Diário do Amapá - 22 e 23/02/2026
ivi nos últimos meses entre a esperança e a apreensão. É que, há alguns meses, Roseana, minha única filha, fruto do meu extremado carinho, do meu amor e da minha admiração, pelo seu talento, pela sua personalidade corajosa e guerreira, deu-me um susto muito grande, quando me comunicou que, num checkup de rotina, fora encontrado um câncer de mama, a necessitar de uma série de exames para diagnosticar sua natureza e seu estado de evolução. Procurei seu médico para obter todas as informações sobre o tumor e suas perspectivas exatas de evolução e cura. Pedi-lhe também que não me sonegasse nada, pois desejava saber exatamente de tudo. Com absoluta since- ridade ele me disse tratar-se de um câncer altamente agressivo, que há alguns anos significava uma curta so- brevivência, mas que, graças aos avanços da medicina, hoje seria possível fazer um tratamento já padronizado, bastante efetivo, mais agressivo, com alguns efeitos paralelos, mas com muito bons resultados. Imediatamente, dois sentimentos me dominaram: o primeiro, de grande apreensão, e o segundo, de grande esperança. A esperança aliada à fé nos traz a certeza. Vi minha mãe professar a fé. Sei que existe ser cristão porque minha mãe era cristã: amava os outros, oferecia a outra face do rosto, sabia quem era o próximo e para ele tinha sempre caridade. Sei a força da oração porque vi minha mãe orar a vida inteira e tudo conseguir orando, anos e anos, dias e noites agarradas às contas do terço e com os olhos “nos olhos do crucificado”. Fui educado, por meu pai e minha mãe, nessa escola. Foi sobretudo dela que me veio o hábito de pedir a Deus sempre que me deparo com esses golpes que a vida nos traz. Mais tarde convivi in- tensamente com Santa Irmã Dulce dos Pobres, que se tornou uma segunda intermediária nessa entrega de nosso destino em Suas Mãos. Assim, como somos uma família que cultiva a fé como dogma, passei esses meses vivendo uma grande apreensão, mas na certeza de que Deus não nos abandonaria e que, pelas mãos competentes e talentosas dos médicos que a assistiam — Dr. Artur Katz, Dr. David Uip, Dr. Roberto Kalil, Dr.ª Marianne Pinotti, Dr. Raul Cutait, Dr.ª Filomena Galas, Dr.ª Cristina Abdalla, Dr.ª Beatrice Abdalla, Dr.ª aís Brandão, Dr. Vitor Dias, Dr. Pedro Henrique Benfatti, Dr.ª Claudia Cozer, Dr. Marcelo Ro- drigues, Dr.ª Marina Sahade e todos os outros médicos e enfermeiros da equipe —, seria restituída sua saúde. Não podemos esquecer o quanto foi comovente a so- lidariedade do povo brasileiro, a começar pelo Maranhão, onde o acompanhamento de sua doença foi um verdadeiro ato de fé, nas orações que foram feitas neste período, nas missas que foram pedidas por seu restabelecimento e nas orações espontâneas dos sacerdotes em diversas igrejas, como tive oportunidade de testemunhar. Sem dúvida esta filha tem-me dado muita alegria. Pelo seu coração bondoso e desempenho tão louvado nos diversos cargos que ocupou e nos quatro mandatos de governadora do Maranhão — primeira governadora eleita do Brasil —, por seu espírito público e pelo que realizou em benef ício do nosso Estado, exercendo sempre funções públicas pelo voto do povo. Agora, Roseana chegou ao fim do seu tratamento, com uma operação muito bem-sucedida. A nossa esperança, que era nossa certeza, só tem agora gestos de gratidão e agradecimentos como tive oportunidade de expor. Omais comovente desses gestos de solidariedade nos veio de Sucupira do Norte, de um pobre homem, cheio de bondade e com grande coração, que, durante todos esses meses, reunia em oração um grupo de fiéis, rogando a Deus e a Nossa Senhora pela saúde de Roseana e, não tendo nada para ofertar, mandou seu coração, que foi um vidro de mel de tiúba, uma abelha selvagem, que tem uma doçura admirável, que ele colheu na mata, e uma lasca de casca de pau-d’arco, para que se fizesse um chá para ajudar na cura. Foi o presente maior e mais puro que recebeu. Enfim, este artigo pode ser considerado uma declaração de gratidão a todos que estiveram e estão solidários com ela, por sua saúde, ao povo maranhense, ao povo brasileiro, aos amigos, aos parentes e a Deus pela graça da sua saúde, do amor e da proteção contra todos os males e pe- rigos. ■ Esperança e fé E-mail: j.sarney@uol.com.br Ex Presidente do Brasil JOSÉSARNEY V ➔ E-mail: luizmello.da@uol.com.br ➔ Instagram: @luizmelodiario© 2018 ➔ twitter: @luizmelodiario RÁPIDAS ● Unanimidade... Já presidente por anos a fio, Michel JK ainda andou fazendo uns temperos por uma nova candidatura à presidência do TCE. Mas Reginaldo Ennes foi mais rápido no gatilho e, bala na agulha, pá! Volta pro jogo de novo dando o baralho. ● Robustez... Com 14 prefeitos ao seu lado, governador Clécio Luís, inegavelmente, consolida uma base municipal robusca estado adentro. E nos bastidores, o recado segue sendo o mesmo: “Mobilização máxima para garantir a continuidade no governo”, recomendam aliados de primeira prateleira. ● Aliança... Caso Furlan venha mesmo a deixar o MDB - possibilidade não descartada, por interesses estranhos, alegam mais íntimos -, o próximo passo será o Podemos, de Rayssa - com ele ao governo e ela ao Senado. E, assim, marido e mulher, em dobradinha, alinhando vida e política na mesma corrida eleitoral, em outubro. ● Esforço... Professora Sandra Casimiro, que até bem pouco tempo era a titular da Seed, agora como secretária de políticas educacionais da mesma pasta, está entre os negociadores com a Unifap para inserção de estudantes das escolas públicas do estado no curso de medicina da instituição de ensino acadêmico. Bálsamo... Recado de ‘mui amigo’ passado pelo boemista conselheiro Vicente Cruz para o inconformado presidente Emanuel Olveira, da rebaixada Pira- tas da Batucada, agora na segunda divisão: “Aceita, mano... Aceita que dói menos”. De confrontos homéricos com Capiberibe, quando governador, ex-presidente Fran Júnior (Alap), agora também transposto para a União, é, atualmente, secretário municipal de Tributos e Arrecadação da gestão Chico Nó, em Mazagão. Sobre nova candidatura, “nem pensar”, diz. ● Longe das urnas... Duro na queda... Ex-prefeito, JH só deu uma vergadinha, mas sem queda brusca. E taí ele de novo, sorrindo orelha a orelha, tipo Sílvio Santos. Parece galho de goiabeira: verga, mas não quebra. De passagem, no Sambódromo, a coluna perguntou ao João Pedro, filho de Waldez/Marília: “E, então, vai às urnas?”. E a resposta veio de bate-pronto: “sim, sim, pode escrever aí”. JP, dos manos, também bons garotos, é o mais carismático deles, inegavelmente. ● Embaraço... Na calada damadrugada, tem candidatura ao Senado sendo virada na frigideira. Foi o que disserampra a coluna, mas, supõe-se, ainda não contarampra ele - a quem, ao invés daquilo, uma vaga a deputado federal, que gênios da política consideram comomais garantida. Quente demais... Se políticos emMacapá ousarembotar ‘voto com- prado´ à luz do sol, certamente vai faltar sombra na praça, né? E longe, muito longe de Kaká Barbosa ser umcaso iso- lado - apenas omais recente à baila. |OPINIÃO | DIÁRIO DO AMAPÁ DOMINGO E SEGUNDA-FEIRA | 22 E 23 DE FEVEREIRO DE 2026 3 FROM / LuizMelo Sim, senhor Quando não somos mais capazes de mudar a situação, somos desafiados a mudar a nós mesmos. Viktor Frankl Neuropsiquiatra austríaco Transparência é um dever básico de quemmanuseia dinheiro público... Flávio Dino “ “ No ar... Empresa de aviação francesa faz tratativas com governo do estado do Amapá para criação ou recriação de linha aérea de transporte de passageiros de Macapá para Caiena, e de lá pra cá, o que seria muito bom, porque também facilitaria ida de amapaenses à Europa, usando a rota da Guiana Francesa. ●
RkJQdWJsaXNoZXIy NDAzNzc=