Diário do Amapá - 07/02/2026

| OPINIÃO | DIÁRIO DO AMAPÁ SÁBADO | 07 DE FEVEREIRO DE 2026 2 LUIZ MELO Diretor Superintendente ZIULANA MELO Diretora de Jornalismo Circulação simultânea em Macapá, Belém, Brasília e em todos os municípios do Amapá. Os conceitos emitidos em artigos e colunas são de responsabilidade dos seus autores e nem sempre refletem a opinião deste Jornal. Suas publicações são com o propósito de estimular o debate dos problemas amapaenses e do país. O Diário do Amapá busca levantar e fomentar debates que visem a solução dos problemas amapaenses e brasileiros, e também refletir as diversas tendências do pensamento das sociedades nacional e internacional. MÁRLIO MELO Diretor Administrativo DIÁRIODECOMUNICAÇÕES LTDA. C.N.P.J: 02.401.125/0001-59 Administração, Redação e Publicidade Avenida Coriolano Jucá, 456 - Centro CEP 68900-101 Macapá (AP) - Fone: 96-3084-2216 www.diariodoamapa.com.br COMPROMISSOCOMANOTÍCIA N Ao amanhecer do dia 4 de fevereiro, o sol ergueu-se lentamente sobre as águas vastas do Rio Amazonas, que abraçam a cidade de Macapá, como quem não quer se separar de seu bemmaior. Neste dia, celebramos os 268 anos de uma capital que é, em essência, um poema em prosa, onde cada verso traz à luz a história, a cultura e a identidade de um povo que se ergue à sombra dos açaizais e sob a proteção da maior fortaleza do Brasil: a Fortaleza de São José de Macapá. A cidade, que se estende na imensidão da Floresta Amazônica, é ummicrocosmo de diversidade. Aqui, a linha do Equador não é apenas uma linha imaginária; é um divisor de águas entre climas e culturas, um símbolo da singularidade de uma terra que se recusa a ser comum. Macapá é a única capital brasileira banhada pelo majestoso Rio Amazonas, um dos maiores rios do mundo, que flui como um livro aberto, contando histórias de povos ancestrais e de um futuro promissor. No centro da cidade, a Fortaleza de São José de Macapá ergue-se majestosa, guardiã silenciosa de histórias e lendas. Suas paredes, que já testemunharam batalhas e celebrações, sussurram segredos do passado. Construída no século XVIII, a fortaleza é um símbolo da resistência de um povo que, como suas pedras, se mantém firme diante das adversidades. Além disso, Macapá abriga o único estádio do mundo onde o campo é dividido pela linha do Equador. O Estádio Zerão permite que os jogadores pratiquem o esporte emdois hemisférios diferentes, uma experiência única que atrai olhares curiosos e reforça a identidade peculiar da cidade. Nesta arena, a linha do Equador se torna um elemento de união e diversão, onde o futebol transcende barreiras geográficas e culturais, conectando pessoas de diversas origens. Neste dia festivo, as ruas se enchem de vida. As mú- sicas e louvores ecoam, com sons e musicalidade que contam a sua história, e celebram as suas conquistas. Em cada esquina, há um resquício do passado, um ele- mento que narra a trajetória de umpovo forte e resiliente. Macapá é tambémumponto de encontro de culturas. Amistura de influências indígenas, africanas e europeias se reflete na culinária, nos costumes e nas festividades. O açaí, a tapioca e o peixe fresquinho do Amazonas são apenas alguns dos tesouros que enriquecem a mesa dos macapaenses. Cada prato é uma celebração, uma ho- menagem à terra que os alimenta e à ancestralidade que aponta para o seu passado. Ao caminhar pelo Centro Histórico, onde o passado se encontra com o presente, é possível sentir a pulsação da cidade. As construções coloniais, com suas cores vi- brantes e detalhes arquitetônicos, sussurram histórias de um tempo que, mesmo distante, ainda ecoa nas vozes dos que aqui habitam. OMercado do Artesanato, com suas barracas repletas de arte e cultura, é um espaço que celebra a criatividade local. Outro fenômeno fascinante que ocorre em Macapá é o equinócio. Durante esse evento, o dia e a noite têm a mesma duração, um lembrete da harmonia que permeia a cidade. É um momento extraordinário da criação divina que atrai visitantes e moradores, celebrando a beleza da singular de Macapá. E no coração dessa vivência, lá está a Assembleia de Deus, imponente caminhando para os seus 109 anos. Chegou emMacapá em 1917, tornando-se um pilar fundamental da sociedade. Mais do que uma instituição religiosa, é um espaço de acolhimento e solidariedade, onde a fé une as pessoas e promove ações que transformam vidas. Os cultos vibrantes são um reflexo da devoção e do amor que permeiam a cidade, um amor que se traduz em solidariedade e apoio mútuo. Neste aniversário, ao celebrarmos os 268 anos de Macapá, é essencial lembrar que a cidade não é apenas um lugar no mapa, mas um sentimento que pulsa no coração de cada macapaense. É uma odisseia que se desdobra a cada dia, onde passado e futuro se entrelaçam em um presente vibrante e cheio de possibilidades. A cidade, com suas particularidades, é um testemunho da força da natureza e da resiliência humana. Macapá, a capital que é um poema, continua a escrever sua história, capítulo a capítulo, dia após dia. Que venhammais anos, mais celebrações e mais histórias para contar! ■ Neste aniversário, ao celebrarmos os 268 anos de Macapá, é essencial lembrar que a cidade não é apenas um lugar no mapa, mas um sentimento que pulsa no coração de cada macapaense. É uma odisseia que se desdobra a cada dia, onde passado e futuro se entrelaçam em um presente vibrante e cheio de possibilidades. Macapá: a capital das singularidades E-mail: drrodrigolimajunior@gmail.com Teólogo, pedagogo e advogado RODRIGO LIMA JUNIOR O cientista Antônio Nobre do INPE (irmão do Carlos Nobre), que sempre fala com sabedoria sobre o desastre que o ser humano provoca no planeta, elaborou dez mandamentos de efeitos bio- geof ísicos para o clima, de conservação e restauração da vegetação nativa. Em outras palavras, para salvar a humanidade. Veremos alguns neste artigo. O impacto que a vegetação tem nos ciclos de água e energia, e, portanto, no próprio clima, são ignorados. A proteção das florestas nativas é essencial para preservar a biodiversidade e o equilíbrio no ciclo do carbono. Eis os mandamentos: (1) Os esforços de reflorestamento e de recuperação de ecossistemas tem que levar em conta a disponibilidade de água. A longevidade do sequestro de carbono em projetos de reflorestamento não pode ser ade- quadamente avaliada sem também considerar as condições hidrológicas e os ambientes climáticos de cada local. Assim, a vegetação que promove e sustenta um clima úmido pode também capturar e manter mais carbono em sua biomassa. (2) Solos compactados absorvem pouca ou ne- nhuma água da chuva. Chuvas que caem em solos impermeáveis são, portanto, perdidas em escoa- mentos superficiais, gerando inundações e drenando inutilmente para os oceanos. A vegetação em geral, especialmente as árvores, são excelentes promotoras de infiltração. Capazes de perfurar profundamente o solo compactado com suas raízes, as árvores também criam uma camada de detritos orgânicos, formando um colchão de raízes que atrai e mantém uma ampla variedade de insetos escavadores e uma imensa população de organismos decompositores, que transformam o solo endure- cido em uma terra fofa e fértil, capaz de reter umidade. Além de uma série de benef ícios hidro- lógicos, a água retida na paisagem promove a pro- dutividade das plantas por um período prolongado e, portanto, contribui para a capacidade das plantas de condicionar e favorecer o clima. (3) As árvores bombeiam água do solo e emitem vapor d'água através da copa, aumentando a umi- dade do ar. Tal efeito, por mais estranho que pareça, resfria a superf ície. Uma caloria é uma medida da energia térmica necessária para aumentar a temperatura de 1 grama de água líquida em 1 grau Celsius. Apenas 100 calorias são absorvidas para elevar um grama de água de zero graus até o ponto de ebulição a 100 graus Celsius, enquanto cinco vezes mais energia é necessária para converter esse grama de líquido em gás (vapor). Assim, a evaporação absorve eficientemente a energia térmica do ambiente, di- minuindo a temperatura local. As plantas transpiram em grandes quantidades durante o dia, chegando até 1000 litros por dia em uma árvore madura de grande porte em uma floresta tropical. Ao contrário de um ar condicionado, a transpiração das plantas captura o calor do ambiente na superf ície, armazenando-o em vapor de água que é transportado para altitudes maiores e para latitudes distantes na atmosfera. O transporte de calor é uma parte extraordinariamente importante e necessária do efeito de resfriamento promovido pelas flores- tas. Trataremos os demais mandamentos futuramente. ■ Ao contrário de um ar condicionado, a transpiração das plantas captura o calor do ambiente na superfície, armazenando-o em vapor de água que é transportado para altitudes maiores e para latitudes distantes na atmosfera. O transporte de calor é uma parte extraordinariamente importante e necessária do efeito de resfriamento promovido pelas florestas. Alguns Mandamentos Climáticos MARIO EUGENIO E-mail: mariosaturno@uol.com.br Tecnologista Sênior

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