Diário do Amapá - 25/02/2026

| OPINIÃO | DIÁRIO DO AMAPÁ QUARTA-FEIRA | 25 DE FEVEREIRO DE 2026 2 LUIZ MELO Diretor Superintendente ZIULANA MELO Diretora de Jornalismo Circulação simultânea em Macapá, Belém, Brasília e em todos os municípios do Amapá. Os conceitos emitidos em artigos e colunas são de responsabilidade dos seus autores e nem sempre refletem a opinião deste Jornal. Suas publicações são com o propósito de estimular o debate dos problemas amapaenses e do país. O Diário do Amapá busca levantar e fomentar debates que visem a solução dos problemas amapaenses e brasileiros, e também refletir as diversas tendências do pensamento das sociedades nacional e internacional. MÁRLIO MELO Diretor Administrativo DIÁRIODECOMUNICAÇÕES LTDA. C.N.P.J: 02.401.125/0001-59 Administração, Redação e Publicidade Avenida Coriolano Jucá, 456 - Centro CEP 68900-101 Macapá (AP) - Fone: 96-3084-2216 www.diariodoamapa.com.br COMPROMISSOCOMANOTÍCIA O mundo não muda apenas nas urnas ou nos pregões da bolsa. Ele muda, sobretudo, no espelho. E os Estados Unidos acabam de receber mais um retrato de si mesmos. A Gallup estima que 9% dos adultos norte americanos se identificam como lésbicas, gays, bissexuais, transgêneros ou outra orientação que não a heterossexualidade. O dado foi divulgado em 2025, com base emmais de 13 mil entrevistas telefônicas realizadas ao longo do ano. Não é uma amostra de esquina, é termômetro nacional. O percentual permanece praticamente inalterado em relação a 2024, mas é mais que o dobro dos 3,5% registrados em 2012, primeiro ano em que o instituto passou a medir a incidência LGBTQ+. Também supera os cerca de 7% estimados entre 2021 e 2023. Em pouco mais de uma década, o número mais que dobrou. Não se trata de um detalhe estatístico, é ummovimento estrutural. A grande maioria, 86%, declara-se heterossexual. Outros 5% preferem não responder. Mas o dado que mais chama atenção está dentro dos 9%. Mais da metade desse grupo se identifica como bissexual, o que representa cerca de 5% de toda a população adulta dos Estados Unidos. Em 2020, quando as categorias passaram a ser medidas separadamente, 3,1% dos adultos se declaravam bissexuais. Agora são 5,3%. Crescimento expressivo em apenas cinco anos. Gays representam 17% do universo LGBTQ+, lésbicas 16%, transgêneros 12%, cada qual orbitando entre 1% e 2% do total da população adulta. Outros 6% adotam identidades como queer ou pansexual. A transformação tem idade. Entre adultos commenos de 30 anos, 23% se identificam como LGBTQ+. Quase um em cada quatro. Entre 30 e 49 anos, 10%. Acima dos 50, 3% ou menos. A juventude empurra a curva para cima. E não é apenas juventude, é sobretudo juventude feminina. As mulheres são significativamente mais pro- pensas a se declarar bissexuais do que os homens. Entre os que se identificam como não binários, a maioria também se enquadra como LGBTQ+, especialmente nas categorias bissexual e transgênero. Há também recorte partidário. Democratas sãomuito mais propensos do que republicanos a se identificar como LGBTQ+. Em 2012, 1,5% dos republicanos se declaravam LGBTQ+. Hoje são 1,9%. Entre adultos com 65 anos ou mais, a variação foi de 1,9% para 2,3% no mesmo período. Crescimento tímido. Já entre os jovens adultos atuais, es- pecialmente mulheres, o salto foi vigoroso. Moradores de áreas urbanas aparecem com taxas mais altas que os de áreas suburbanas ou rurais. Entre grandes grupos raciais e étnicos, as taxas são semelhantes. Os números sugerem algo maior do que uma simples mudança comportamental. Indicammudança de ambiente. Em 2012, assumir uma identidade não heterossexual era estatisticamente raro e socialmente mais arriscado. Em 2025, é parte visível da paisagem. A estatística não cria realidade, mas revela o grau de conforto para declará-la. A chamada Geração Z, nascida entre 1997 e 2012, já apresenta quase um quarto de seus adultos identificando-se como algo diferente de heterossexual. À medida que mais integrantes dessa geração atingem a maioridade, a tendência demográfica aponta para crescimento adicional do percentual geral. Não é militância que move a curva, é demografia. O debate público muitas vezes se perde em trincheiras ideológicas, como se números fossem slogans. Não são. São indicadores de transformação cultural profunda. Quando uma sociedade dobra empouco mais de dez anos a proporção de pessoas que se identificam fora da heterossexualidade, ela não está apenas mudando costumes, está redesenhando políticas públicas, estratégias eleitorais, mercado consumidor e até linguagens corporativas. Pode-se discutir causas, pode-se divergir de agendas, mas não se pode ignorar a direção da seta. A América que emerge das entrevistas de 2025 não é a mesma de 2012. O espelho mostra um país mais diverso em autodeclaração, mais jovem na identidade LGBTQ+ e profundamente dividido na leitura política desse fenômeno. No fim das contas, a estatística é menos sobre porcentagens e mais sobre tempo. O tempo que altera mentalidades, amplia espaços e redefine maiorias. Nove por cento pode parecer pouco para alguns e muito para outros. Para a história, é sinal de virada. ■ 9% da população dos EUA se diz lésbica, gay ou afins O debate público muitas vezes se perde em trincheiras ideológicas, como se números fossem slogans. Não são. São indicadores de transformação cultural profunda. Quando uma sociedade dobra em pouco mais de dez anos a proporção de pessoas que se identificam fora da heterossexualidade, ela não está apenas mudando costumes, está redesenhando políticas públicas. GREGÓRIOJ.L. SIMÃO E-mail: gregoriojsimao@yahoo.com.br Radialista e estudante de Filosofia J á expliquei muitas vezes que o aquecimento global acontece na média do ano, mas que tem como efeito colateral o aumento dos extremos, ou seja, frio mais frio e calor de fritar ovo no sol. E também extremos de muita chuva em poucos dias e mais dias de seca. Nenhuma agricultura tem futuro nessas condições, nem a sobrevivência do ser humano. Mas se o bilionário do petróleo falou que não existe, então... Não existe? Em 2020 escrevi um artigo contando os estragos que já aconteciam. E, é claro, os desastres climáticos estão piorando, na média, só no Brasil causaram prejuízos de US$ 5,4 bilhões, cerca de R$ 28 bilhões, em 2025, conforme divulgado pela imprensa sobre o relatório da Aon, consultora de riscos e corretora de seguros do Reino Unido. O ano de 2024 continua pior, quando os eventos extremos provocaram prejuízo de US$ 12 bilhões (R$ 62 bilhões), especialmente pelas enchentes no Rio Grande do Sul, cujo plano de contingência falhou, e os estragos atingiram US$ 5 bilhões. As estimativas consideram impactos à infra- estrutura pública, às propriedades privadas e ao setor produtivo, e interrupções da atividade eco- nômica. A metodologia combina dados de fontes governamentais, seguradoras, órgãos de defesa civil e modelagens de risco catastrófico. Segundo a Aon, o Brasil não está mais no patamar de baixo risco catastrófico, saltou para riscos de perdas bilionárias. As secas foram as que mais causaram estragos, de US$ 4,8 bilhões (R$ 25,1 bilhões), 88% do total. A estiagem afetou principalmente as regiões Centro-Oeste e Sudeste, no agronegócio, geração de energia e abastecimento de água. As tempestades causaram prejuízos de US$ 632 milhões (R$ 3,3 bilhões) e causaram perdas em residências, comércios e infraestruturas do Sudeste e do Sul. As hidrelétricas geraram menos eletricidade, sendo que o segundo menor valor da série histórica aconteceu em agosto de 2025, com 48%, ante a média de 66% do total. Pelo mundo, os prejuízos foram de US$ 260 bilhões (R$ 1,3 trilhão) em 2025, uma queda em relação aos US$ 397 bilhões (R$ 2 trilhões) re- gistrados em 2024 e o menor valor desde 2015. A Aon contabiliza 49 eventos extremos que geraram perdas econômicas no mundo em 2025, superando a média de longo prazo, de 46. Quanto aos desastres cobertos por seguros, a corretora registra 30 ocorrências, quase o dobro das 17 esperadas para o ano. O ano teve desastres extensos, como os incêndios na Califórnia (EUA) em janeiro, que provocaram US$ 58 bilhões em perdas econômicas, além de US$ 41 bilhões em danos segurados, e se tornaram o evento mais caro já registrado no mundo, no país do maior negacionista. No Caribe, apareceu o furacão Melissa em outubro de 2025 e causou um prejuízo de US$ 11 bilhões, sendo US$ 9 bilhões apenas na Jamaica. Uma análise científica do grupo World Weather Attribution apontou que as mudanças climáticas ampliaram o poder destrutivo do fenômeno, com ventos 7% mais fortes do que o esperado. O povo, os vereadores e os prefeitos precisam pressionar seus partidos a serem protagonistas de um mundo em transformação... para pior! ■ Prejuízos climáticos O ano teve desastres extensos, como os incêndios na Califórnia (EUA) em janeiro, que provocaram US$ 58 bilhões em perdas econômicas, além de US$ 41 bilhões em danos segurados, e se tornaram o evento mais caro já registrado no mundo, no país do maior negacionista. MARIO EUGENIO E-mail: mariosaturno@uol.com.br Tecnologista Sênior

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