Diário do Amapá - 20/01/2026

FALECOM0COMERCIAL E-mail: comercial.da@bol.com.br site: www.diariodoamapa.com twitter: @diariodoamapa Instagram: @diariodoamapa ECONOMIA | ECONOMIA | DIÁRIO DO AMAPÁ 7 TERÇA-FEIRA | 20 DE JANEIRO DE 2026 O Fundo Monetário Internacional (FMI) reduziu a projeção de cres- cimento da economia brasileira em 2026, em um movimento que con- trasta com a revisão para cima do de- sempenho da economia global. Segundo o organismo, o principal fator por trás do corte é a manutenção de uma política monetária restritiva no país, adotada para conter a inflação. De acordo com a atualização do re- latório Perspectiva Econômica Global, divulgada nesta segunda-feira (19), o Brasil foi um dos poucos grandes países a registrar revisão negativa nas estimativas para 2026. Brasil: principais números revisados pelo FMI 2026: crescimento de 1,6%, queda de 0,3 ponto percentual em relação à projeção anterior (1,9%); 2025: projeção elevada de 2,4% para 2,5%; 2027: estimativa aumentada de 2,2% para 2,3%. As estimativas anteriores foram di- vulgadas em outubro. Segundo o FMI, o desempenho mais fraco em 2026 reflete os efeitos defasados do aperto monetário. A taxa básica de juros (Selic) está em 15% ao ano, o maior nível em quase duas décadas, e vem sendo mantida nesse nível desde agosto de 2025. “As perspectivas mais fracas para o Brasil estão ligadas, principalmente, à política monetária restritiva adotada para conter a inflação elevada no ano passado”, explica o Fundo. Apesar da leve melhora esperada para 2025 e 2027, o FMI avalia que o país ainda sente os impactos dos juros elevados, o que limita a expansão da ati- vidade econômica no curto prazo. Inteligência artificial Enquanto o Brasil teve sua projeção reduzida, o cenário global foi revisado para cima, sustentado principalmente pelo avanço dos investimentos em tec- nologia e inteligência artificial (IA). Crescimento global em 2026: 3,3%, alta de 0,2 ponto percentual 2025: também 3,3%, alta de 0,1 ponto percentual 2027: 3,2%, sem alteração O economista-chefe do FMI, Pier- re-Olivier Gourinchas, destacou a resi- liência da economia mundial, mesmo após as tensões comerciais e tarifárias registradas em 2025. “A economia global está se livrando dos distúrbios comerciais e tarifários e se saindo melhor do que esperávamos”, disse. América Latina O desempenho brasileiro também ficou abaixo da média regional. Para a América Latina e o Caribe, o FMI projeta crescimento de 2,2% em 2026 e 2,7% em 2027, acima do ritmo esperado para o Brasil. Já as economias emergentes e em desenvolvimento devem crescer 4,2% em 2026, reforçando o caráter isolado da revisão negativa brasileira no relató- rio. Alerta Apesar do otimismo global, o FMI alerta que o crescimento mundial está concentrado em poucos países e setores, sobretudo os ligados à inteligência arti- ficial. Caso as expectativas de ganhos de produtividade não se confirmem, o fundo avalia que pode haver correções nos mercados financeiros. Para o Brasil, a avaliação é de cautela. Mesmo com sinais de melhora nos pró- ximos anos, o custo elevado do crédito segue como o principal freio ao cresci- mento econômico, segundo o FMI. ■ FMI REDUZ PARA 1,6% PREVISÃO DE CRESCIMENTO DO BRASIL EM 2026 DESACELERAÇÃO V Foto/ Reuters/ Johannes P. Christo

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