Diário do Amapá - 21/02/2026

| OPINIÃO | DIÁRIO DO AMAPÁ SÁBADO | 21 DE FEVEREIRO DE 2026 2 LUIZ MELO Diretor Superintendente ZIULANA MELO Diretora de Jornalismo Circulação simultânea em Macapá, Belém, Brasília e em todos os municípios do Amapá. Os conceitos emitidos em artigos e colunas são de responsabilidade dos seus autores e nem sempre refletem a opinião deste Jornal. Suas publicações são com o propósito de estimular o debate dos problemas amapaenses e do país. O Diário do Amapá busca levantar e fomentar debates que visem a solução dos problemas amapaenses e brasileiros, e também refletir as diversas tendências do pensamento das sociedades nacional e internacional. MÁRLIO MELO Diretor Administrativo DIÁRIODECOMUNICAÇÕES LTDA. C.N.P.J: 02.401.125/0001-59 Administração, Redação e Publicidade Avenida Coriolano Jucá, 456 - Centro CEP 68900-101 Macapá (AP) - Fone: 96-3084-2216 www.diariodoamapa.com.br COMPROMISSOCOMANOTÍCIA Tecnologista Sênior E-mail: mariosaturno@uol.com.br T irei esses dias de carnaval para escrever ao presidente Lula e aos senadores, deputados e vereadores sobre a Campanha da Fraternidade 2026, promovida pela CNBB, que começou no dia 18 de fevereiro, e traz como tema "Fraternidade e Moradia" e o lema "Ele veio morar entre nós" (Jo 1,14). A campanha visa conscientizar sobre a moradia digna como direito fundamental e combater o déficit habitacional no Brasil, propondo ações concretas e políticas públicas. Sugeri ao presidente que participasse e convidasse os seus, incluindo os amigos bispos e frades para a reunião semanal. Poderiam até fazer via youtube para quem quiser participar. E nem precisa ser católico, podem até os ateus, basta ter boa vontade. Eventualmente, a CNBB convida o CONIC a participar de algumas Campanhas da Fraternidade, o presidente poderia convidar pastores da CONIC e das outras denominações cristãs e não cristãs. Afinal, quem busca a paz mundial, pode agir na paz interna também. O Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC) é uma associação fraterna de Igrejas que reconhecem Jesus Cristo como Deus e Salvador, conforme as Escrituras, participam: Igreja Católica Romana, Igreja Sírian Ortodoxa de Antioquia, Igreja Episcopal Anglicana (Co- munhão Anglicana), Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB), Igreja Presbiteriana Unida (IPU) e Igreja Cristã Reformada. E que o governo federal e os políticos lancem a maior campanha de construção e reformas de moradias. Para um tempo longo: dez anos. Está na hora de cumprir a Constituição e dar uma destinação patriótica para terras e moradias abandonadas: desapropriar, reformar e entregar a quem precise. O foco da CF-2026 é enfrentar o déficit de moradias: (1) 6,2 milhões de famílias necessitam hoje de uma moradia, por estarem em habitação precária, em coabitação ou com aluguel excessi- vamente caro, (2) 26 milhões de famílias moram em situação imprópria (em áreas de risco, sem infraestrutura suficiente), e ainda (3) mais de 300 mil pessoas vivem na rua, número que cresceu expressivamente nos últimos dez anos. O teto é a porta de entrada para a dignidade. Em tempos que a mesquinhez e o egoísmo turvam a mente de muita gente que considera o miserável preguiçoso e indigno de socorro, é preciso fazer dessa Quaresma um tempo de Conversão. É preciso resgatar o que Jerônimo registrou em Latim, "miseratio cardios" (misericórdia): ter coração para a miséria alheia. Inclusive, como fez Lobato com o caipira sem vontade de trabalhar e que virou tema de um medicamento. A Igreja nos oferece diversos documentos para essa reflexão, como o Documento de Puebla (n. 338 e n. 1239), Evangelii Nuntiandi (n. 18-20), Sollicitudo Rei Socialis (n. 17) e a Constituição Sacrosanctum Concilium (n. 110, "a penitência do Tempo Quaresmal não deve ser apenas interna e individual, mas também externa e social"). Explicações bíblicas e seculares estão no Texto Base da CF-2026, baixe na internet e estude, são cem páginas para quebrar a Lógica do Pecado que se instalou em nossa sociedade, que afirma que a Palavra de Deus é coisa de comunista. ■ A Igreja nos oferece diversos documentos para essa reflexão, como o Documento de Puebla (n. 338 e n. 1239), Evangelii Nuntiandi (n. 18-20), Sollicitudo Rei Socialis (n. 17) e a Constituição Sacrosanctum Concilium (n. 110, "a penitência do Tempo Quaresmal não deve ser apenas interna e individual, mas também externa e social"). Moradia, Fé e políticos MARIO EUGENIO É impressionante como o governo Lula parece não aprender com os próprios tropeços. Aliás, tropeços é até um termo gentil. O que temos visto é um desfile de incompetência política misturada com arrogância e, pior, uma completa miopia institucional. A Câmara dos Deputados aprovou a toque de caixa – por esmagadores 346 votos contra 97 – a urgência para votar um projeto que suspende o aumento do IOF, aquele imposto que afeta diretamente as operações financeiras e, por tabela, o bolso de milhões de brasileiros. Uma derrota acachapante, com direito a apoio de partidos que estão com um pé no governo e outro, agora nitidamente, na oposição. Sabe aquele aliado que te abraça e enfia a faca nas costas? Pois é. Se estivéssemos em um regime parlamentarista, como em muitas democracias maduras, o primeiro-ministro – ou seja, o líder político responsável pela articulação, execução e sobre- vivência do governo – já teria pedido as contas ou sido derrubado por uma moção de descon- fiança. Simples assim. Porque não dá pra governar com 346 deputados dizendo "não" de forma tão sonora e unificada. Mas estamos no presidencialismo tupiniquim, onde o presidente acha que governar é mandar recado via ministro, fazer reunião de última hora e distribuir promessas de emenda como se fossem balas de aniversário. Só que a festa acabou. Os deputados, aqueles mesmos que o governo tentou enganar com o jogo das emendas, resolveram dar o troco. E de forma pública, hu- milhante, com direito a transmissão ao vivo. É importante entender o tamanho do recado. Isso não é só sobre o IOF. Isso é sobre a paralisia política que se instalou no Planalto. O Congresso, ressentido com o ritmo de liberação das emendas parlamentares – o famoso toma-lá-dá-cá – re- solveu empurrar o governo pro canto do ringue. E o gancho que veio do STF, na figura do ministro Flávio Dino, cobrando explicações sobre o or- çamento paralelo de R$ 8,5 bilhões, serviu de estopim para uma reação que já vinha fermen- tando há meses. O mais irônico? O governo parece surpreso. Como se a velha política fosse novidade. Como se o preço da governabilidade não fosse cobrado em praça pública, com juros e correção monetária. O Brasil hoje vive um presidencialismo de chantagem, onde o Executivo é refém de um Congresso que não confia mais no governo. O resultado é um país paralisado, com reformas emperradas, medidas provisórias naufragando, e agora, com a possibilidade concreta de o próprio orçamento ser um campo de batalha entre os poderes. E Lula? Lula parece assistir de camarote, confiando que mais uma rodada de negociações de bastidor vai salvar o dia. Spoiler: não vai. O clima político mudou. O capital político do governo está derretendo mais rápido que gelo em asfalto. Se o Brasil fosse um país parlamentarista, o primeiro-ministro teria caído ontem. Mas como não é, o que caiu – de vez – foi a ilusão de que este governo ainda tem algum controle sobre sua própria base. O povo, como sempre, paga a conta. ■ Se fosse parlamentarismo, o primeiro-ministro já teria caído O Brasil hoje vive um presidencialismo de chantagem, onde o Executivo é refém de um Congresso que não confia mais no governo. O resultado é um país paralisado, com reformas emperradas, medidas provisórias naufragando, e agora, com a possibilidade concreta de o próprio orçamento ser um campo de batalha entre os poderes. E-mail: gregogiojsimao@yahoo.com.br Radialista e estudante de Filosofia GREGÓRIOJ.L. SIMÃO

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