Diário do Amapá - 21/02/2026
Folia segura Sob comando do secretário Nico Gonçalves, a segurança foi destaque do Carnaval de São Paulo. A integração das polícias, inteligência e agentes infiltrados nos blocos fez os foliões lotarem as ruas mais a cada dia. Quem também comemora o êxito é Totó Parente, Secretário municipal de Cultura. Somente no pré-carnaval, os voos domésticos para a capital aumentaram 11%. Nas ruas, 2.875 guias de turismo; 1.385 bilíngues. E os juros, Óh… O Instituto Esfera de Estudos e Inovação (Esfera Brasil) publicou no “Journal of Economics and Political Economy” estudo sobre juros em mercados emergentes, redigido pelos economistas Mathias Tessmann, Glauco Fonteles e Fernando Meneguin. O artigo destaca que, embora as correntes econômicas brasileiras divirjam, há um consenso sobre causas e como resolver o problema das altas taxas de juros no País. Rio esquentou A 1ª pesquisa estadual da Prefab Future registrada no TSE neste ano (RJ-00437/2026) mostra que, pela 1ª vez em um ano de série histórica do instituto, o prefeito Eduardo Paes sai de seu teto de 2025, que não passou de 37%: agora atinge 43% das intenções de voto para o Governo. No cenário presidencial, outra novidade é que Flávio Bolsonaro ultrapassa Lula no Estado do Rio, puxado pela boa aprovação do Governo Castro. Calma, doutores Virou piada no Judiciário a decisão do ministro Dias Toffoli, do STF, de segurar na Corte o processo do caso Banco Master porque havia um parlamentar citado nos autos. Nada demais. Era uma oferta de compra de terras na Bahia por um deputado. Os motivos de Toffoli eram outros, agora evidentes. “Quer dizer que oferecer um negócio a banqueiro agora é crime?”, pergunta aos risos um advogado. Ele avisou Em julho passado, em almoço em Búzios, o deputado Rodrigo Bacellar (União) avisou ao senador Flávio Bolsonaro (PL) que Washington Reis (MDB) fecharia palanque com Eduardo Paes (PSD) e Lula da Silva (PT). Bacellar, que exonerou Reis da secretaria de Transporte, afirmava que Reis estaria longe do projeto do governador Cláudio Castro e da direita. Reis oferece a irmã evangélica Jane Reis para vice de Paes ao Governo. Rasante O ano começou bem diferente de janeiro de 2025, quando nos primeiros meses já era notória a farra de voos de jatinhos da Força Aérea Brasileira, para todo lado, com ministros levando dezenas de caroneiros em agendas inventadas pelos assessores para fugir de Brasília. Depois do freio do Comando da Aeronáutica, que levou ao chefe no Palácio a situação e a contenção de despesas para querosene e manutenção, a festa parou. Nestes dois primeiros meses do ano, somente os ministros da Defesa (José Múcio), da Justiça (Wellington César) e os presidentes da Câmara (Hugo Motta) e Senado (Davi Alcolumbre) requereram aviões para agendas pessoais e a trabalho. O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu nesta quinta-feira (19), em Brasília, autorizar a Polícia Federal (PF) a retomar as investigações sobre fraudes no Banco Master. A decisão foi tomada uma semana após o ministro Dias Toffoli deixar o comando do caso e Mendonça assumir a relatoria do inquérito que tramita na Corte. Segundo Mendonça, a PF poderá retomar as perícias e outras diligências necessárias como a coleta de depoi- mentos. “A adoção do fluxo ordinário de trabalho pericial da instituição [e] a realização de diligências ordinárias que se façam eventualmente necessárias - como, por exemplo, a oitiva de investigados e testemunhas nas dependências da Polícia Federal - estão autorizadas”, decidiu o ministro. Perícias Mendonça também autorizou a PF a compartilhar in- ternamente as informações da investigação para agilizar o trabalho de perícia. A Polícia Federal informou ao ministro que está reali- zando perícia em cerca de 100 dispositivos eletrônicos e pediu que o material seja compartilhado com outras áreas da corporação para finalizar o trabalho. De acordo com a PF, somente um perito levaria cerca de 20 semanas para verificar o material apreendido. Ao analisar o pedido, Mendonça autorizou o compar- tilhamento de informações dentro da PF, mas disse que o sigilo deverá ser mantido. “Somente as autoridades policiais e agentes diretamente envolvidos na análise e condução dos procedimentos reci- procamente compartilhados é que devem ter conhecimento das informações acessadas, o que lhes impõe o dever de sigilo profissional, inclusive em relação aos superiores hie- rárquicos e outras autoridades públicas”, completou. Antes da decisão do ministro André Mendonça, o antigo relator, Dias Toffoli, indicou os peritos que deveriam realizar as perícias e restringiu o acesso aos dados. ■ TRABALHO PERICIAL Ministro do STF autoriza PF a retomar investigação do caso Master A Receita Federal exonerou nesta quin- ta-feira (19) um auditor fiscal que ocupava função de chefia na Delegacia do órgão em Presidente Prudente (SP). A dispensa foi publicada no Diário Oficial da União e não apresenta justificativa formal. O servidor era chefe da Equipe de Gestão do Crédito Tributário e do Direito Creditório e foi um dos alvos de operação da Polícia Federal que investiga acessos indevidos a dados fiscais de ministros do Supremo Tri- bunal Federal (STF) e de familiares dos mi- nistros. A ação foi autorizada pelo ministro Ale- xandre de Moraes e apura possíveis consultas irregulares a informações protegidas por sigilo fiscal. Ao todo, quatro servidores são investigados. Segundo o jornal do Estado de S.Paulo, o auditor teria acessado dados ligados a uma ex-enteada do ministro Gilmar Mendes. Conforme a publicação, o servidor afirmou, em depoimento, que a consulta ocorreu por engano, alegando ter confundido a identidade da pessoa pesquisada. Apesar da justificativa, o servidor foi alvo de mandado de busca e apreensão e teve medidas cautelares impostas, como uso de tornozeleira eletrônica, afastamento das funções públicas e entrega do passaporte. Defesa Em nota divulgada nesta quinta-feira, a defesa do auditor negou qualquer conduta ilícita. As advogadas que o representam afir- maram que o servidor possui “reputação ili- bada” e que nunca respondeu a processo disciplinar ao longo da carreira na Receita Federal. A defesa também informou que ainda não teve acesso integral aos autos da inves- tigação e, por isso, não comentaria detalhes do caso. Reação de entidades A operação provocou reação de entidades representativas da categoria. A Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (Unafisco Nacional) afirmou, em nota, que auditores fiscais não podem ser transformados em “bodes expiatórios” em meio a crises institucionais e criticou a adoção de medidas cautelares consideradas severas antes da conclusão das apurações. O Sindicato dos Auditores-Fiscais da Receita Federal (Sindifisco Nacional) declarou que vê compreocupação o suposto vazamento de informações, mas ressaltou que o acesso motivado a dados sigilosos faz parte da rotina de trabalho dos auditores. Segundo a entidade, eventual divulgação indevida de informações deve ser punida, mas o direito ao contraditório e à ampla defesa precisa ser preservado. Auditoria interna A Receita Federal informou que instaurou auditoria interna após solicitação do Supremo. Em nota na terça-feira (17), o órgão admitiu acessos indevidos a dados de ministros do STF e de familiares. O Fisco afirmou que a apuração envolve dezenas de sistemas e con- tribuintes e que eventuais desvios identificados foram comunicados ao relator do caso. ■ SEM CONTRADITÓRIO RECEITA EXONERA AUDITOR ALVO DE OPERAÇÃO DA POLÍCIA FEDERAL V Foto/ Marcelo Camargo/Agência Brasil ESPLANADA |OPINIÃO | DIÁRIO DO AMAPÁ SÁBADO | 21 DE FEVEREIRO DE 2026 5 ComWalmor Parente (DF), BethPaiva (RJ) eHenrique Barbosa (PE) E-mail: reportagem@colunaesplanada.com.br LEANDRO MAZZINI PODER , POLÍTICAEMERCADO
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