas. Fazemos das nossas ideologias algo de absoluto, totalitário, fechando assim as portas das convivências fraternas. Creio que para superar tudo isso precisamos partir mais que das ideias das pessoas. São elas que nos interpelam para construir uma humanidade que saiba enfrentar juntos as ameaças da vida. Saber derrotar as pandemias faz parte da vida da humanidade. É bom reafirmar: temos uma certeza, as pandemias, as ameaças, chegarão mais ainda, porém, o problema é derrotá-las. Como? Isto depende de nós. Se sabemos discernir as realidades a partir das pessoas e não das ideias. Devemos ser mais realistas para discernir a vida dos outros. Não podemos viver despreocupados, viver no sono da vida, e tanto menos traumatizar a nossa conduta de vida, a nossa convivência. É a sabedoria de andarmos juntos que podemos ter a capacidade de sairmos esperançosos e vitoriosos de vida. E essa caminhada fraterna se constrói na humildade e no serviço, despojados de qualquer desejo am- bicioso de títulos e de poder. Precisamos ter a capacidade de nos revestir de São Francisco para re- forçar a nossa condição de servidores. Nem com sono nem traumatizados: continuar a nossa vida. ■ CLAUDIOPIGHIN E-mail: clpighin@claudio-pighin.net Sacerdote e doutor em teologia. É bom reafirmar: temos uma certeza, as pandemias, as ameaças, chegarão mais ainda, porém, o problema é derrotá-las. Como? Isto depende de nós. Se sabemos discernir as realidades a partir das pessoas e não das ideias. Devemos ser mais realistas para discernir a vida dos outros. A vida que tentamos preservar

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