Diário do Amapá - 22 e 23/02/2026

LUIZ MELO Diretor Superintendente ZIULANA MELO Diretora de Jornalismo Circulação simultânea em Macapá, Belém, Brasília e em todos os municípios do Amapá. Os conceitos emitidos em artigos e colunas são de responsabilidade dos seus autores e nem sempre refletem a opinião deste Jornal. Suas publicações são com o propósito de estimular o debate dos problemas amapaenses e do país. O Diário do Amapá busca levantar e fomentar debates que visem a solução dos problemas amapaenses e brasileiros, e também refletir as diversas tendências do pensamento das sociedades nacional e internacional. MÁRLIO MELO Diretor Administrativo DIÁRIODECOMUNICAÇÕES LTDA. C.N.P.J: 02.401.125/0001-59 Administração, Redação e Publicidade Avenida Coriolano Jucá, 456 - Centro CEP 68900-101 Macapá (AP) - Fone: 96-3084-2216 www.diariodoamapa.com.br COMPROMISSOCOMANOTÍCIA |OPINIÃO | DIÁRIO DO AMAPÁ DOMINGO E SEGUNDA-FEIRA | 22 E 23 DE FEVEREIRO DE 2026 2 U m jovem caminhava com um dos seus amigos. Enquanto caminhavam, encontraram um par de sapatos velhos ao lado da trilha. Vendo um traba- lhador próximo, entenderam que os sapatos pertenciam a ele. O homem estava acabando seu trabalho daquele dia. Voltando-se para o amigo, o jovem sugeriu: - Vamos pregar uma peça no velho. Vamos esconder os sapatos dele, depois ficamos atrás destes arbustos e observar a reação dele. - Você acha mesmo que devemos fazer isso?Perguntou o amigo. Por que não surpreendemos o idoso colocando algum dinheiro em cada sapato e depois ob- servamos sua reação quando o encontrar? Ooutro jovemnão ficou entusiasmado, mas acabou concordando com a ideia. Quando o pobre homem concluiu o seu trabalho e calçou os sapatos, sentiu alguma coisa diferente por dentro. Surpreso, viu o dinheiro e se ajoelhou para a gradecer a Deus por ter provido ajuda para sua família tão necessitada. -Você não se sente mais feliz, por ter ajudado um velho trabalhador, em vez de ter-lhe pregado uma peça? Cochichou o amigo. O jovem concordou. Neste Segundo Domingo do Tempo Comum, encontramos uma página tra- dicional de começo deste tempo litúrgico: as chamadas “bodas de Caná”. Nela aparece o primeiro dos “sinais” que servem, do jeito próprio do evangelista João, para fazer conhecer quem é Jesus. Uma página, aparente- mente narrativa, mas tão cheia de símbolos e referências ao Antigo Testamento que, se não forem levadas em conta, podem esvaziar a beleza do texto e reduzi-lo ao “milagre” da água transformada em vinho. O primeiro “símbolo”, ou figura, é o próprio casa- mento por ser uma “aliança” entre duas pessoas que se acolhem entre si, porque se amam. Essa é uma comparação antiga, cara aos profetas, do amor prefe- rencial que Deus tem como povo eleito. Agora, porém, algo “velho” acabou (“não tem mais vinho”) e algo “novo” está começando. Com a imagemdo casamento, o evangelista João anuncia a “nova” aliança entre Deus e o seu povo, concluída entre o Filho que o Pai enviou e um povo novo, representado, neste caso, pelos diversos convidados. Entre ele, estão os primeiros dis- cípulos que, por enquanto, assistem à passagem do velho (a água nas talhas de pedra) ao novo (o vinho melhor). Começa, para eles e para nós, se decidimos acompanhar Jesus, o dif ícil caminho da fé, até chegar a “hora” que será aquela da cruz. Esse será o supremo “sinal” do inaudito. Jesus entregará a própria vida. Até esse ponto, chegam a fidelidade, o compromisso e o amor de Deus com o seu povo. Será o “vinho-sangue” da nova aliança. O segundo sinal que envolve Maria, a mulher- mãe, é a “festa” que o vinho melhor, servido depois, não deixa acabar. Esse sinal ilumina o sentido da transformação da água em vinho. A vida de Jesus não será algo fácil, enfrentará provações, infidelidades e a derrota final. Contudo quem crer nele experimentará alegria (Jo 16,22), paz (Jo 16,33) e vida em seu nome (Jo 20,31). A página das bodas de Caná é rica demais. Está posta no início do evangelho como um pedido. O mesmo que Maria falou “aos que estavam servindo”: “Fazei o que ele vos disser” (Jo 2,5). Fazemos - ou deixamos de fazer - tantas coisas por sugestão, convite, imposição dos outros. Às vezes para agradar, outras por obrigação, outras, simplesmente, porque achamos que “todos fazem assim”. Nem sempre pensamos se vale a pena, se é justo, se é bom o que decidimos, ou não, fazer. De maneira especial, me refiro-me ao consumismo, mas poderíamos falar da oração. Deixamos de rezar porque temos coisas mais importantes para fazer ou optamos por ler ou escutar no celular o que outros pensaram e refletiram. Repetimos rezas que outros fazem para nós. É mais fácil que ficar em silêncio, fazer o nosso exame de consciência pessoal e a nossa oração espontânea. O evangelho deste domingo, oferece-nos uma luz interessante: a alegria da festa. Os amigos da historinha, na dúvida entre pregar uma peça ao velho ou fazê-lo feliz, escolheram a segunda opção e ficaram alegres também. O “vinho” do amor e do bem é sempre novo e melhor. ■ DOMPEDROCONTI E-mail: oscarfilho.ap@bol.com.br Bispo de Macapá O segundo sinal que envolve Maria, a mulher-mãe, é a “festa” que o vinho melhor, servido depois, não deixa acabar. Esse sinal ilumina o sentido da transformação da água em vinho. A vida de Jesus não será algo fácil, enfrentará provações, infidelidades e a derrota final. Contudo quem crer nele experimentará alegria (Jo 16,22), paz (Jo 16,33) e vida em seu nome (Jo 20,31). Surpresa nos sapatos O mal que hoje nos domina se chama ignorância. É uma ignorância gene- ralizada na humanidade. Assim sendo, é muito dif ícil se defender do mal e, ao mesmo tempo, fazer uma verdadeira experiência de Deus vivo entre nós. Vejo na nossa Igreja o quanto é dif ícil fazer uma profunda experiência de comunicação. Dá a impressão de que as instituições que fizeram a opção dos meios de comunicação social e se esqueceramde que comunicação émuitomais que isso. A comunicação não pode se reduzir aos meios porque ela é um processo bem amplo, que envolve relação e respeito ao outro. Por causa dessa ignorância, não sabemos viver a verdadeira comunicação, que é vida. Uma verdadeira comunicação que liberta o ser humano e lhe permite adquirir uma melhor e objetiva contemplação da vida na perspectiva de Deus. Vivendo sem comunicação, imergimos no mal e vivemos a mentira, assim, nos afastamos de Deus. O salmo 89 das Sagradas Escrituras nos ajuda a resgatar a verdadeira comunicação entre as pessoas e Deus. “Senhor, fostes nosso refúgio de geração emgera- ção.Antes que se formassem as montanhas, a terra e o universo, desde toda a eternidade vós sois Deus.Re- duzis o homemà poeira, e dizeis: Filhos dos homens, retornai ao pó,porque mil anos, diante de vós, são como o dia de ontem que já passou, como uma só vigília da noite.Vós os arrebatais: eles são como um sonho da manhã, como a erva virente,que viceja e floresce de manhã, mas que à tarde é cortada e seca.Sim, somos consumidos pela vossa severidade, e acabrunhados pela vossa cólera.Colocastes diante de vós as nossas culpas, e nossos pecados ocultos à vista de vossos olhos.Ante a vossa ira, passaramtodos os nossos dias. Nossos anos se dissiparam como um sopro.Setenta anos é o total de nossa vida, os mais fortes chegam aos oitenta. Amaior parte deles, sofri- mento e vaidade, porque o tempo passa depressa e desaparecemos. Quem avalia a força de vossa cólera, emede a vossa ira como temor que vos é devido?En- sinai-nos a bemcontar os nossos dias, para alcançarmos o saber do coração.Voltai-vos, Senhor - quanto tempo tardareis? E sede propício a vossos servos.Cumulai- vos desde amanhã comas vossas misericórdias, para exultarmos alegres em toda a nossa vida.Consolai- nos tantos dias quantos nos afligistes, tantos anos quantos nós sofremos.Manifestai vossa obra aos vossos servidores, e a vossa glória aos seus filhos.Que o beneplácito do Senhor, nosso Deus, repouse sobre nós. Favorecei as obras de nossas mãos. Sim, fazei prosperar o trabalho de nossas mãos.” Esse salmo demonstra que o mal há como grande referência o tempo, a história da humanidade. É nessa história humana que o mal vai dominando. Para compreender isso, tem que entrar na eternidade de Deus: “Mil anos, diante de vós, são como o dia de ontemque já passou”. O salmista diz que o ser humano é tão dependente de Deus que sua ordem o torna pó. Revelando, assim, a transi- toriedade humana. A vida das pessoas é como se fosse um sonho que é interrompido pela morte. Assim sendo, a existência muito frágil e pobre, o autor a compara como a erva que de manhã floresce e a tarde é cortada e seca. Isto mostra como a morte se impõe na nossa vida. Perante tudo isso se levanta um canto fúnebre de todas as pessoas: o que vale a vida, a existência com todas as suas preocupações se o nosso tempo passa depressa e desaparecemos? O autor do salmo insiste que pre- cisamos confiar em Deus porque somente Ele nos pode dar alegria nesses poucos anos de vida que temos a disposição. Anos relativos, onde tudo passa e o tempo marca de maneira implacável a sua corrida. Nós totalmente imergidos nesse tempo, que não faz descontos para ninguém, nos deixamos iludir pela eternidade terrena. Portanto, somos convidados a confiar plenamente em Deus para nos dar sentido a esta existência tão frágil e fugaz. ■ CLAUDIOPIGHIN E-mail: clpighin@claudio-pighin.net Sacerdote e doutor em teologia. Esse salmo demonstra que o mal há como grande referência o tempo, a história da humanidade. É nessa história humana que o mal vai dominando. Para compreender isso, tem que entrar na eternidade de Deus: “Mil anos, diante de vós, são como o dia de ontem que já passou”. Senhor, refúgio de geração em geração

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