Diário do Amapá - 25 e 26/01/2026

"TRUMP QUER CRIAR NOVA ONU", DIZ LULA SOBRE CONSELHO DE PAZ O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta sexta-feira (23) que a política mundial atravessa ummomento crítico, “com o multilate- ralismo sendo jogado fora pelo unilate- ralismo”. Durante o encerramento do 14º Encontro Nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), em Salvador, Lula disse que a carta da Organização das Nações Unidas (ONU) está sendo rasgada e criticou a proposta do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de criação de um Conselho de Paz. Para o presidente brasileiro, Trump quer criar uma nova ONU para ser o dono. O presidente dos Estados Unidos convidou Lula para compor conselho da Paz, que será criado para supervi- sionar o trabalho de umComitê Nacional para a Administração de Gaza (NCAG, na sigla em inglês). Lula disse ainda que está telefonando para vários líderes mundiais para discutir o tema, entre eles o presidente da China, Xi Jinping; da Rússia, Vladimir Putin; o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi; e a presidenta do México, Claudia Sheinbaum. “Estou conversando para fazer com que seja possível a gente encontrar uma forma de se reunir e não permitir que o multilateralismo seja jogado para o chão e que predomine a força da arma, da intolerância de qualquer país do mundo”, pontuou. O presidente voltou a criticar a ação dos Estados Unidos na Venezuela, que resultou no sequestro do presidente Ni- colás Maduro e da deputada e primei- ra-dama, deputada Cilia Flores. “Eu fico toda a noite indignado com o que aconteceu na Venezuela. Não consigo acreditar. O Maduro sabia que tinha 15 mil soldados americanos no mar do Caribe, ele sabia que todo dia tinha ameaça. Os caras entraram na Venezuela, entraram no forte e levaram o Maduro embora e ninguém soube que o Maduro foi embora. Como é pos- sível a falta de respeito à integridade territorial de um país? Não existe isso na América no Sul. A América do sul é um território de paz, a gente não tem bomba atômica”, disse. Citando os Estados Unidos, Cuba, a Rússia e a China, como exemplos, Lula disse ainda que o Brasil não tem prefe- rência de relação com qualquer país, mas que não vai aceitar “voltar a ser colônia para alguém mandar na gente”. O presidente também criticou a pos- tura de Trump, que, segundo ele, toda vez que aparece na televisão se gaba de ter o exército e as armas mais poderosas do mundo. Lula disse querer fazer polí- tica na paz, no diálogo e não aceitando imposição de qualquer país. “Eu não quero fazer guerra armada com os Estados Unidos, não quero fazer guerra armada com a Rússia, nem com o Uruguai, nem com a Bolívia. Quero fazer guerra com o poder do convenci- mento, com argumento, com narrativas, mostrando que a democracia é imbatível; que a gente não quer se impor aos outros, mas compartilhar aquilo que a gente tem de bom”, defendeu. “Não que- remos mais Guerra Fria, não queremos mais Gaza”, completou. ■ POLÍTICA MUNDIAL Presidente participou do encerramento do encontro do MST em Salvador POLÍTICA |POLÍTICA | DIÁRIO DO AMAPÁ DOMINGO E SEGUNDA-FEIRA | 25 E 26 DE JANEIRO DE 2026 FALECOMAREDAÇÃO E-mail: diario-ap@uol.com.br site: www.diariodoamapa.com twitter: @diariodoamapa Instagram: @diariodoamapa 10 V Foto/ RicardoStuckert/PR S erá que Donald Trump realmente está querendo acabar com a OTAN ou ape- nas deseja barganhar para obter vanta- gens econômicas no caso da Groenlândia? Sim porque uma hora ele ameaça invadir a Groenlândia e em outro momento ele manifesta desejo em comprar todo o seu território. De- pois, após o frigir dos ovos, acaba fazendo acordo, do seu ponto de vista, “um marco para um futuro acordo”, sobre a cobiçada ilha. Os detalhes deste tão propalado acordo, ainda permanecem, desconhecidos! O que se sabe, no momento, é que Trump retirou as ameaças militares de invadir a Groenlândia, assim como as tarifárias, contra todos os países que se opunham ao seu absurdo plano de dominação total da ilha. O grande problema do presidente ameri- cano, para o mundo livre, reside no simples fato dele sempre extrapolar todos os limites da autoridade que lhe compete. Ele tenta, a todo custo, ampliar as tempes- tades de seu raio de ação, em outros países, para ver no que dá! Dessa forma, cria celeumas, interpretações diversas, para depois colher os resultados da pressão. E o Primeiro Ministro do Canadá, Mark Carney, acabou deixando o “xerife” americano irritado. Em seu pronunciamento, Carney deu a en- tender que a velha ordemmundial, estabelecida após a Segunda Guerra Mundial, corre o risco de acabar. Na sua avaliação a situação geopo- lítica atual está tentando criar um novo cenário de governança criado pelas grandes potências. São exatamente elas, Estados Unidos da Amé- rica, leia-se Donald Trump, a Rússia de Putin e a China, por exemplo, que pressionam cada vez mais os sistemas e processos estabelecidos após a Segunda Guerra Mundial. O que isso quer dizer? O primeiro ministro canadense, Mark Car- ney, esclarece de forma suscinta a questão: “As grandes potências agora usam a inte- gração econômica como arma, as tarifas como forma de pressão, a infraestrutura financeira como coerção e as cadeias de suprimentos como vulnerabilidades a serem exploradas”. Agora Trump insiste no argumento de que a Groenlândia é “estratégica” para a segurança dos EUA e da Otan contra China e Rússia. Especulações dão conta de que que até disco voador tem por lá, fato que requer com- provação científica! Enquanto isso, o Ártico derrete, o aqueci- mento global não é levado à sério e as super- potências disputam espaços e vantagens es- tratégicas na região. ■ E-mail: grandearquitetoap@hotmail.com WELLINGTONSILVA Jornalista e Historiador Trump, imperador ou negociador da Groenlândia?

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