Diário do Amapá - 01 e 02/02/2026

LUIZ MELO Diretor Superintendente ZIULANA MELO Diretora de Jornalismo Circulação simultânea em Macapá, Belém, Brasília e em todos os municípios do Amapá. Os conceitos emitidos em artigos e colunas são de responsabilidade dos seus autores e nem sempre refletem a opinião deste Jornal. Suas publicações são com o propósito de estimular o debate dos problemas amapaenses e do país. O Diário do Amapá busca levantar e fomentar debates que visem a solução dos problemas amapaenses e brasileiros, e também refletir as diversas tendências do pensamento das sociedades nacional e internacional. MÁRLIO MELO Diretor Administrativo DIÁRIODECOMUNICAÇÕES LTDA. C.N.P.J: 02.401.125/0001-59 Administração, Redação e Publicidade Avenida Coriolano Jucá, 456 - Centro CEP 68900-101 Macapá (AP) - Fone: 96-3084-2216 www.diariodoamapa.com.br COMPROMISSOCOMANOTÍCIA |OPINIÃO | DIÁRIO DO AMAPÁ DOMINGO E SEGUNDA-FEIRA | 01 E 02 DE FEVEREIRO DE 2026 2 “ “Um homem possuído pelo demônio chegou, certo dia, em Scete onde moravam alguns santos eremitas. Por muito tempo, não ficou bom. Um dia, porém, um dos anciãos, movido de compaixão, fez um sinal da cruz nele e o curou. O demônio, enfurecido, disse ao ancião: - Tu me expulsas dele, e eu vou morar contigo. – Vem! - Respondeu o ancião. E passou doze anos vigiando o demônio e hu- milhando-o. Todo dia comia somente doze caroços de tâmara. Depois disso, o de- mônio o abandonou e fugiu. O ancião, vendo o demônio ir embora, disse-lhe: - Por que foges? Fica ainda. O demônio respondeu: - Só Deus tem poder sobre ti.” Neste 4º Domingo do Tempo Comum, continuamos a leitura do evangelho de Marcos. Jesus, estando em Cafarnaum, entrou na sinagoga e começou a ensinar. O evangelista nada relata das palavras do Mestre. Simplesmente nos diz, duas vezes, que algo diferente dos ensinamentos dos mestres da Lei estava acontecendo: Jesus “ensinava como quem tem autoridade” (Mc 1,22 e 27). Com efeito, a palavra de Jesus tinha força e ao intimar o espírito mau a deixar o homem por ele possuído este sarou de vez. Os presentes ficaram es- pantados e começaram a se perguntar uns aos outros o que era aquilo. Fica claro que a mensagem central do evangelho deste domingo não é a expulsão do espírito mau da- quele homem, como poderíamos pensar, mas o ensi- namento de Jesus, a sua palavra que cura e liberta. De onde vem a autoridade de Jesus? Eis algumas jus- tificativas: Jesus não fica só ensinando para os outros fazerem o que ele explica, mas ele por primeiro con- firma as suas palavras com a seu modo de agir. Ele tem autoridade, porque pratica o que ensina. Também, diferentemente dos mestres da Lei, ele fala em nome próprio, consciente da originalidade da própria missão. Para simplificar, podemos dizer que o evangelho de Marcos é o evangelho dos “catecúmenos”, ou seja, daqueles adultos que, no início e até nos primeiros séculos da Igreja, chegavam aos poucos ao conheci- mento de Jesus e pediam o batismo como mudança radical da própria vida. Para conseguir fazer isso, os catecúmenos deviam confiar plenamente na palavra de Jesus. Eles deviam seguir alguém que aceitavam como luz iluminadora para as escolhas mais impor- tantes para o resto de suas vidas. Quem queria e quer ser cristão, ainda hoje, só pode ser discípulo do único Mestre Jesus, como ele mesmo disse: “Quanto a vós, não vos fazeis chamar de ‘rabi’, pois um só é vosso Mestre e todos vós sois irmãos”(Mt 23,8). Desde sempre, a humanidade busca responder a algumas perguntas fundamentais: qual é o sentido da vida? Quem somos? De onde viemos? Para aonde vamos? Por que amar? Por que o sofrimento e a morte? Quando consegue fazer isso com humildade, reconhece que não possui a solução; somente alguém que está acima de nós, pode nos ajudar. No entanto, hoje, de maneira especial, muitos se consideram “mestres” de si mesmos. Alguns desistem de buscar as respostas por achar isso perda de tempo, fora de moda, por não dar nenhum lucro. Outros, em nome da própria autonomia – ou individualismo que seja - fascinados pelas novidades, jogam no esquecimento antigas sabedorias ou as práticas religiosas recebidas dos seus pais. Nem nós, fiéis da Igreja, estamos livres disso. Parece mais fácil e atual ter por “mestre” um líder carismático famoso, um frade ungido, um teólogo ferrenho defensor da doutrina do que buscar na Palavra do Senhor a luz necessária nos ca- minhos da vida. Paramos de nos confrontar com os irmãos da comunidade, de escutar o que os pastores das nossas paróquias procuram nos transmitir, todo do- mingo, e acabamos confiando na autoridade de quem temmilhares de seguidores que nunca chegaremos a conhecer. Engano fácil do espírito mau da fama. Ilusão de uma fé que imaginamos ser possível praticar, com orações e bençãos, na frente de um monitor ou pelo celular. Os irmãos na fé, em carne e ossos desaparecem. Trabalhar e lutar juntos pelo bem de todos, pela justiça e a paz se torna supérfluo. Precisamos ser curados disso. ■ DOMPEDROCONTI E-mail: oscarfilho.ap@bol.com.br Bispo de Macapá Desde sempre, a humanidade busca responder a algumas perguntas fundamentais: qual é o sentido da vida? Quem somos? De onde viemos? Para aonde vamos? Por que amar? Por que o sofrimento e a morte? Quando consegue fazer isso com humildade... Só Deus tem poder sobre E stamos imersos totalmente em uma cultura digital e aquilo que se destaca pode ser classificado de ‘narcisismo’. Por que isso? Constata-se como o individualismo está imperando no nosso meio. Diria um individualismo até exasperado e que se presencia em todos os níveis. Por exemplo, até na fotografia se realiza a famosa ‘selfie’, que permite fazer tudo sozinho, dando a total liberdade de autor referência e autoexecução. Não só, a tendência da juventude é ter uma forte característica narcisista. Esta, poderíamos dizer, é uma epidemia que, com o tempo, cresce mais e mais. Nota-se como o ‘eu’ está pronunciado e escrito intensamente e constantemente. Na vida cotidiana, na televisão, nos jornais, nas redes sociais, o ‘eu’ domina tudo. Pode observar como até na política o pro- tagonista é o ‘eu’. É uma realidade, podemos dizer assim, escravizada pelo espelho. Além do mais, estamos nos limites de um ‘narcisismo exacerbado’. As redes sociais estão cheias de informações, às vezes, bem banais, cheias de fotografias e de procla- mas. Torna-se público até as sequencias bem pessoais e de vida familiar. E, depois, mais interessante é ainda quando aparecem muitos ‘like’ e ‘follower’, em que mostram o grau de satisfação dos interessados. Então, é legítimo se perguntar: o que poderá acontecer quando o mecanismo autopromo- cional de personagens importantes, tipo Messi ou outro, queviraliza, torna-se referência de imitação, também para um jovem de Belém ou de outra cidade da Amazônia? Já teve a respeito pessoas que tentaram dar uma resposta a tudo isso. Creio que se pode dizer que o ‘narcisismo’ é o encolhimento em si da própria energia vital, isto é, permitir de se enriquecer através do intercâmbio de expe- riências e, ao mesmo tempo, se colocar em jogo, perdendo em parte algumas certezas. E também o narcisista achando de ser poderoso, pode chegar a negar o limite da morte. Ele é o poderoso! Essa nova cultura digital-tecnológica convida a se restringir sob o aspecto afetivo e, ao mesmo tempo, evitar ter brigas com os ou- tros. Assim sendo, parece que se projeta a substituir as relações humanas com o investimento dos objetos, porque eles não comprometem a própria personalidade. Desse jeito, a capacidade das pessoas que se sentem totalmente satisfeitas das suas realizações acaba-se enfraquecendo ou até se tornam ausentes. Sob o aspecto educativo, por exemplo, quando os pais procuram dar tudo para os próprios filhos, desta forma, evita-se cada conflito, e assim compromete-se o crescimento psíquico. De fato, tirar dos próprios filhos das provas de responsabilidades e de compromissos contribui a criar gerações auto-gratificadas e autor referidas. Com tudo isso, o narcisismo se torna o protagonista na nova realidade cultural em que os relacionamentos se relativizam, fragilizando toda verdade e objetividade. A essa altura, torna-se muito dif ícil pra- ticarmos os valores comunitários e, sobretudo, praticarmos o ensino e testemunho de Jesus. ■ CLAUDIOPIGHIN E-mail: clpighin@claudio-pighin.net Sacerdote e doutor em teologia. Sob o aspecto educativo, por exemplo, quando os pais procuram dar tudo para os próprios filhos, desta forma, evita-se cada conflito, e assim compromete-se o crescimento psíquico. O narcisismo digital

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