Diário do Amapá - 21/01/2026
| OPINIÃO | DIÁRIO DO AMAPÁ QUARTA-FEIRA | 21 DE JANEIRO DE 2026 2 LUIZ MELO Diretor Superintendente ZIULANA MELO Diretora de Jornalismo Circulação simultânea em Macapá, Belém, Brasília e em todos os municípios do Amapá. Os conceitos emitidos em artigos e colunas são de responsabilidade dos seus autores e nem sempre refletem a opinião deste Jornal. Suas publicações são com o propósito de estimular o debate dos problemas amapaenses e do país. O Diário do Amapá busca levantar e fomentar debates que visem a solução dos problemas amapaenses e brasileiros, e também refletir as diversas tendências do pensamento das sociedades nacional e internacional. MÁRLIO MELO Diretor Administrativo DIÁRIODECOMUNICAÇÕES LTDA. C.N.P.J: 02.401.125/0001-59 Administração, Redação e Publicidade Avenida Coriolano Jucá, 456 - Centro CEP 68900-101 Macapá (AP) - Fone: 96-3223-7690 www.diariodoamapa.com.br COMPROMISSOCOMANOTÍCIA O s sinais estão aí, piscando em vermelho, mas muita gente ainda finge que é apenas uma lâmpada queimada. O sistema financeiro brasileiro entrou numa fase desconfortável, daquelas que não apa- recem em propaganda de banco nem em comercial com gente sorrindo no celular. As instituições tradicionais estão acuadas. Fecham postos, fecham agências, pedem socorro e, quando a conta não fecha, pedem aporte. Muito aporte. Enquanto isso, os bancos por aplicativo avançam como um exército si- lencioso. Não têm prédio, não têm gerente conhecido pelo nome, não oferecem cafezinho nem calendário de fim de ano. Oferecem algo muito mais valioso nos dias de hoje: menos custo, menos burocracia e mais velo- cidade. O cliente migra. O caixa esvazia. A agência vira despesa. A Caixa já fechou portas em muitas localidades. O Banco do Brasil também. O discurso oficial fala em modernização, mas o subtexto é simples: manter agência custa caro e cliente f ísico virou exceção. Omesmo roteiro se repete no varejo. Magazine Luiza, Ame- ricanas e outras gigantes enxugam a máquina, cortam funcionários e encerram operações depois de perderem espaço para o mundo digital. Não é estratégia. É sobrevivência. Agora, o foco do burburinho econômico atende por três letras: BRB. O Banco Regional de Brasília, que durante anos navegou com a bandeira do crédito público e da proximidade com o poder, aparece nos bastidores com a corda esticada. Bancou times de futebol e vôlei, torneios e vários eventos culturais. Fala-se em insuficiência patri- monial, um termo técnico que na prática significa que o banco perdeu mais do que podia perder. O patrimônio não cobre os riscos assumidos. E quando isso acontece, o relógio começa a correr contra. Nos corredores, comenta-se que a situação se agravou depois de aventuras mal calculadas e ten- tativas de crescimento que custaram caro. O de- sempenho recente do banco não ajuda. Quem acompanha os números vê um tombo prolongado, uma erosão lenta que não se resolve com discurso otimista. Omercado percebe. Os investidores per- cebem. O Banco Central percebe. E quando o Banco Central percebe, ninguém dorme tranquilo. Oficialmente, o jogo de empurra continua. O governo federal diz que não interfere. O controlador local tenta ganhar tempo. Mas, nos bastidores, o telefone toca. Gestoras são acionadas. Captação emergencial vira palavra do dia. Setecentos milhões aqui, bilhões ali. Dinheiro público ou privado, pouco importa. O que importa é manter a porta aberta amanhã. O problema vai além de um banco regional. Um banco público fragilizado não é apenas um problema contábil. Ele mexe com a confiança do sistema, pressiona governos, contamina fundos de pensão e obriga o regulador a agir. O efeito dominó é real, mesmo quando negado em notas oficiais. Enquanto isso, o cliente comum segue com o aplicativo aberto no celular, fazendo Pix, investimentos e empréstimos sem saber que, do outro lado, o velho sistema bancário range. O dinheiro saiu do balcão, foi para a nuvem e deixou para trás prédios vazios, funcionários apreensivos e insti- tuições que ainda não entenderam que o mundo mudou mais rápido do que seus balanços. No Brasil, quando o sistema financeiro começa a pedir socorro em silêncio, o barulho costuma vir depois. E sempre chega caro. ■ O problema vai além de um banco regional. Um banco público fragilizado não é apenas um problema contábil. Ele mexe com a confiança do sistema, pressiona governos, contamina fundos de pensão e obriga o regulador a agir. O efeito dominó é real, mesmo quando negado em notas oficiais. Depois do Master e Reag os olhos se voltam ao BRB E-mail: gregogiojsimao@yahoo.com.br Radialista e estudante de Filosofia GREGÓRIOJ.L. SIMÃO C omo dizem minhas filhas, “moro onde muita gente tira férias”. Uma mora em Nice, na França, e outra em Lisboa. É um privilégio poder ver o mar para praticamente qualquer lado que eu olhe, aqui na Ilha Capital, mas meus olhos míopes se revitalizam, se iluminam com a visão de matas mesclando o verde com o vermelho, com o arvoredo todo pintado de cores que vão desde o branco até o vinho, no litoral do norte de Santa Catarina e por outros tantos Estados como Paraná e São Paulo. Tenho uma relação de amor e dor com o jacatirão. Quando perdi minha primeira filha, há bastante tempo, fazia poucos anos que eu tinha descoberto essa árvore grande e generosa, que se cobre de flores no final da primavera e fica esbanjando beleza até o final do verão, e me tornado admirador e propagador da sua beleza. Então, quando estávamos indo sepultar minha menina, um raio de luz e cor conseguiu atravessar a névoa de dor que cobria meus olhos e eu vi as primeiras flores de jacatirão daquela temporada, numa árvore ao lado do cemitério. Aí nasceu um pequeno/grande poema: pequeno no tamanho, mas grande no significado: “A primeira flor / de jacatirão / da primavera, / em outubro, / tem um nome: / saudade...” A relação que temos, eu e o jacatirão, na verdade não é só de amor e dor, mas também de cumplici- dade. Porque acho que ele veio me consolar numa hora em que eu precisava muito de luz para mostrar o caminho, mostrar o chão para seguir em frente, mostrar que havia esperança. Que a vida segue e que o tempo cura quase tudo, que a saudade vai se tornando companheira e a dor vai diminuindo, embora volte, às vezes, um pouquinho mais forte. Que a perda ensina a gente a valorizar mais o que se tem, ensina a amar mais e melhor a vida e nossos entes queridos. Então gosto de falar do jacatirão, de todos os tipos de jacatirão: daquele nativo, que floresce no meio da mata, no verão, no nordeste da nossa Santa e bela Catarina, autêntica árvore de Natal, se enfeitando para o 25 de dezembro e a virada do ano – em meados do verão ele floresce no Paraná, São Paulo e pelo Brasil afora; do jacatirão também chamado de quaresmeira, que floresce mais ao sul de Santa Catarina, no Rio Grande do Sul e também por quase todo o país, na época da Páscoa, com suas flores menores mas mais coloridas. E o do ja- catirão de jardim, que chamam de manacá-da- serra e floresce no inverno. Sem contar o jacatirão roxo e outras variedades menos votadas, que eu chamo de parentes do jacatirão. Gosto de falar dele, também para esclarecer o que diz o verbete corres- pondente a ele no dicionário Aurélio, que o descreve como uma árvore com “flores insignificantes”. Penso que a alusão é uma opinião que evidencia desconhecimento. Você, leitor de qualquer parte do Brasil, que não sabe o que é o jacatirão, preste atenção se um dia viajar aqui para o sul ou para o sudeste: do final de outubro até fevereiro, em vários pontos da BR 101 e outras rodovias, você poderá ver as manchas vermelhas nas matas que ladeiam as estradas. É ele, o jacatirão nativo enfeitando nossos caminhos, lembrando-nos que o mundo é bonito e que podemos, sim, ser felizes, se quisermos. Ele estará sempre por aí, arauto da Mãe Natureza, tributo à renovação, à vida. É im- possível se furtar a ele, admirar a sua beleza, agradecer ao Universo por poder ver tamanho espetáculo. Esta virada de ano foi ainda mais bonita, pois o manacá-da-serra, o jacatirão de inverno, também esteve e está florido, comemorando com o jacatirão nativo, matriz, a chegada de um Menino Divino e a chegada de um ano novo que será bom, se deixarmos, se seguirmos o exemplo dos jacatirões. ■ Gosto de falar dele, também para esclarecer o que diz o verbete correspondente a ele no dicionário Aurélio, que o descreve como uma árvore com “flores insignificantes”. Penso que a alusão é uma opinião que evidencia desconhecimento. Jacatirão, a flor do Brasil E-mail: lcaescritor@gmail.com Presidente do Grupo Literário A ILHA/SC LUIZCARLOSAMORIM
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