Diário do Amapá - 11/02/2026

| OPINIÃO | DIÁRIO DO AMAPÁ QUARTA-FEIRA | 11 DE FEVEREIRO DE 2026 2 LUIZ MELO Diretor Superintendente ZIULANA MELO Diretora de Jornalismo Circulação simultânea em Macapá, Belém, Brasília e em todos os municípios do Amapá. Os conceitos emitidos em artigos e colunas são de responsabilidade dos seus autores e nem sempre refletem a opinião deste Jornal. Suas publicações são com o propósito de estimular o debate dos problemas amapaenses e do país. O Diário do Amapá busca levantar e fomentar debates que visem a solução dos problemas amapaenses e brasileiros, e também refletir as diversas tendências do pensamento das sociedades nacional e internacional. MÁRLIO MELO Diretor Administrativo DIÁRIODECOMUNICAÇÕES LTDA. C.N.P.J: 02.401.125/0001-59 Administração, Redação e Publicidade Avenida Coriolano Jucá, 456 - Centro CEP 68900-101 Macapá (AP) - Fone: 96-3084-2216 www.diariodoamapa.com.br COMPROMISSOCOMANOTÍCIA N Está cansado de viver na Terra. Às vezes parece que nada aqui se encaixa, que os caminhos se repetem, que as promessas se desfazem antes mesmo de amadurecer. Você olha ao redor e sente que precisa mudar, mas não sabe para onde. A inquietação cresce como se o próprio chão já não fosse suficiente para sustentar seus so- nhos. E então surge uma notícia quase inacreditável. Elon Musk anuncia a intenção de criar uma cidade na Lua nos próximos dez anos. O que antes habitava apenas a ficção científica começa a se insinuar como pos- sibilidade concreta. Morar na Lua deixa de ser delírio de cientista excêntrico ou teoria conspiratória de madrugada e passa a ocupar o ter- ritório das decisões humanas. Mas a pergunta que ecoa não é tecnológica. Ela é existencial. Se a Terra nos cansa, será a Lua capaz de nos renovar. Se aqui nada dá certo, será a mudança de cenário suficiente para trans- formar destino em sentido. A história da huma- nidade é marcada por partidas. Saímos das ca- vernas, cruzamos oceanos, atravessamos desertos, sempre acreditando que o próximo horizonte resolveria nossas inquietações. Cada nova fronteira parecia prometer redenção. A possibilidade de uma cidade lunar reacende o impulso antigo de fugir e recomeçar. A Lua pode se tornar endereço, projeto, investimento, sonho coletivo. Pode ser o símbolo máximo da ambição humana, a prova de que não aceitamos limites impostos pela gravidade. Há algo pro- fundamente admirável nessa coragem de expandir fronteiras. Há, nessa nuance, um enigma silencioso. O desconforto que sentimos pertence ao lugar ou à condição humana. A insatisfação nasce do am- biente ou do vazio interior que carregamos co- nosco. Podemos trocar de planeta, mas continuaremos levando nossas dúvidas, nossos medos e nossas contradições. Talvez a cidade na Lua seja mais do que um projeto espacial. Talvez seja um espelho. Ela revela nossa eterna recusa em aceitar estagnação e nossa esperança incansável de que o próximo passo nos trará sentido. A Lua pode ser seu próximo endereço. Mas antes de comprar a passagem imaginária, vale perguntar se o que precisa mudar está no céu ou dentro de você. A humanidade sempre olhou para cima buscando respostas. Agora, pela primeira vez, pode transformar esse olhar em moradia. Resta saber se estamos preparados para habitar não apenas outro solo, mas uma nova consciência sobre quem somos e por que insistimos em partir. Então prepare seu passaporte, documentos e deixe a mala pronta, talvez a vontade de sumir da terra já tem endereço fixo. ■ Seu próximo endereço pode ser a lua A humanidade sempre olhou para cima buscando respostas. Agora, pela primeira vez, pode transformar esse olhar em moradia. Resta saber se estamos preparados para habitar não apenas outro solo, mas uma nova consciência sobre quem somos e por que insistimos em partir. E-mail: gregogiojsimao@yahoo.com.br Radialista e estudante de Filosofia GREGÓRIOJ.L. SIMÃO “ Um país se faz com homens e livros!" Essa frase é conhecida e teria sido dita por Monteiro Lobato ou por alguém que resumira a obra dele. Cita-se o livro "A Barca de Gleyre", que reúne cartas de Lobato, como a inspiração para a frase... E lá fui eu ler e pesquisar esse livro. Há muitas cartas interessantes ali, cheias de ideias de como se fazer um país. Lobato via na construção do Brasil a necessidade de se ter homens decentes, honestos, que amem a Pátria de verdade e não como se vê hoje em dia, uma classe política saúva, que ataca as riquezas alheias em favor do sauval. E estão angariando como nunca antes neste país, nem na época do quinto do inferno. Os que deveriam representar e cuidar da "res publica" abocanham uma parte obscena do orçamento, os que aplicam honestamente... Mas muitos fazem esquemas para desviar essa fatia para os próprios bolsos. A formiga, vencemos, mas como lutar com essa classe? Já os livros estão incrivelmente acessíveis. É claro que Lobato não falava desses livrinhos de baixa qualidade de argumento e de português. Sim, livros técnicos e científicos são essenciais para o desenvolvimento e estudo, mas livros re- creativos bem escritos na língua vernácula e es- trangeira são essenciais. Dos astralopitecos aos homos, o desenvolvi- mento da linguagem por sinais e fala deu um salto tecnológico restrito à memória coletiva. A invenção da escrita há 5500 anos levou a livros escritos em tabuinhas de argila, rolos de perga- minhos, papiro, paredes... Vieram as escolas e as bibliotecas, a técnica da informação. Os livros eram manuscritos até o século 15, quando Gutemberg criou a impressão por tipos móveis, em 1.450, até então havia alguns milhares livros, cinquenta anos depois já havia 10 milhões de livros impressos. O conhecimento tornou-se "popular", uma fantástica revolução. Mesmo assim, em cidades pequenas, as bibliotecas são insigni- ficantes. Do primeiro computador eletrônico a válvula, o ENIAC, em 1946, aos computadores pessoais (PC) dos anos 1980 e a internet, uma década de- pois, trouxe-nos acesso a uma massa inacreditável de informação. Hoje temos acesso a gigantescas bibliotecas que somente havia em Nova York e Washington. Temos acesso a revistas científicas e tecnológicas, embora as reno- madas cobrem um preço caro, muitos sites e bibliotecas virtuais são gratuitos, como a (1) scielo.br , uma biblioteca de conhecimento científico e tecnológico. (2) O wikipedia, uma enciclopédia que melhorou muito, embora eu ainda prefira a versão inglesa, que é mais rigorosa e detalhista. Há bibliotecas que se pode emprestar livros como o (3) archive.org , com uma infinidade de livros de todas as áreas, mas a maioria está em inglês, como acontece com os impressos também. Para artigos científicos e alguns livros há a (4) academia.edu e o (5) researchgate.net. O problema hoje é saber escolher o tesouro do lixo, porque ler um livro ruim desperdiça o tempo e nossa preciosa memória. Embora a indi- cação de especialistas sempre será válida, hoje, podemos contar com a novidade, a Inteligência Artificial, desde que se saiba fazer a pergunta correta. ■ Sobre homens, livros e nações Há bibliotecas que se pode emprestar livros como o (3) archive.org , com uma infinidade de livros de todas as áreas, mas a maioria está em inglês, como acontece com os impressos também. Para artigos científicos e alguns livros há a (4) academia.edu e o (5) researchgate.net. MARIO EUGENIO E-mail: mariosaturno@uol.com.br Tecnologista Sênior

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