Diário do Amapá - 01 e 02/02/2026
ivemos atualmente com uma nova percepção sobre o tempo. Creio que os f ísicos encontrarão uma teoria sobre a sua compressão, porque temos a sensação de que o tempo está voando. Mas ainda existem os que querem o imediatismo do JÁ! O desenvolvimento do corpo humano, na evolução biológica desde os primórdios da criação, continua no mesmo ritmo, mas estamos vivendo agora o que jamais foi pensado, com a internet e a civilização digital, que estão aí para ficar e modificar o modo de pensar numa velocidade inacreditável, com a IA (inteligência artificial) e as redes sociais. No meio desse vendaval, fica a estranha confusão do anarcopopulismo e dos influencers digitais. Bandeira Tribuzzi tem um poema sobre o drama humano com o tempo: “Que tempos de viver-se!” Mas a verdade é que ainda precisamos de uma me- ditação profunda sobre a convivência do homem com o tempo. Quando me encontrei com Deng Xiaoping, em Pe- quim, ele me falou entusiasmado de seu país dali a cem anos como se dissertasse sobre o dia seguinte. Descre- veu-me empolgado as metas dos próximos 50 anos como se comentasse a madrugada que viria. Refletiu sobre o problema do tempo, que é muito recorrente nos orientais, notando que nós, do lado de cá, no Ocidente, não temos uma visão clara do tempo, de como ele interfere em nossa vida. Fiquei com a im- pressão de que nos acusava da falácia do “JÁ”. No Brasil temos um exemplo remoto de Dom Pedro II que, ainda adolescente, quando consultado se queria ser imperador, respondera: “Quero JÁ!” Comecei então a aprender o que é o tempo e perceber que é dele que se faz a vida. Muito tenho falado sobre a paciência, mas, hoje, ocorre-me defini-la como a virtude de saber esperar. Não com o sentido de reparar injustiças ou esquecer o passado, mas de ver os fatos com o sabor de “experiência vivida”, de ser humilde ao olhar erros, de aprender, de poder emitir conceitos e de ter a cons- ciência de que muitas vezes podemos estar errados. Nada mais falso do que o chavão de repetir que, se tivéssemos de viver de novo, repetiríamos tudo. Muitas coisas não faríamos, outras acrescentaríamos e outras nem uma coisa nem outra, simplesmente seriam igno- radas. Afinal, a gente melhora com o passar dos anos. Perde-se em vigor, mas ganha-se em saber. Os desenganos, as esperanças modestas, as ambições, as vaidades e as paixões têm o realismo do conhecimento do funciona- mento do tempo, da vida. Porque é bíblica e sagrada a certeza de que há tempo de semear e tempo de colher. É possível que o tempo de colher seja mais glorioso. Mas é o tempo de semear que determina o que se vai colher. Governei o Brasil no período mais dif ícil de sua his- tória, mais cheio de cobranças políticas. Somavam-se esperanças e dificuldades. As liberdades, represadas por 20 anos, explodiam em reivindicações e gestos de intolerância. A ânsia de mudanças atropelava os fatos. Coube-me plantar e poucas vezes colher. Há frustração maior do que plantar e não colher? Mas é preciso ter a noção do tempo para esperar o momento da colheita. Como exemplo, recordo que semeei o exemplo de res- peitar até o limite dos exageros a liberdade de imprensa, rádio e televisão, porque sempre entendi que a prática da liberdade corrige os excessos. Não apenas nos veículos de comunicação, mas em todo o processo de circulação de informação na sociedade. As instituições se fortalecem e se consolidam. A democracia é um regime que é melhor do que os outros porque sobrevive às crises e sabe absorvê-las. O Brasil vive as excelências de um regime democrático, pluralista e aberto. Sua massa crítica e as instituições não entram em colapso em face de tempestades e seguram as estruturas da sociedade e do Estado. E, dentro deste vendaval, constata-se a verdade de Jefferson de que a liberdade de imprensa é a liberdade fundamental. Nosso Rui Barbosa resumiu o conceito chamando-a “pulmão da democracia”. A semeadura foi boa. Hoje, todos colhemos os frutos de uma imprensa vigorosa, cumprindo sua missão de informar. Porque, no mais, as decisões são frutos da verdade que, como se diz no Maranhão, “é como o manto de Cristo, não tem costura”. Inconsútil, não admite remendo. ■ Tempo do “JÁ!” voa… E-mail: j.sarney@uol.com.br Ex Presidente do Brasil JOSÉSARNEY V ➔ E-mail: luizmello.da@uol.com.br ➔ Instagram: @luizmelodiario© 2018 ➔ twitter: @luizmelodiario RÁPIDAS ● Cara a cara... Analistas já consideram inevitável polarização Clécio vs. Furlan - ‘porque não existe nem tempo, nem lideranças à vista, nem propostas concretas, que sugiram essa construção’. E descartam terceira opção pelo GEA. ● Líder... Quase indo às lágrimas em discurso no ato de filiação do governador Clécio, nessa sexta, 30, deputada Alliny Serrão mais uma vez mostrou como tem admiração pelo senador Davi Alcolumbre sobre quem diz, sem titubear, que é o dono de seu destino político. ● Fonte... O petróleo ainda em modo pesquisa, mas logo, logo com possibilidade de jorrar na costa amapaense, através da Petrobras, empresa mundialmente reconhecida, foi uma das principais atrações em recente encontro reunindo países das américas Central e do Sul. ● Similares... Com projetos já elaborados, Oiapoque e Laranjal do Jari logo, logo também terão porto fluvial do mesmo top do Porto do Povo de Santana, inaugurado sexta, 30 - em particular pelo esforço do senador Randolfe Rodrigues, que, além de emendas, em Brasília, não arredou pé da obra. Eufóricos... Aliados de Clécio Luís comemoram sucesso do ato de filiação do ‘chefe’ no União Brasil e, ani- mados que só, garantem que evento reuniu de 40 a 50 mil pessoas - o maior já visto no Amapá, avaliam. E, no tira-dúvida, sugerem ver virada de chave nas próximas pesquisas. Foi estrondoso e impactante ato de filiação de Clécio Luís no União Brasil, sexta 30, no Jesus de Nazaré. Se ao ponto de deixar concorrência de orelha em chamas, sabe Deus. Mas que valeu trabalho de mobilização popular, inegável. ● Marcante Calado... Danto tempo ao tempo, Furlan tem ‘mordido a lín- gua’ pra não extravasar sentimentos sobre o afas- tamento, pelo CNMP, do mano promotor João Paulo Furlan, das funções dele no MP/AP. Atual mandachuva do Sebrae no Amapá, Josiel Alcolumbre já revela barriquinha menos ‘tanquinho’ - afinou uns 10kg, garantem mais próximos. E no tudo a ver com as canetas emagrecedoras da Mounjaro - uma por semana, barriga adentro. ● Persistência... Nada disse, ainda, ao distinto público, e nema quê, mas já passa, sim, pela cabeça de Gean- franco, do PSTU, voltar a levar nome às urnas, no testemunho de interlocutores. Última tentativa foi em24, quando só chegou aos 560 votos na disputa pela Prefeitura de Macapá. Missão cumprida... Se era esse o principal objetivo das férias emMa- capá, Davi Alcolumbre fez bemdever de casa: sa- culejou pra valer as bases - apagadas, até então -, e, comoutros aliados, conseguiu reunir grandes torcidas na filiação de Clécio, no União Brasil. |OPINIÃO | DIÁRIO DO AMAPÁ DOMINGO E SEGUNDA-FEIRA | 01 E 02 DE FEVEREIRO DE 2026 3 FROM / LuizMelo Menos... Querem que vos ensine o modo de chegar à ciência verdadeira? Aquilo que se sabe, saber que se sabe; aquilo que não se sabe, saber que não se sabe; na verdade é este o saber. Confúcio Filósofo chinês A ciência sem a religião é manca, a religião sem a ciência é cega. Albert Einstein “ “ Sujeito oculto... No ver de mais íntimos, vice de Furlan ao GEA, se realmente candidato, sai no modo Mário Neto. Ou seja, pouca visibilidade, absoluta fidelidade ao ‘chefe’ e nenhum sonho sonhado sobre, a partir dalí, construir carreira política. ●
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