Diário do Amapá - 22/01/2026

| OPINIÃO | DIÁRIO DO AMAPÁ QUINTA-FEIRA | 22 DE JANEIRO DE 2026 2 LUIZ MELO Diretor Superintendente ZIULANA MELO Diretora de Jornalismo Circulação simultânea em Macapá, Belém, Brasília e em todos os municípios do Amapá. Os conceitos emitidos em artigos e colunas são de responsabilidade dos seus autores e nem sempre refletem a opinião deste Jornal. Suas publicações são com o propósito de estimular o debate dos problemas amapaenses e do país. O Diário do Amapá busca levantar e fomentar debates que visem a solução dos problemas amapaenses e brasileiros, e também refletir as diversas tendências do pensamento das sociedades nacional e internacional. MÁRLIO MELO Diretor Administrativo DIÁRIODECOMUNICAÇÕES LTDA. C.N.P.J: 02.401.125/0001-59 Administração, Redação e Publicidade Avenida Coriolano Jucá, 456 - Centro CEP 68900-101 Macapá (AP) - Fone: 96-3223-7690 www.diariodoamapa.com.br COMPROMISSOCOMANOTÍCIA H á algo profundamente errado quando a mais alta Corte do país passa a conviver com suspeitas que fariam corar qualquer delegacia de bairro. Não se trata de fofoca, nem de intriga política. Trata-se de fatos publicados pela imprensa, que pedem resposta e não silêncio. Reportagem do Metrópoles revelou que o Resort Tayayá, localizado em Ribeirão Claro, no Paraná, empreendimento ligado à família do ministro Dias Toffoli, abriga um cassino com máquinas eletrônicas de apostas e mesas de jogos valendo dinheiro, incluindo blackjack, modalidade proibida no Brasil. Caça-níqueis, ainda que com outro nome, continuam sendo caça-níqueis. Na cidade, o hotel é conhecido sem rodeios como o “resort do Toffoli”. Funcionários tratam o ministro como proprietário, ministros do Supremo já se hospe- daram ali, festas privadas foram realizadas com pompa, artistas, celebridades e até inauguração simbólica da área de jogos. Tudo isso enquanto o nome do ministro aparece, direta ou indireta- mente, em processos sensíveis envolvendo bancos e grandes grupos econômicos que também orbi- tam o empreendimento. Não é papel do jornalismo condenar. Mas é, sim, papel do jornalismo questionar. E as perguntas são inevitáveis. Se o Brasil proíbe cassinos, como funciona um cassino em um resort associado à família de um ministro do STF? Se um magistrado deve ser exemplo de lega- lidade, como levar a sério a toga quando paira sobre ela a sombra da contravenção? E, sobretudo: de onde veio o dinheiro para erguer um resort desse porte? Quando um ministro do Supremo se vê en- volvido em denúncias dessa gravidade, a atitude republicana não é se esconder atrás do cargo. É exatamente o oposto. Afastar-se temporariamente, permitir que os fatos sejam investigados com independência e transparência, e prestar esclarecimentos à socie- dade. O silêncio, neste caso, não protege a instituição — corrói. A complacência não fortalece a Justiça — desmoraliza. O Supremo Tribunal Federal não é um clube privado, nem uma confraria blindada. É um pilar da democracia. E pilares só se sustentam quando não têm rachaduras escondidas sob o tapete. Se tudo for legal, que se prove. Se não for, que se pague o preço. Porque quando a Justiça parece jogar em mesa viciada, quem perde é sempre o cidadão. ■ O Supremo Tribunal Federal não é um clube privado, nem uma confraria blindada. É um pilar da democracia. E pilares só se sustentam quando não têm rachaduras escondidas sob o tapete. Se tudo for legal, que se prove. Se não for, que se pague o preço. A toga de Dias Toffoli perdendo peso E-mail: gregogiojsimao@yahoo.com.br Radialista e estudante de Filosofia GREGÓRIOJ.L. SIMÃO O site do Fórum Econômico Mundial, aquele que realiza reuniões em Davos entre as nações mais ricas, divulgou um interessante artigo sobre empatia tática e como ela pode ajudar nas negociações no trabalho. Uma negociação é geralmente retratada como uma artimanha em que o vencedor leva tudo, seja fechando um negócio, reivindicando um salário mais alto ou pedindo uma promoção. Para isso, utiliza táticas ao estilo de A Arte da Guerra de Sun Tzu. Há muitos livros fazendo essa analogia, muitos cursos de MBA e livros didáticos ensinando que os ne- gócios são um campo de batalha. Curiosamente, o criador da nova metodologia Chris Voss foi um ne- gociador de reféns do FBI por mais de 24 anos e chefe da divisão inter- nacional por cinco anos, atuando em casos no Iraque, Faixa de Gaza, Fi- lipinas, Colombia eHaiti. Ele tornou-se professor adjundo das Universidadea de McDonough e do Sul da Califórnia. Ainda escreveu o livro "Never Split the Difference: Negotiating As If Your Life Depended On It" com o jornalista Tahl Raz. Há algum tempo, ele treina lideranças para abandonar aquela visão de guerra e encarar as negociações comconfiança e trabalho emequipe, comuma abordagemcolaborativa para o conflito, buscando primeiro entender as motivações da outra parte. SegundoVoss, a empatia tática utiliza conceitos da neurociência para influenciar emoções. Pro- curar demonstrar o quão profundamente se está ouvindo as palavras do outro e o quanto se con- sidera a posição do outro. Uma tática chave, chamada de espelhamento, envolve repetir uma, duas ou três palavras que a outra pessoa disse, com o objetivo de ajudar a construir um relacio- namento. Essa prática simples pode até transformar-se em conversas significativas. É comum assim que um colega compartilha algo sobre si, o outro coloca uma experiência semelhante, é preciso evitar isso e ouvir a experiência alheia, de forma a promover uma compreensão mais profunda de nossos colegas. Em um confronto mais agressivo, o espelha- mento pode ajudar a recuperar o equilíbrio ou ganhar tempo. Enquadrar as palavras da outra pessoa na forma de uma pergunta também faz com que ela experimente termos diferentes, o que ajuda a esclarecer e evitar uma discussão improdutiva. E se ambas as partes forem hábeis em espelhar, não se produzirá um impasse, antes, o espelhamento revela os fatores mais importantes em jogo e o caráter de cada parte. Em algum momento, alguém sairá dessa dinâmica e será objetivo e caminhará para um acordo. E essa tática também funciona quando as partes vêm de culturas di- ferentes. É uma qualidade do ser humano a empatia, querer ser com- preendido e se abrirá quando for ouvido. O desejo de conectar-se e ser compreendido é a camada básica que sustenta tudo. Voss acredita que o tempo inicial investido na construção de confiança de longo prazo sempre valerá a pena. É um acelerador muito sutil, quanto melhor fica o relacionamento, mais acelerada é a linha do tempo de um negócio. E sugere ainda utilizar essa técnica nos relacionamentos pessoais com amigos e até mesmo com os familiares. ■ E se ambas as partes forem hábeis em espelhar, não se produzirá um impasse, antes, o espelhamento revela os fatores mais importantes em jogo e o caráter de cada parte. Em algum momento, alguém sairá dessa dinâmica e será objetivo e caminhará para um acordo. Empatia tática Tecnologista Sênior E-mail: mariosaturno@uol.com.br MARIO EUGENIO

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