Diário do Amapá - 31/01/2026
A RÁDIO O JORNAL AGORA WEBTV Luiz Melo |OPINIÃO | DIÁRIO DO AMAPÁ SÁBADO | 31 DE JANEIRO DE 2026 FALECOMOLUIZMELO E-mail: luizmello.da@uol.com.br Blog: www.luiz melo.blog.br Twitter: @luizmelodiario Instagram: @luizmelodiario© 2018 3 FROM RAPIDINHAS MARATONANDO - Depois de convocar aprovados nos concursos da Sefaz, Polícia Científica e oficiais do CBM-AP, governador Clécio Luís anunciou nesta sexta-feira, dia 30, convocação de mais 30 aprovados no concurso de oficiais da PM-AP. ■ NÚMEROS - Estado do Amapá chegou a 8.029 novos empregos com carteira assinada no saldo acumulado de 2025, resultado de 54.072 admissões e 46.043 desligamentos ao longo dos 12 meses. Dados são do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged). ■ ANÁLISE - “Os três candidatos do PSD são bons, mas Tarcísio teria mais chance de ganhar”, diz Kassab. Ainda assim, ex-prefeito de São Paulo considera que Tarcísio está certo na escolha de apoiar senador Flávio Bolsonaro como candidato à Presidência. ■ Adesão maciça Foi estrondoso e impactante, sem dúvida, ato de filiação do governador Clécio no União Brasil - na noite desta sexta, 30, na quadra da Igreja Jesus de Nazaré. Desafio Justiça seja feita: Porto do Povo de Santana é entregue com a cara e o espírito do senador Randolfe, que além de disponibilizar emenda para obra lá esteve vendo andamento do serviço quase todo santo dia, sem exagero. A meta do União Brasil/AP é clara: eleger o governador em outubro, alcançar 14 das 16 prefeituras e se consolidar como a maior legenda do Amapá - alvo nem tão difícil de ser atingido, se em conta o movimento grandioso desta sexta, 30. Apoio a Paulo Lemos a partir do casal Ithiara/Richard Madureira - nomes de confiança e influência no governo Clécio -, vai além de 2026. Nos bastidores, o movimento já projeta 2028, com Lemos, em retribuição, cedendo ombro amigo a uma eventual candidatura de Ithiara à Prefeitura de Santana. Será? Novo Porto de Santana foi entregue nesta sexta, 30, com grande participação popular, apresentações culturais e presença de autoridades estaduais e federais, reforçando o caráter simbólico da obra para o município. Programação Para governador Clécio Luís, Santana sempre foi porta de entrada do Amapá pelo rio, mas não tinha um terminal digno para idosos, mães, gestantes e famílias. “Agora tem”, pontuou, resumindo. Vocação Calendário das Eleições 2026 já está traçado e impõe série de etapas decisivas até o grande dia. Em 4 de outubro, eleitores voltarão às urnas para escolher presidente da República, governadores, senadores, deputados federais e deputados estaduais. Eventual 2º turno, restrito aos cargos do Executivo, ocorrerá em 25 de outubro, encerrando disputa. Arrancada “União é o Amapá!”: slogan que coloriu faixas, bandeiras e bandeirolas no evento de filiação de Clécio, nesta sexta 30. Fazendo a força… Capiberibe segue lacônico sobre volta à cena política, mas com próximos garantindo que aquele silêncio esconde um desejo danado de disputar uma das vagas para o Senado. Ele tem até as convenções de agosto para confirmar ou descartar, e sendo do PSB, possível candidatura certamente terá apoio do PR Lula, segundo aliados. Pensando… Nova e moderna Escola Goiás, no Coração, inaugurada nesta sexta, 30, mudou de cara por obra de recurso conseguido pela Professora Goreth, no tempo em que ela foi deputada federal. Ajuda Paipai Pitaluga, da Agência Amapá, representou estado em Fórum Econômico no Panamá, onde falou de nosso potencial logístico, energético e portuário, diante de plateia internacional com presença do presidente Lula. Emissário O eleitor brasileiro é um personagem trágico. Vota com fervor, discute com paixão e es- quece com uma eficiência comovente. Es- tamos outra vez às portas de uma eleição e o espe- táculo se repete como uma farsa mal ensaiada. O país inteiro fala de política enquanto ignora, sole- nemente, quem de fato manda nela. Dizem que cerca de vinte ministros do atual go- verno se preparam para disputar cargos no Con- gresso. Senado, Câmara, alguns sonhando mais alto com governos estaduais. O detalhe é que poucos são conhecidos. Não por acaso. Passaram pelo poder como quem passa por um elevador es- pelhado, sem deixar rosto, sem deixar nome, sem deixar lembrança. Exercem cargos de Estado como se fossem figurantes de novela das seis. Os presidentes da Câmara e do Senado seguem no mesmo anonimato constrangedor. Controlam o ritmo do país, travam ou liberam projetos, negociam crises, mas continuam invisíveis para a maioria da população. É o milagre brasileiro da irrelevância poderosa. Mandam muito, aparecem pouco, e exa- tamente por isso sobrevivem. Conhecido mesmo é quem grita. Quem aparece. Quem escandaliza. Não importa se é um desastre moral ou político. O eleitor reconhece o rosto que aparece na tela, não o trabalho que acontece no plenário. A lógica é simples e perversa. Quem se esconde governa. Quem aparece se elege. Minas Gerais é um retrato fiel dessa ópera bufa. Eduardo Cunha, condenado e preso, tudo aquilo que a moral pública jura repudiar, deve ser eleito semmaiores constrangimentos. Aécio Neves, depois de um longo período escondido, quase vivendo em regime de silêncio monástico, reapareceu apenas o suficiente para receber mais de cem mil votos. Não discursou, não explicou, não se defendeu. Foi votado como quem reencontra um velho vício. Agora o silêncio estratégico é de André Janones. Sumido da mídia, discreto como nunca, evitando holofotes como quem evita doença contagiosa. Tudo indica que será reeleito sem dificuldade. No Brasil, o esquecimento não é punição. É estratégia. E há ainda o turismo eleitoral, essa arte refinada da esperteza política. Carlos Bolsonaro abandona a Câmara Municipal do Rio de Janeiro para disputar o Senado por Santa Catarina. Uma mudança de endereço, uma mala ideológica e pronto. O eleitor aceita. Não estranha. Não pergunta. Deve ser eleito. O domicílio eleitoral virou figurino, troca-se con- forme o papel do próximo ato. Nelson Rodrigues diria que o brasileiro sofre de uma doença incurável chamada esperança mal in- formada. Vota sem saber, reelege sem lembrar e depois se indigna com a naturalidade de quem foi traído por alguém que nunca conheceu. OCongresso se renova mantendo tudo igual, e o eleitor, fiel à própria amnésia, segue acreditando que desta vez será diferente. Afinal, esquecer sempre foi mais confortável do que lembrar. ■ Eleitor brasileiro não conhece seus representantes no Congresso E-mail: gregogiojsimao@yahoo.com.br Jornalista/Radialista/Filósofo GREGÓRIOJOSÉ
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