Diário do Amapá - 12/02/2026
Bola portuguesa O futebol de Portugal desbanca o do Brasil e alcança 54% das citações no ranking relacionado ao “Hábito de acompanhar o futebol de outros países de língua portuguesa.” O Brasil ficou em 2° lugar, com 31%. Já 36% dos ouvidos não acompanham futebol de outro país. Os dados são do Barómetro da Lusofonia, realizado pelo Ipespe e apresentado pelo cientista Antônio Lavareda em Lisboa. Fraude na internet O ambiente digital no Brasil somou 37,8 mil ameaças online em 2025, entre anúncios, páginas, perfis e aplicativos falsos usados para imitar marcas e enganar usuários, segundo a Serasa Experian. Emmédia, acontecemmais de 100 ocorrências por dia, com quase 80% dos registros em redes sociais. Anúncios fraudulentos lideraram (56%), seguidos por perfis falsos (32%). As fraudes são derrubadas em quatro dias, emmédia. Vidro reciclado O setor do vidro tornou-se o 1º no Brasil a alcançar 100% de verificação auditada do volume reciclado. Ano passado, foram 600 mil toneladas do material recicladas no País. O resultado foi apresentado ao Ministério do Meio Ambiente no Relatório Anual de Logística Reversa de 2025 da Circula Vidro, gestora da reciclagem do produto no País. Fogo na toga O inferno vivido pelo ministro do STJ Marco Buzzi, afastado ontem pelo Conselho Nacional de Justiça, após denúncia de assédio sexual em sua casa, contrasta (e muito!) com o momento de baixa dos colegas do STF, alvos de críticas por suspeita de ligações financeiras em negócios extra-Corte. O que não se pode negar no STJ é que os ministros passaram a falar, também, em código de conduta (até em casa, brinca um deles). $eguro$ Dados da Confederação Nacional das Seguradoras mostram que mais de R$ 243 bilhões foram pagos em indenizações pelas seguradoras no Brasil entre janeiro e novembro de 2025, alta de 9,6% em relação a 2024. Em novembro, os pagamentos somaram R$ 21,1 bilhões, crescimento de 7,0% na comparação anual. Esqueceram de mim? Atual Advogado-Geral da União, Jorge Messias se esconde, estrategicamente. O nome escolhido pelo presidente Lula da Silva para a vaga de Luís Barroso no Supremo Tribunal Federal, mas ainda não oficializado para sabatina no Senado, aguarda um aval do chefe para novamente percorrer a Casa Alta atrás da simpatia dos senadores. Atualmente, sua aprovação é tida como incerta. Há leve vantagem na contabilidade do Palácio, mas o presidente não quer correr risco de um vexame histórico. Messias, no entanto, está pendurado ao telefone buscando aliados fora do Congresso Nacional. E estes potenciais aliados têm peso na declaração dos parlamentares. O retorno para a economia de cada real investido em cultura e artes – o que inclui o Carnaval – é maior que o de investimentos em algumas áreas tradicionais da indústria, como a automobilística. Em en- trevista à Agência Brasil, durante sua passagem pelo país para estudar a economia criativa em torno da folia, a eco- nomista ítalo-americana Mariana Mazzucato destacou a potência da maior festa brasileira. “O investimento público em artes e cultura contribui muito mais para a economia do que grande parte da indústria manufatureira tradicional", disse Mazzucato. "No entanto, os governos continuam investindo mais nesses setores tradicionais da indústria, mesmo que as evidências estejam aí. Não é verdade que não temos as evidências”. No Brasil, enquanto um real investido em cultura pode render R$ 7,59 em retorno para sociedade por meio de empregos e renda, um real investido no setor de automóveis e caminhões tem um impacto multiplicador de R$ 3,76, conforme estudos da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial. Uma das mais influentes economistas do mundo, a autora do livro O Estado Empreendedor acrescentou que o Carnaval traz benef ícios sociais, de bem-estar e saúde mental para diversas comunidades, muitas delas vulneráveis. “Mais do que apenas falar da comida, da bebida, dos hotéis e do turismo durante o Carnaval, é o impacto social das habilidades, das escolas, das redes, do valor da coesão social, do senso de identidade e patrimônio”. Mazzucato visitou Rio de Janeiro e Salvador para co- nhecer a economia por trás das festas, e promete ir para Recife na próxima visita. A economista lidera pesquisa da University College London (UCL), com cooperação da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), que investiga o papel das artes e da cultura para o desenvolvimento econômico de um país. ■ BENEFÍCIOS Retorno de investimento em carnaval é maior que em áreas da indústria O s custos de uma eventual redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais seriam similares aos im- pactos observados em reajustes históricos do salário mínimo no Brasil, o que indica uma capacidade de absorção da medida pelo mercado de trabalho. A conclusão é de estudo publicado nesta terça-feira (10) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que analisa os efeitos econômicos da eventual redução da jornada atualmente predominante de 44 horas semanais, associada à escala 6x1, que estabelece um dia de descanso a cada seis trabalhados. A redução da jornada de trabalho teria umcusto demenos de 1% emgrandes setores, como indústria e comércio, mas alguns setores de serviços que dependem de mais mão de obra podem precisar de políticas públicas, avalia o Ipea. Os pesquisadores citam, por exemplo, os reajustes históricos do salário mínimo, como os de 12%, em 2001, e 7,6% em 2012, que não reduziram o nível de empregos. A jornada geral de 40 horas semanais elevaria o custo do trabalhador celetista em 7,84%, mas, dentro do custo total da operação, o efeito é menor, diz o pesquisador Felipe Pateo. "Quando a gente olha para a operação de grandes empresas na área de comércio, da indústria, a gente vê que o custo com tra- balhadores representa às vezes menos que 10% do custo operacional da empresa. Ela tem custo grande de formação de estoques, custo de investimento em maquinário", ex- plica. Já empresas de serviços para edif ícios, como vigilância e limpeza, podem ter um impactomaior, de 6,5% no custo da operação. Nesses casos, seria necessária uma transição gradual para a nova jornada. Omesmo serviria para pequenas empresas, que podem ter até mais dificuldade para adaptar as escalas de trabalho, segundo Pateo. "A gente vê que esse tempo de transição também é muito importante para as empresas menores. E você precisa abrir possibilidades de contratação de trabalhadores em meio período, por exemplo, que possam suprir eventualmente um tempo de funcionamento numfimde semana, caso a redução de jornada possa dificultar esse processo", observa. Combate a desigualdades O estudo também aponta que jornadas de 44 horas concentram trabalhadores de menor renda e escolaridade. Para o pesqui- sador, a redução da jornada pode reduzir de- sigualdades. "Quando a gente reduz a jornada máxima para 40 horas, a gente bota esses trabalhadores que estão nos empregos de menores salários, de menor duração do tempo de emprego, empé de igualdade, pelomenos na quantidade de horas trabalhadas. E a gente acaba au- mentando o valor da hora de trabalho desses trabalhadores. Então isso faz com que eles se aproximem das condições dos trabalha- dores nas melhores situações trabalhistas", argumenta. ■ REAJUSTES IPEA DIZ QUE MERCADO DE TRABALHO PODE ABSORVER FIM DA ESCALA 6X1 V Foto/ Tomaz Silva/Agência Brasil ESPLANADA |OPINIÃO | DIÁRIO DO AMAPÁ QUINTA-FEIRA | 12 DE FEVEREIRO DE 2026 5 ComWalmor Parente (DF), BethPaiva (RJ) eHenrique Barbosa (PE) E-mail: reportagem@colunaesplanada.com.br LEANDRO MAZZINI PODER , POLÍTICAEMERCADO
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