Diário do Amapá - 31/01/2026

| OPINIÃO | DIÁRIO DO AMAPÁ SÁBADO | 31 DE JANEIRO DE 2026 2 LUIZ MELO Diretor Superintendente ZIULANA MELO Diretora de Jornalismo Circulação simultânea em Macapá, Belém, Brasília e em todos os municípios do Amapá. Os conceitos emitidos em artigos e colunas são de responsabilidade dos seus autores e nem sempre refletem a opinião deste Jornal. Suas publicações são com o propósito de estimular o debate dos problemas amapaenses e do país. O Diário do Amapá busca levantar e fomentar debates que visem a solução dos problemas amapaenses e brasileiros, e também refletir as diversas tendências do pensamento das sociedades nacional e internacional. MÁRLIO MELO Diretor Administrativo DIÁRIODECOMUNICAÇÕES LTDA. C.N.P.J: 02.401.125/0001-59 Administração, Redação e Publicidade Avenida Coriolano Jucá, 456 - Centro CEP 68900-101 Macapá (AP) - Fone: 96-3084-2216 www.diariodoamapa.com.br COMPROMISSOCOMANOTÍCIA Professor, fundador do PT e da CUT O debate sobre o fim da escala 6x1 no Brasil costuma ser atropelado por uma "política do medo". De um lado, setores da direita e extre- ma-direita argumentam que a mudança geraria desemprego em massa e colapso econômico. Do outro, a realidade global e os dados de saúde pública sugerem que manter o modelo atual é, na verdade, o que está custando caro ao país. E há o eloquente exemplo que vem de fora. Enquanto o fantasma da crise é agitado por aqui, nações europeias muito desenvolvidas, como Alemanha, Bélgica e Irlanda já testam ou implementaram modelos de jornada reduzida com resultados surpreendentes. O caso da Irlanda é emblemático. Longe de quebrar, as empresas que participaram dos testes viram: * Aumento de 37,55% nas receitas, desafiando a lógica de que "menos horas trabalhadas significam menos lucro"; * Retenção de talentos: queda drástica no número de demissões voluntá- rias; * Saúde ocupacional: redução significativa nos pedidos de afastamento por doença; E há o drama silencioso da saúde mental no Brasil. Não podemos falar de economia ignorando o capital humano. Em 2025, o Brasil registrou a cifra impressionante de mais de 546 mil afastamentos por transtornos mentais. Este número não é apenas uma estatística de saúde, é um prejuízo bilionário para a previdência e para a produtividade das em- presas. A exaustão f ísica e mental — o já conhecido “burnout” — está intrinsecamente ligada a escalas que privam o trabalhador do convívio familiar, do lazer e até da gestão de necessidades básicas, como ir ao médico ou resolver pendências bancárias e cuidar de assuntos vitais. Por que a mudança é boa para todos? Ainda que combatida com argumentos ridículos pelas forças do atraso e por adversários mentirosos, a lógica é simples: 1. Para a empresa: funcionários descansados cometemmenos erros, são mais criativos, produzem exponencialmente mais e faltam menos; 2. Para o trabalhador: qualidade de vida significa tempo para ser pai, mãe, estudante e cidadão. Tro- cando em miúdos: viver melhor, com saúde e feli- cidade; 3. Para o Estado: menos pressão sobre o sistema de saúde pública e maior circulação de renda no setor de serviços e lazer durante os dias de folga. Um ganho extraordinário para o Brasil! Um ponto crucial, destacado por estudos do Grupo Transforma (UNI- CAMP), é o impacto desproporcional da escala 6x1 sobre as mulheres. Ao somar a exaustão da escala seis por um com o acúmulo das tarefas domésticas e de cuidado, o sistema atual impõe uma carga de trabalho quase insustentável ao as às brasileiras. O estudo tem conclusão categórica: “O Brasil está pronto para trabalhar menos". Defender o fim da escala 6x1 não é uma pauta radical. É uma pauta de modernização. O governo do Estadista Lula tem forte compromisso com a implantação da jornada que irá melhorar a vida de nossa imensa classe trabalhadora e modernizar a vigorosa economia brasileira. Sigamos em frente! Não existe prosperidade econômica real que se sustente sobre o esgotamento humano, exigindo o sofrimento f ísico e mental das pessoas. O mundo já entendeu que o tempo é o ativo mais precioso do século XXI. Resta saber se o Brasil terá a coragem de evoluir ou se continuará preso a um modelo de produtividade do século passado. ■ Assim como é uma urgência regulamentar a carga horária dos professores e professoras, garantindo, no mínimo, 20 horas/aula em sala de aula e 20 horas/aula para atendimentos dos alunos, pais, elaboração de aulas e provas, correção de provas, preenchimento do vários sistemas, estudos e etc. FIMDAJORNADADE TRABALHO 6 x 1: por que a redução da jornada é o próximo passo para o Brasil DELÚBIO SOARES A diplomacia, em sua essência, deve ser um campo de mediadores e defensores da paz, da soberania e dos direitos humanos. No entanto, o comportamento do governo brasileiro nas últimas crises internacionais tem suscitado ques- tionamentos sobre a consistência de suas posições. A expressão "dois pesos e duas medidas", que se refere à aplicação de critérios diferentes em situações semelhantes, parece descrever perfeitamente a postura do Brasil ao criticar a invasão militar dos EUA na Venezuela, o que culminou com a prisão do ditador venezuelano Nicolás Maduro, enquanto se cala diante da violação do território ucraniano pela Rússia e do massacre em curso no Irã. Nos últimos anos, o governo brasileiro tem se manifestado firmemente contra a intervenção militar dos EUA em diversos países, destacando a importância da soberania nacional. Essa crítica alcançou um ápice com a prisão de Maduro, argu- mentando que a Venezuela deveria ser respeitada como uma nação soberana. En- tretanto, essa mesma lógica não se aplica de maneira consistente em outras situações, como a invasão da Rússia à Ucrânia. ARússia desrespeitou flagrantemente a soberania da Ucrânia, desencadeando uma guerra que tem resultado emmilhares de mortes e deslocamentos. A reação do governo brasi- leiro, no entanto, foi tímida e cautelosa, com uma falta de condenação clara às ações russas. Essa omissão não apenas contradiz a defesa da soberania das nações, mas também levanta questões sobre a verdadeira motivação por trás da diplomacia brasileira. Outra questão desconcertante, foi a nota do Itamarati acerca do massacre que vem ocorrendo no Irã, na qual a diplomacia brasileira disse que “compete somente ao povo iraniano decidir sobre o seu futuro”. O governo iraniano tem reprimido violentamente as manifestações populares, o que gerou protestos massivos contra um regime opressor. A brutalidade do regime e o massacre de civis não foram objeto de uma condenação clara e firme por parte do Brasil, pelo contrário optou pelo si- lêncio, revelando uma seletividade nas questões de direitos humanos que não pode ser ignorada. Esse con- traste entre a defesa da soberania da Venezuela e o silêncio em relação à invasão da Ucrânia, ou ainda a re- pressão no Irã é um exemplo claro da aplicação de "dois pesos e duas medidas". Essa expressão se torna um símbolo da hipocrisia na diplomacia brasileira, que parece priorizar a retórica em vez de um compromisso genuíno com os direitos humanos. A hipocrisia se torna evidente quando o Brasil critica ações que não se alinham com seus interesses políticos, enquanto ignora aquelas que comprometema dignidade humana em outras partes do mundo. Essa conduta não é apenas uma questão de inconsistência, mas também de credibilidade. OBrasil se posiciona como umdefensor dos direitos humanos, mas suas ações contradizem esse discurso. A falta de uma posição firme em relação ao massacre no Irã e à invasão russa à Ucrânia coloca em dúvida sua disposição para defender princípios univer- sais. A sociedade civil, composta por organizações de direitos humanos e ativistas, não hesitam em criticar essa postura. Manifestações e campanhas têm exigido uma política externa mais coerente e ética. O clamor popular por justiça e por um Brasil que se posicione claramente contra todas as formas de opressão é um reflexo da indignação com a hipocrisia da diplomacia. As redes sociais amplificam essa voz, fazendo com que a pressão sobre o governo seja ainda mais intensa. A falta de coerência na política externa brasileira é preocupante. O Brasil deve defender a soberania de todas as nações, mas isso deve ser acompanhado por um compromisso firme com os direitos humanos. A expressão "dois pesos e duas medidas" não é apenas uma crítica ao compor- tamento da diplomacia brasileira, mas um chamado à ação. O Brasil deve se esforçar para ser consistente na defesa dos direitos humanos e da soberania, inde- pendentemente de interesses políticos ou econômicos. A história está observando, e a responsabilidade de agir de maneira ética e coerente recai sobre o governo. A diplomacia deve ser um farol de esperança e justiça, não uma arena de contradições e silêncios seletivos. ■ A diplomacia não pode ser uma ferramenta de conveniência, onde os interesses econômicos ou políticos determinam a resposta do governo diante de crises. O futuro da diplomacia brasileira depende de sua capacidade de se a$rmar como um ator global responsável, que se posiciona de maneira $rme e ética em relação a todas as violações de direitos humanos. Dois pesos e duas medidas: Diplomacia do Brasil em crise E-mail: drrodrigolimajunior@gmail.com . Teólogo, pedagogo e advogado RODRIGO LIMA JUNIOR

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