Diário do Amapá - 31/01/2026
FALECOM0COMERCIAL E-mail: comercial.da@bol.com.br site: www.diariodoamapa.com twitter: @diariodoamapa Instagram: @diariodoamapa ECONOMIA | ECONOMIA | DIÁRIO DO AMAPÁ 7 SÁBADO | 31 DE JANEIRO DE 2026 A alta do preço do café nos últimos anos acabou fazendo com que o consumo do produto no mercado brasileiro caísse no ano passado. Segundo os dados divulgados nesta quinta-feira (29) pela Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), o consumo da bebida caiu 2,31% entre os meses de novembro de 2024 e outubro de 2025 em comparação com o mesmo período anterior, passando de 21,9 milhões de sacas de 60 kg em 2024 para 21,4 milhões no ano passado. O recorde foi obtido em2017, quando o con- sumo interno chegou a atingir 22 milhões de sacas. Quanto aos preços, a alta foi de 5,8% para o consumidor, resultadoda volatilidade dos anos anteriores. Nos últimos cinco anos, informou a Abic, a matéria-prima aumentou 201%na espécie conilon e 212% na arábica. Já no varejo, o café aumentou 116%. Segundo Pavel Cardoso, presidente da Abic, o aumento de preços em 2025 é re- sultado dos problemas enfrentados nos úl- timos anos de safras ruins, devido ao clima, e baixos estoques. “Desde 2021 houve um descasamento nessa cadeia global de oferta e demanda. Em2021 tivemos problemas climáticos su- cessivos, trazendo frustrações com o ta- manho da safra”, explicou em entrevista na tarde desta quinta-feira, na capital paulis- ta. Apesar dessa queda no consumo, Pavel encara como positivo o resultado obtido no ano passado. “Nós tivemos essa escalada de preços da matéria-prima desde 2021 e o consumo brasileiro seguiu bememtodos esses anos, demonstrando de forma ine- quívoca o quão resiliente é o café para o brasileiro. O brasileiro não abre mão do café”. Ainda segundo Pavel, “mesmo com essa leve redução de 2,31%, nós reportamos isso como uma notícia positiva, haja vista esse histórico dos últimos cinco anos, onde enfrentamos aumentos impressionantes, acima de 200% para a matéria-prima e acima de 116% para o consumo”. Mesmo com essa queda, o Brasil se mantém na segunda posição de país mais consumidor de café nomundo, atrás apenas dos Estados Unidos. E quando se considera o consumo per capita, o Brasil supera os Estados Unidos, com cada brasileiro con- sumindo, em média, 1,4 mil xícaras de café por ano. Expectativas Aqueda no consumo interno brasileiro não significou perdas para o faturamento da indústria, que cresceu 25,6% em 2025, somandoR$ 46,24 bilhões. Segundo aAbic, esse crescimento no faturamento foi re- sultado principalmente do aumento do preço do café nas gôndolas. Para este ano de 2026, a expectativa da Abic é de que não haverá uma queda sig- nificativanopreçodocafé,mas umambiente mais estável em função da entrada de uma safra que deve ser muito boa. O preço do produto ao consumidor só deverá começar a cair daqui a duas safras, já que os estoques ainda estão baixos em todo o mundo. En- quanto isso não ocorre, a Abic aposta em promoções para atrair o consumidor. “Os estoques globais nos países pro- dutores para os consumidores são histori- camente baixos. Então, quando essa safra chegar [com expectativa de boa florada], se ela der realmente o número que se espera e comalgumconforto, teremosme- nor volatilidade [nos preços]”, avalia Pavel. “A nossa leitura é que, ainda que haja um arrefecimento de volatilidade, não temos grandes espaços para reduções subs- tanciais [no preço do produto] porque os estoques estão historicamente baixos. O entendimento de alguns operadores de mercado é de que precisaremos de pelo menos duas safras para a gente ter essa re- dução [de preço] numa proporção mais confortável para o consumidor”, disse. ■ PREÇOS ALTOS DERRUBAM CONSUMO DE CAFÉ NO BRASIL EM 2025 QUEDA V Foto/ Marcelo Camargo/Agência Brasil
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