Diário do Amapá - 21/01/2026

FALECOM0COMERCIAL E-mail: comercial.da@bol.com.br site: www.diariodoamapa.com twitter: @diariodoamapa Instagram: @diariodoamapa ECONOMIA | ECONOMIA | DIÁRIO DO AMAPÁ 7 QUARTA-FEIRA | 21 DE JANEIRO DE 2026 O Brasil vendeu ao exterior, em 2025, 40,04 milhões de sacas de 60 quilos (kg) de café, uma queda de 20,8% em relação a 2024. No entanto, a receita da exportação do produto no ano passado bateu recorde: US$ 15,586 bilhões, um aumento de 24,1% na com- paração com o ano anterior. Os dados, divulgados nesta segunda-feira (19), são do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé). A receita das vendas ao exterior re- gistrada em 2025 é a maior desde 1990, quando a Cecafé iniciou o levantamento. As exportações brasileiras tiveram como destino 121 países. De acordo com o presidente do Ce- café, Márcio Ferreira, o recorde é resultado do aumento do valor do produto em 2025 e de investimentos do setor em qualidade. “Tivemos médias mensais de preço maiores em 2025 e nossos cafeicultores, bem organizados, mantêm seus investi- mentos em tecnologia, inovação e quali- dade, o que eleva o patamar dos cafés do Brasil e, consequentemente, o seu valor. Não à toa, somos a única origem do mundo que consegue exportar para mais de 120 países, respondendo por mais de um terço do market share global”, disse. Tarifaço De acordo com Ferreira, a diminuição no número de sacas exportadas já era aguardada em 2025 em razão do clima e dos embarques recordes registrados um ano antes, o que reduziu os estoques. “Exportamos um volume histórico em 2024, reduzindo o montante de café ar- mazenado no país, e a safra do ano pas- sado foi impactada pelo clima, combinação que culminou na limitação da disponi- bilidade do produto”, explicou. Também influenciaram o resultado, segundo ele, as tarifas de 50% impostas pelos Estados Unidos sobre o produto brasileiro. “Nos quase quatro meses de vigência do tarifaço sobre todos os tipos de café do Brasil, entre o começo de agosto e o fim de novembro – vale lembrar que o solúvel ainda segue taxado –, nossos em- barques aos norte-americanos despen- caram 55%, majoritariamente afetados por essas taxas”, destacou. Principais destinos Com a aquisição de 5,4 milhões de sacas, a Alemanha assumiu a liderança entre os maiores importadores dos cafés do Brasil no ano passado, apesar de o volume implicar queda de 28,8% das ven- das ao país, na comparação com 2024. Esse montante representou 13,5% de todos os embarques brasileiros do produto em 2025. Os Estados Unidos, usualmente líderes dessa classificação, desceram à segunda posição no ano passado, como reflexo do declínio observado no período de vi- gência do tarifaço. Os estadunidenses importaram 5,3 milhões de sacas em 2025 – 13,4% do total, com queda de 33,9% frente aos 12 meses de 2024. Tipos de café Nos 12 meses do ano passado, o café arábica foi a espécie mais exportada pelo Brasil, com32,3milhões de sacas vendidas ao exterior. Esse volume equivale a 80,7% do total. A espécie canéfora (conilon e robusta) vem na sequência, com o embarque de 3,9 milhões de sacas (10% do total), se- guida pelo setor de café solúvel, com 3,6 milhões de sacas (9,2%), e pelo segmento de café torrado e torrado e moído, com 58.474 sacas (0,1%). ■ EXPORTAÇÃO DE CAFÉ DO BRASIL CAI EM 2025, MAS BATE RECORDE EM RECEITA CECAFÉ V Foto/ Marcello Casal jr/Agência Brasil O faturamento real da indústria de transformação voltou a crescer em novembro de 2025, mas o mercado de trabalho do setor segue em desaceleração. Dados dos Indicadores Industriais, divulgados nesta se- gunda-feira (19) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), mostram que o emprego industrial caiu pelo terceiro mês consecutivo, mesmo com a recuperação pontual da atividade. Segundo a CNI, a perda de ritmo do emprego se in- tensificou a partir de setembro, refletindo os efeitos do aperto monetário e do enfraquecimento gradual da ati- vidade industrial ao longo do segundo semestre. Principais números da indústria em novembro: Faturamento real: alta de 1,2% em relação a outubro; Emprego industrial: queda de 0,2%, terceira retração consecutiva; Emprego desde setembro: recuo acumulado de 0,6%; Emprego no ano: alta de 1,7% entre janeiro e novembro de 2025. De acordo comMarcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI, o emprego reagiu à melhora da ati- vidade iniciada em 2023 e que teve seu auge em 2024, mas começou a perder força com o aumento da taxa Selic, iniciado ainda no ano passado. “Somente após meses de resultados mais fracos da atividade industrial, o emprego passou a ser afetado”, explica Azevedo, ressaltando que demissões e recontra- tações são custosas para a indústria, que depende de mão de obra qualificada. Mercado de trabalho: alívio pontual, ano negativo Outros indicadores ligados ao mercado de trabalho tiveram melhora em novembro, após uma sequência de resultados negativos, mas seguem acumulando perdas no ano. Massa salarial real: Alta de 1,5% em novembro, após quatro quedas se- guidas; Queda de 2,3% no acumulado do ano. Rendimento médio real: Aumento de 1,6% no mês; Recuo de 4% de janeiro a novembro. Perda de fôlego Apesar do crescimento do faturamento em novembro, a atividade industrial segue mostrando sinais de desace- leração no acumulado do ano. ■ CNI Faturamento da indústria sobe, mas emprego cai pelo terceiro mês ●

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