Diário do Amapá - 06/02/2026

| OPINIÃO | DIÁRIO DO AMAPÁ SEXTA-FEIRA | 06 DE FEVEREIRO DE 2026 2 LUIZ MELO Diretor Superintendente ZIULANA MELO Diretora de Jornalismo Circulação simultânea em Macapá, Belém, Brasília e em todos os municípios do Amapá. Os conceitos emitidos em artigos e colunas são de responsabilidade dos seus autores e nem sempre refletem a opinião deste Jornal. Suas publicações são com o propósito de estimular o debate dos problemas amapaenses e do país. O Diário do Amapá busca levantar e fomentar debates que visem a solução dos problemas amapaenses e brasileiros, e também refletir as diversas tendências do pensamento das sociedades nacional e internacional. MÁRLIO MELO Diretor Administrativo DIÁRIODECOMUNICAÇÕES LTDA. C.N.P.J: 02.401.125/0001-59 Administração, Redação e Publicidade Avenida Coriolano Jucá, 456 - Centro CEP 68900-101 Macapá (AP) - Fone: 96-3084-2216 www.diariodoamapa.com.br COMPROMISSOCOMANOTÍCIA Sócio-Fundador da MZMWealth E-mail: diario-ap@ .com.br E mum ambiente de mercadomarcado por alta volatilidade, ciclos econômicos cada vez mais curtos e excesso de informação, a forma como o capital é alocado tornou-se tão relevante quanto, ou até mais do que, a escolha dos ativos individuais. Ainda assim, grande parte dos investidores concentra seus esforços em decisões táticas, tentando antecipar movimentos de mercado. Um grupo mais restrito, formado por famílias patrimonialmente estruturadas, segue um caminho diferente: a alocação estratégica de longo prazo como eixo central da gestão patrimonial. Essa diferença de postura ajuda a explicar por que alguns patrimônios atravessam décadas com consistência, enquanto outros enfrentamperdas recorrentes, mesmo emperíodos de crescimento econômico. Para famílias patrimonialmente estruturadas, a alocação não surge como reação a manchetes, ruídos informacionais ou tentativas de prever o próximo movimento do mercado. Trata-se de uma construção deliberada e contínua, baseada em objetivos de longo prazo, tolerância a risco e di- versificação real, desenhada para atravessar ciclos econômicos distintos, absorver choques e preservar e expandir o capital ao longo do tempo. Um dos erros mais comuns entre investidores é confundir alocação com timing. A busca pelo “melhor momento” para entrar ou sair de ativos costuma gerar decisões reativas, influenciadas por ruído informacional e emoções. Famílias patrimonialmente organizadas compreendem que alocação estratégica não depende de prever o mercado, mas de definir, com disciplina, como o capital será distribuído entre classes de ativos, considerando objetivos, horizonte de tempo e tolerância ao risco. Investidores comuns frequentemente começam analisando produtos financeiros e, só depois, tentam encaixá-los em uma carteira. Famílias estruturadas fazem o oposto, onde primeiro constroem a estratégia e depois selecionam os instrumentos adequados para executá-la. Essa inversão reduz significativamente o risco de concentrações excessivas, desalinhamento entre risco e objetivo e decisões influenciadas por modismos de mercado. Na alocação estratégica, diversificação também ganha um significado mais profundo. Não se trata de quantidade de ativos, mas de equilíbrio entre diferentes fontes de risco e retorno. Famílias estruturadas analisam correlações, liquidez, exposição geográfica e sensibilidade a ciclos econômicos. Oobjetivo central não émaximizar ganhos emcenários favoráveis, mas proteger o patrimônio e reduzir a volatilidade ao longo do tempo. O "UBS Global Family Office Report 2025", que en- trevistou family offices globais com patrimônio médio de US$ 2,7 bilhões, revelou um modelo equilibrado desses investidores com a alocação estratégica: 30% em ações, 18% em renda fixa e 21% em private equity, com quase 80% dos ativos dire- cionados a mercados desenvolvidos, como América do Norte e Europa Ocidental. Essa construção diversificada é um forte indicativo de que famílias patrimonialmente estruturadas não buscam apenas retornos extraordinários de curto prazo, mas portfólios resilientes, preparados para atravessar diferentes cenários macroeconô- micos. Outro ponto frequentemente negligenciado por investidores comuns é a clareza sobre a função de cada parcela do patrimônio. Famílias estruturadas distinguem capital destinado à preservação, recursos voltados ao crescimento e valores reservados ao padrão de vida. Essa segmentação permite decisões de alocação mais eficientes e evita que demandas de curto prazo comprometam objetivos pa- trimoniais de longo prazo. A disciplina é, talvez, a maior vantagem competitiva da alocação estratégica, já que, uma vez definida, a estratégia é mantida ao longo dos ciclos econômicos, com ajustesmetodológicos e rebalanceamentos periódicos, e não emresposta a oscilações momentâneas domercado. Esse comportamento reduz decisões impulsivas emmo- mentos de estresse ou euforia, preservando a coerência do portfólio. ■ Outro ponto frequentemente negligenciado por investidores comuns é a clareza sobre a função de cada parcela do patrimônio. Famílias estruturadas distinguem capital destinado à preservação, recursos voltados ao crescimento e valores reservados ao padrão de vida. A obsessão por prever o mercado é o maior erro dos investidores DANIEL MAZZA N o campo da ciência do Sentir, compreendemos que os senti- mentos, como vivências internas, são vibrações e que, portanto, se propagam, contagiam e sincronizam. Sob essa perspectiva, o Carnaval revela-se como um fenômeno vibracional por excelência, ao serem milhares de pessoas que, vibrando, entram em ressonância com ritmos, sentimentos e estados internos que se amplificam mu- tuamente. Mais do que uma festa, o Carnaval é uma vibração coletiva, um estado expandido do sentir. Brincar o Carnaval é viver o ápice dessa sincronização, seja ao desfilar em uma escola de samba, quando o coletivo pulsa como um único organismo, seja nos blocos, onde a pulsação do tamborim, o grave do surdo e o arrasto do ritmo atravessam o corpo, reverberando por dentro e por fora. E é nesse encontro entre o som e o sentir que o Carnaval se instala. Talvez por isso até quem chega cansado, tímido ou mesmo quem não gosta muito da festa acaba se contagiando por uma força misteriosa, algo que ultrapassa a razão e vibra o corpo in- teiro, indo do coração à pele. No Carnaval, o Eu se dilui em Nós quando o sentir se expande em fantasias que ganham vida, pois a pessoa pode ser o que quiser: rainha, super-herói, o personagem dos sonhos; o Eu se dilui em Nós quando todos são unidos por um mesmo ideal, o de viver a alegria expe- rimentando os sentimentos de segurança, per- tencimento e aceitação. O Carnaval transmite permissão ao autorizar a pessoa a sentir mais, a ser mais, a existir à margem do controle social e a escapar, ainda que por instantes, das limitações impostas pelo cotidiano. Aqui, o sentir ganha legitimidade ao possi- bilitar o riso mais solto, o choro mais aceito e o abraço mais fácil. De fato, o Carnaval somente confere uma única regra, imposta pela própria pessoa e com o consentimento de todos ao seu redor: “— Sinta. Aqui você pode.” Como é bom o Carnaval! Sem dúvida, uma festa que tem impacto profundo na saúde de qualquer pessoa, pois a vibração coletiva funciona como um campo de “cura” temporária, não porque resolve problemas, elimina as dores ou trata doenças, mas porque alivia tensões e reconecta a pessoa com o prazer de existir. Até porque, ao brincar o Carnaval, cada sorriso encontra outro sorriso, cada passo encontra outro passo e o sentir coletivo cria uma atmosfera onde a alegria se torna inevitável. Enfim, a festa nos lembra que o ser humano precisa viver a vibração compartilhada; que o corpo sabe dançar antes mesmo de saber pensar; que a alegria é uma grande força que, quando vibrada no coletivo, nos deixa felizes. O Carnaval é uma experiência de reencantamento, um encontro do Eu com o sentimento de Eu, portanto, com a própria pessoa. É uma celebração que nos expande em satisfação. ■ Enfim, a festa nos lembra que o ser humano precisa viver a vibração compartilhada; que o corpo sabe dançar antes mesmo de saber pensar; que a alegria é uma grande força que, quando vibrada no coletivo, nos deixa felizes. Carnaval: uma experiência vibracional do sentir coletivo E-mail: diario-ap@ .com.br Psicóloga, psicanalista e escritora BEATRIZ BREVES

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