Diário do Amapá - 13/02/2026

| OPINIÃO | DIÁRIO DO AMAPÁ SEXTA-FEIRA | 13 DE FEVEREIRO DE 2026 2 LUIZ MELO Diretor Superintendente ZIULANA MELO Diretora de Jornalismo Circulação simultânea em Macapá, Belém, Brasília e em todos os municípios do Amapá. Os conceitos emitidos em artigos e colunas são de responsabilidade dos seus autores e nem sempre refletem a opinião deste Jornal. Suas publicações são com o propósito de estimular o debate dos problemas amapaenses e do país. O Diário do Amapá busca levantar e fomentar debates que visem a solução dos problemas amapaenses e brasileiros, e também refletir as diversas tendências do pensamento das sociedades nacional e internacional. MÁRLIO MELO Diretor Administrativo DIÁRIODECOMUNICAÇÕES LTDA. C.N.P.J: 02.401.125/0001-59 Administração, Redação e Publicidade Avenida Coriolano Jucá, 456 - Centro CEP 68900-101 Macapá (AP) - Fone: 96-3084-2216 www.diariodoamapa.com.br COMPROMISSOCOMANOTÍCIA E screvi diversos artigos apresentando livros que tratam da proximidade entre a Septuaginta (LXX) dos originais hebraicos, enquanto que o Antigo Testamento dos católicos, judeus e protestantes sofreram alterações significativas. Não custa lembrar que os primeiros cristãos utilizavam a LXX. Outro livro importante e que agrega diversos autores é o "e Oxford Handbook of the Septuagint" que tem o capítulo 18, "Jeremiah, Baruch", de Matthieu Richelle. Como já expliquei em outros artigos, Jeremias é o livro mais alterado da Bíblia. Orígenes e Jerônimo haviam notado grandes diferenças entre o texto hebraico que conheciam e a versão da Septuaginta. O texto hebraico era bemmais longo e várias passagens estavam ordenadas de forma diferente. Jerônimo confiou na "hebraica veritas" e ignorou a versão grega ao escrever sua própria versão em latim, a versão "iuxta Hebraeos", posteriormente conhecida como Vulgata, que substituiu a Antiga Latina (Vetus Latina). Como consequência, Jerônimo não tra- duziu o livro de Baruque, ao contrário dos ma- nuscritos da Vetus Latina, nos quais ele é parte integrante do livro de Jeremias. Consequente- mente, o estudo acadêmico do Jeremias grego e de Baruque foi negligenciado a partir da Anti- guidade Tardia. A descoberta de fragmentos hebraicos do livro de Jeremias entre os Manuscritos do Mar Morto, alguns dos quais exibindo um texto bas- tante próximo do que seria o modelo hebraico da LXX, deu um novo impulso a esse tipo de es- tudo. Embora isso tenha sido anunciado na década de 1950, foi somente em 1973 que uma edição preliminar dos fragmentos relevantes de Qumran da Caverna 4 foi publicada. A diferença quantitativa entre o Texto Mas- sorético (MT) e a LXX é impressionante, mais de 3.000 palavras do MT, cerca de um sétimo de seu conteúdo, não têm contraparte na LXX. Em muitos casos, trata-se apenas de uma sequência de algumas palavras que não parecem ser de im- portância crucial (cerca de cinquenta ocorrências da fórmula “assim diz o SENHOR”, além de nomes, títulos, etc.), e muitas vezes criam meras repetições no texto. No entanto, mesmo algumas dessas pequenas adições alteram signi- ficativamente o conteúdo do texto ao fornecer informações únicas, por exemplo, a identidade do "rei vindo do norte" que subjugará todas as nações no capítulo 25. Mais importante, adições longas não são raras, e a mais longa (33,14-26 MT) contém 185 palavras. Esse material inevita- velmente tem um impacto qualitativo, na medida em que contém ideias teológicas ou ideológicas e altera a organização literária de seções intei- ras. Porém, algumas partes do livro são quase idênticas em ambas as tra- dições textuais como as “confissões de Jeremias” (Jr 11,18-12,6). As refe- rências a Jeremias em Siracida (Eclesiástico) mostram que o Jeremias da LXX já existia por volta de 130 a.C. A tradução pode ter sido feita na primeira metade do segundo século a.C. em Alexandria. Provavelmente, influenciou o tradutor das Lamentações (primeiro século d.C.), pois muitas traduções significativas de palavras e expressões hebraicas para o grego são as mesmas nesse livro e em Jeremias 1-28. ■ Jeremias de Qumran e da Septuaginta No entanto, mesmo algumas dessas pequenas adições alteram significativamen te o conteúdo do texto ao fornecer informações únicas, por exemplo, a identidade do "rei vindo do norte" que subjugará todas as nações no capítulo 25. O debate sobre a jornada de trabalho tem ganhado espaço nos noticiários brasileiros, refletindo transformações econômicas, sociais e culturais. Cada país, com suas particularidades, adota estratégias que dialogam com suas realidades econômicas e culturais, destacando como o equilíbrio entre eficiência e qualidade de vida pode ser abordado de formas distintas. Na Europa, líderes como Alemanha, França e Itália têm demonstrado que jornadas mais curtas são compatíveis com alta produtividade e crescimento econômico. Com médias semanais abaixo de 37 horas, essas economias provam que o avanço tecnológico e a organização eficiente per- mitem aos trabalhadores entregar mais em menos tempo. Esse modelo não apenas sustenta a competitividade global, mas também proporciona melhor saúde f ísica e mental aos profissionais, em um ciclo virtuoso que associa trabalho e bem-estar. Por outro lado, países como a Grécia, que re- centemente implementaram a semana de seis dias, contrastam com a tendência de redução. Esse mo- delo pode ser interpretado como uma tentativa de alavancar economias menos desenvolvidas em comparação com seus vizinhos europeus, ainda que às custas de maior esforço dos trabalhadores. Na Ásia, o contraste é igualmente marcante. Enquanto potências como a China ainda mantêm jornadas intensas, com média superior a 48 horas semanais, há sinais de mudança. Protestos de jovens contra o regime “996” – das 9h às 21h, seis dias por semana – e intervenções judiciais mostram que, mesmo em economias de alta exigência, a busca por condições de trabalho mais humanas está ganhando força. Em paralelo, empresas locais enfrentam o desafio de equilibrar a competitividade com a necessidade de atrair e reter talentos em um cenário global mais consciente das condições laborais. No Japão, conhecido por uma cultura de trabalho intensiva, políticas recentes incentivam a redução de horas e promovem o chamado “karoshi zero” (fim de mortes por excesso de trabalho). Medidas como dias de folga obrigatórios e flexibilização de horários mostram esforços para mitigar os danos de décadas de jornadas exaustivas. Enquanto isso, países como os Estados Unidos apresentam um mosaico mais flexível. Embora a jornada semanal padrão seja de 40 horas, setores altamente tecnológicos têm experimentado a semana de quatro dias, com resultados promissores. Empresas relatam au- mento na retenção de talentos e na produtividade, indicando que esse modelo pode se expandir em um mercado de trabalho cada vez mais com- petitivo e globalizado. Esses exemplos reforçam que a discussão sobre a jornada de trabalho é universal, mas as soluções precisam ser adaptadas a contextos locais. Países ricos, com maior renda per capita, tendem a reduzir as horas trabalhadas, enquanto nações em desenvolvimento enfrentam o desafio de equilibrar crescimento econômico e qualidade de vida. Independentemente do modelo adotado, o futuro do trabalho exige inovação, adaptação e um olhar mais atento às necessidades humanas. Jornadas mais curtas, alinhadas com a eficiência tecnológica, são mais do que uma tendência: são um caminho para construir sociedades mais justas, produtivas e felizes. Afinal, o progresso não deve ser medido apenas em horas, mas na capacidade de gerar valor para a economia e, sobretudo, para as pessoas. ■ Lições globais sobre jornada de trabalho Enquanto isso, países como os Estados Unidos apresentam um mosaico mais flexível. Embora a jornada semanal padrão seja de 40 horas, setores altamente tecnológicos têm experimentado a semana de quatro dias, com resultados promissores. GREGÓRIOJ.L. SIMÃO E-mail: gregogiojsimao@yahoo.com.br Radialista e estudante de Filosofia E-mail: mariosaturno@uol.com.br Tecnologista Sênior MARIO EUGENIO

RkJQdWJsaXNoZXIy NDAzNzc=