Diário do Amapá - 24/01/2026

| OPINIÃO | DIÁRIO DO AMAPÁ SÁBADO | 24 DE JANEIRO DE 2026 2 LUIZ MELO Diretor Superintendente ZIULANA MELO Diretora de Jornalismo Circulação simultânea em Macapá, Belém, Brasília e em todos os municípios do Amapá. Os conceitos emitidos em artigos e colunas são de responsabilidade dos seus autores e nem sempre refletem a opinião deste Jornal. Suas publicações são com o propósito de estimular o debate dos problemas amapaenses e do país. O Diário do Amapá busca levantar e fomentar debates que visem a solução dos problemas amapaenses e brasileiros, e também refletir as diversas tendências do pensamento das sociedades nacional e internacional. MÁRLIO MELO Diretor Administrativo DIÁRIODECOMUNICAÇÕES LTDA. C.N.P.J: 02.401.125/0001-59 Administração, Redação e Publicidade Avenida Coriolano Jucá, 456 - Centro CEP 68900-101 Macapá (AP) - Fone: 96-3084-2216 www.diariodoamapa.com.br COMPROMISSOCOMANOTÍCIA A s últimas aparições e discursos do presidente da República vêm pro- vocando uma nova onda de empresários, instituições e figuras públicas em defesa da democracia e do sistema eleitoral no Brasil. As falas recentes de Jair Bolsonaro são de recrudescimento aos ataques as urnas eletrônicas, ao sistema de apuração de votos e também aos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), o que indica uma ruptura entre os Poderes nos próximos meses, que serão os mais importantes para o futuro da nação. Em seu discurso na oficialização de sua candidatura a reeleição pelo Partido Liberal (PL), Bolsonaro, ao convocar seus seguidores para irem às ruas no dia 7 de setembro, disse: “Estes poucos surdos de capa preta têm que entender o que é a voz do povo. Têm que entender que quem faz as leis é o poder Executivo e o poder Legislativo. Todos têm que jogar dentro das quatro linhas da Constituição. Interessa para todos nós. Não queremos o Brasil dominado por outra potência. O que nós queremos é paz e tranquilidade, respeito à Consti- tuição”, completou o presidente. Ou seja, deixando claro que o tom de ataques aos ministros do Su- premo, que também compõem o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), serão um dos principais pontos de sua campanha e de suas manifestações populares. E neste cenário de tensão institucional, setores sensíveis da sociedade estão a observar os riscos concretos de ataque à democracia. Alguns movi- mentos estão surgindo após as sistemáticas ameaças ao sistema eleitoral e a preservação da democracia. O grande temor das entidades, dos juristas, dos empresários e das instituições é que esse discurso do presidente da República inflame seus seguidores para um possível golpe contra os resultados da eleições no final deste ano e também de futuros casos de violência e ameaças contra membros de outros Poderes. Os movimentos pregam o Estado de Demo- crático de Direito. É justo que Bolsonaro tenha suas convicções e seja contrário a algumas decisões dos tribunais superiores e da Justiça Eleitoral. É justo que Bolsonaro tenha dúvidas sobre o sistema eleitoral brasileiro, mas isso não lhe dá a carta branca para ataca-lo sem provas materiais robustas sobre as supostas fraudes e falhas. O próprio Bolsonaro foi eleito de forma demo- crática em 2018, com as mesmas urnas que hoje ele ataca. Assim, como seus adversários respeitaram há quatro anos atrás, chegou o momento do presidente respeitar a decisão do povo que será gerada através do voto. Está chegando um momento em que esses ataques em sequência estão ficando intoleráveis e passam a incitar uma violência descontrolada, além da ruptura da ordem constitucional, que são a base da democracia no país. Vale destacar também que, como candidato oficial a um novo mandato, Bolsonaro poderá responder pelos seus atos e falas e poderá ser punido por um novo ataque, por exemplo, contra às urnas eletrônicas. Assim, o presidente fica sujeito a multas, perda de tempo de TV e até, em último caso, à cassação do registro de sua candidatura. Casos de abuso do poder econômico, abuso do poder de autoridade e utilização indevida dos meios de comunicação social cometidos durante sua campanha podem ser alvos de ações e investigações que podem culminar no fim de seu caminho para a reeleição. Vamos aguardar as cenas dos próximos capítulos e torcer que a manifestação do dia 7 de setembro não descambe para uma escalada des- controlada de violência. ■ Sociedade civil e a defesa da democracia Está chegando um momento em que esses ataques em sequência estão ficando intoleráveis e passam a incitar uma violência descontrolada, além da ruptura da ordem constitucional, que são a base da democracia no país. MARCELOAITH E-mail: juridico@libris.com.br Advogado E m 1.988, Luiza Erundina estava em terceiro lugar, não havia se- gundo turno na época, ela atraiu o voto dos que votariam em candidatos que estavam atrás dela para evitar que Maluf e Leiva ganhassem. Essa foi a primeira vez no Brasil que as pesquisas deram ao eleitor a opção de escolher aquela que não votariam, mas consideravam uma opção menos ruim, foi o Efeito Erundina. A primeira pesquisa, feita a 15 dias da eleição, divulgada em 1 de novembro de 1988, mostrava Paulo Maluf com 26%, João Leiva com 20%, Luiza Erundina com 12%, José Serra com 10% e João Mellão com 6%; a segunda pesquisa, divulgada na véspera, 14 de novembro, mostrava Paulo Maluf com 26%, Luiza Erundina com 20%, João Leiva com 16%, José Serra com 9% e João Mellão com 7%. Erundina foi eleita! Ao que parece, eleições polarizadas tendem a esse efeito, como observamos em diversas situações na eleição do último dia 2 de outubro. Há outros problemas, como já coloquei em artigos anteriores o problema das amostras, pois temos um censo muito desatualizado e que certamente induz algum erro na montagem das amostras. E como os institutos de pesquisa não conseguem estimar esse tipo de erro, não se sabe a precisão real das pesquisas. Talvez um conceito de "derating" devesse ser aplicado a pesquisas. Outra questão que fica como sugestão para os institutos de pesquisa: os institutos de pes- quisa do Brasil têm que fazer o mesmo que os dos EUA, ou seja, perguntar se o eleitor pretende votar. Para ter 3 a 5%, estimam entrevistar mil pessoas, como cerca de metade não vota, en- trevistam o dobro e perguntam primeiro se o eleitor irá votar. Como vimos, no Brasil, cerca de 20% dos entrevistados não foram votar, dessa forma, introduz um erro maior que os 2% calculados e da confiança de 95%, já que foram tratados como se fossem votar. Dessa forma, precisamos aumentar a amostra em 20% e perguntar se irão votar. Talvez esteja na hora de utilizar Inteligência Artificial e isso possa melhorar a detecção desses movimentos que vimos acontecer. E não esqueçamos o Efeito Erundina, da migração de votos. O Brasil tem 156,5 milhões de eleitores aptos a votar, porém, com- pareceram 123,7 milhões de eleitores e desses, votaram nulo ou branco, 5,4 milhões, reduzindo a 118,2 milhões de votos válidos ou 75,6% do total. Ou seja, um em cada quatro eleitores preferiram não participar da escolha de presidente, são mais de 38 milhões de pessoas, é muita gente. Tudo bem que parte esteja doente ou morto. Lula teve mais de 57 milhões de eleitores e Bolsonaro, 51 milhões. Faltou a Lula apenas 1,86 milhão de eleitores para ganhar no primeiro turno, o que é impressionante, considerando que Lula foi retirado in- justamente da disputa em 2.018, sendo condenado por um juiz que não tinha a autoridade para julgá-lo (incompetente, no palavreado jurídico) e, pior dos mundos, esse juiz tornou-se ministro do candidato que ele favoreceu. Um problema grave de Ética, conforme todo fun- cionário federal aprende no curso obrigatório de Fundamentos de In- tegridade Pública. ■ Efeito Erundina Talvez esteja na hora de utilizar Inteligência Artificial e isso possa melhorar a detecção desses movimentos que vimos acontecer. E não esqueçamos o Efeito Erundina, da migração de votos. E-mail: mariosaturno@uol.com.br Tecnologista Sêniordo INPE MARIO EUGENIO

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