Diário do Amapá - 10/02/2026

FALECOM0COMERCIAL E-mail: comercial.da@bol.com.br site: www.diariodoamapa.com twitter: @diariodoamapa Instagram: @diariodoamapa ECONOMIA | ECONOMIA | DIÁRIO DO AMAPÁ 7 TERÇA-FEIRA | 10 DE FEVEREIRO DE 2026 “ A classe dominante brasileira en- tende o Estado como dela, não é uma coisa nossa, é uma coisa dela.” A avaliação é do ministro da Fa- zenda, Fernando Haddad, que partici- pou de evento, na capital paulista, para lançamento de seu livro Capita- lismo Superindustrial. Na ocasião, hou- ve bate-papo com Haddad, Celso Rocha de Barros e mediação de Lilia Schwarcz, no Sesc 14 Bis. “Eu defendo a tese de que o Estado foi entregue aos fazendeiros como in- denização pela abolição da escravidão”, afirmou Haddad. Para contextualizar, ele lembrou que o movimento dos re- publicanos começou em 14 de maio de 1888 - dia seguinte à assinatura da Lei Áurea -, e um ano depois logrou êxito. Vitorioso, o movimento republi- cano “bota pra correr a classe dirigente do país e, no lugar dela, não põe outra coisa senão a classe dominante do país para cuidar do estado como se fosse seu. Nós estamos com esse problema até hoje.” “Esse ‘acordão’ sob os auspícios das Forças Armadas, quando é colo- cado em xeque, a reação é imediata. Você não pode tocar nisso, você não pode tocar em nenhuma instância. Por isso que a democracia no Brasil é tão problemática e tão frágil, porque a de- mocracia é a contestação desse status quo. E, quando ela estica a corda, a ruptura institucional pode acontecer”, concluiu o ministro. Capitalismo superindustrial Lançado neste sábado, o livro de Haddad discute os processos que le- varam ao atual modelo global do que ele chama de capitalismo superindus- trial, marcado por desigualdade e com- petição crescentes. Haddad aborda te- mas como a acumulação primitiva de capital na chamada periferia do capi- talismo, a incorporação do conheci- mento como fator de produção e as novas configurações de classe. Para o ministro, a desigualdade vai continuar aumentando. “A desigual- dade, quando o estado mitiga os efeitos do desenvolvimento capitalista e or- ganiza a sociedade em termos de de- sigualdade moderada, realmente as tensões sociais diminuem muito, é ver- dade”, disse. “Mas, deixada à própria sorte, essa dinâmica leva a uma desigualdade ab- soluta. E quando isso acontece, você não está mais falando de diferença, você está falando de contradição e de processos contraditórios. E eu entendo que nós estamos nesse momento, nessa fase, em que a contradição está se im- pondo”, acrescentou. A obra reúne estudos sobre economia política e a natureza do sistema soviético, realizados por Haddad nos anos 1980 e 1990, que foram revisados e ampliados. Com isso, a obra discute também os de- safios colocados pela ascensão da China como potência global. ■ CLASSE DOMINANTE BRASILEIRA ENTENDE O ESTADO COMO DELA, DIZ HADDAD DESIGUALDADE V Foto/ Rovena Rosa/Agência Brasil

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