Diário do Amapá - 26/02/2026

| OPINIÃO | DIÁRIO DO AMAPÁ QUINTA-FEIRA | 26 DE FEVEREIRO DE 2026 2 LUIZ MELO Diretor Superintendente ZIULANA MELO Diretora de Jornalismo Circulação simultânea em Macapá, Belém, Brasília e em todos os municípios do Amapá. Os conceitos emitidos em artigos e colunas são de responsabilidade dos seus autores e nem sempre refletem a opinião deste Jornal. Suas publicações são com o propósito de estimular o debate dos problemas amapaenses e do país. O Diário do Amapá busca levantar e fomentar debates que visem a solução dos problemas amapaenses e brasileiros, e também refletir as diversas tendências do pensamento das sociedades nacional e internacional. MÁRLIO MELO Diretor Administrativo DIÁRIODECOMUNICAÇÕES LTDA. C.N.P.J: 02.401.125/0001-59 Administração, Redação e Publicidade Avenida Coriolano Jucá, 456 - Centro CEP 68900-101 Macapá (AP) - Fone: 96-3084-2216 www.diariodoamapa.com.br COMPROMISSOCOMANOTÍCIA O mundo anda de cabeça para baixo, tropeçando nas próprias con- tradições enquanto discursa sobre paz em auditórios climatizados. Fala-se em estabilidade, em cooperação internacional, em agendas sustentáveis, mas o noticiário diário é um inventário de conflitos. Guerras declaradas cruzam fronteiras com tanques e mísseis, enquanto guerras não declaradas corroem sociedades por dentro, silenciosas, persistentes, lucra- tivas. Ontem foi a vez doMéxico tentar impor uma resposta dura ao narcotráfico ao eliminar um dos chefões ligados ao poderoso Cartel de Jalisco Nueva Generación. O gesto tem peso simbólico e político. Mostra força. Mostra decisão. Mas também escancara o tamanho do inimigo. Porque quando um líder cai, outro assume. O crime organizado não funciona comCPF, funciona com estrutura empresarial, logística global e fluxo de caixa em moeda forte. E essa guerra não respeita bandeiras. O cartel de Jalisco já estendeu seus tentáculos por diversas nações, incluindo o Brasil. O tráfico deixou de ser problema regional para virar cadeia internacional de fornecimento, com rotas, portos, aeroportos e mercados consumidores bem definidos. A globali- zação também serviu ao pó branco e às drogas sintéticas que cabem na palma da mão e destroem em larga escala. O Brasil já vive sua própria guerra silenciosa. Não tem declaração formal nem cobertura cine- matográfica, mas tem estatística fria e caixão fechado. De 2025 para cá, as maiores apreensões de drogas da nossa história recente revelam duas verdades incômodas. A polícia está atuando com mais eficiência. E o volume que circula é gigantesco. Quando se apreende mais, é porque há muito mais em movimento. Pior é perceber que o cardápio do vício se so- fisticou. Já não se trata apenas das drogas tradicionais. Substâncias altamente viciantes, químicas, baratas e devastadoras se espalham com velocidade as- sustadora. São produtos de laboratório, distribuídos com mentalidade de startup criminosa, mirando jovens e periferias com estratégia de mercado. Enquanto isso, parte da sociedade prefere discutir semântica. Se é guerra ou política pública. Se é repressão ou acolhimento. Se a culpa é social ou in- dividual. O debate é necessário, mas a hesitação custa caro. O narcotráfico não hesita. Ele ocupa espaço, corrompe instituições, financia armas, infil- tra-se onde houver brecha. O mundo vive um contrassenso cruel. Combate conflitos externos com discursos inflamados e tolera conflitos internos que corroem sua própria base. Se não houver seriedade, coordenação internacional e firmeza doméstica, continuaremos a assistir a operações espetaculares que eliminam nomes enquanto o sistema permanece intacto. A guerra contra as drogas já é global. Fingir que ela é local é apenas mais uma ilusão confortável em tempos perigosos. ■ TRÁFICO - O inimigo que não declara guerra e ataca o mundo inteiro Enquanto isso, parte da sociedade prefere discutir semântica. Se é guerra ou política pública. Se é repressão ou acolhimento. Se a culpa é social ou individual. O debate é necessário, mas a hesitação custa caro. O narcotráfico não hesita. Ele ocupa espaço, corrompe instituições, financia armas, infiltra- se onde houver brecha. GREGÓRIOJ.L. SIMÃO E-mail: gregoriojsimao@yahoo.com.br Radialista e estudante de Filosofia P essoas que tem posições extremistas, sejam de direita ou de es- querda, tem uma característica em comum: a paixão! E, como sabemos, a paixão cega o intelecto. Não é incomum observar extremistas, que se creem patriotas, defenderem posições que prejudicam a nação, acreditam em líderes "la garantía soy jo". Aliás, pregar a divisão e o ódio aos que pensam diferentes tem um nome perfeito em grego: diábolos! Meus estudos na Universidade Federal de São Carlos foram duros, cheios de dedicação, mas com muita luta e disputa política. Creio que no final de 1981, durante o movimento "Pula Roleta", contra um aumento das tarifas de ônibus (o equivalente ao movimento dos Vinte Centavos de 2013), os partidários da Convergência Socialista, conhecidos por pregarem a luta armada, mostraram toda sua covardia. A empresa de ônibus aumentou muito a passagem, com o aval do prefeito, claro! Para quem não conhece São Carlos, a Federal fica ao lado da rodovia Washington Luís e quase todos os alunos utilizavam esse serviço público. Os alunos, ou melhor, as lideranças convocaram uma assembleia e foi aprovado o movimento Pula-Roleta. Ou seja, ninguém pagava e quando o ônibus chegava à Universidade, abriam a porta de trás e todos desciam sem pagar. Funcionou para os primeiros ônibus, porém, os motoristas avisam seus gerentes, que se or- ganizam com a Polícia e... Pronto! A Polícia Civil utilizou um pátio do Detran, próximo da Universidade e montou o seu Comando. Os ôni- bus começaram a ir para lá. Dentro de um estava eu. Olhei pela janela e vi dezenas de ônibus, todo o horizonte visível repleto. Então subiu o Delegado e disse simplesmente: quem não pagar, vai preso! Dois estudantes, que eram da Con- vergência Socialista, disseram que eram visados porque eram “revolucionários” e não poderiam ser presos. Pagaram! E abandonaram seus “li- derados”. Nos demais ônibus ocorreu o mesmo. Todos os estudantes ficaram mudos. Estarrecidos. E perplexos! Aquilo não era precaução, aquilo era covardia! Espiei novamente pela janela, não contive um largo sorriso e expressei: quero ver prender toda essa gente! Todos começaram a rir. Riso nervoso, sem dúvida! O movimento acabou bem, ninguém foi preso. Os convergentes foram vaiados por vários anos pela covardia. Foi muito bom confrontar as “autoridades” e lutar por uma causa. Porém, naquela tarde, duas estudantes foram atropeladas na rodovia. Foi um dia muito triste... Agora, é a hora de testemunharmos a covardia dos destro-extremistas. Esses bolsonaristas, que de patriotas nada têm, fugiram em massa quando foram condenados, 65 só para a Argentina. Outros mais graúdos fugiram para o primeiro mundo, como a Carla Zambelli, Allan dos Santos e, agora, o Alexandre Ramagem. Poderiam mostrar coragem como muitos lulistas, por exemplo, o Zé Dirceu, ou o próprio Lula que ao serem condenados, não fugiram, entregaram sua liberdade, uma atitude cidadã e patriótica! Mas o que esperar dessa direita quando seu líder está fortão para disputar eleição, mas debilitadíssimo para cumprir sentença? ■ Extremistas, pero no valientes! Agora, é a hora de testemunharmos a covardia dos destro- extremistas. Esses bolsonaristas, que de patriotas nada têm, fugiram em massa quando foram condenados, 65 só para a Argentina. Outros mais graúdos fugiram para o primeiro mundo, como a Carla Zambelli, Allan dos Santos e, agora, o Alexandre Ramagem. MARIO EUGENIO E-mail: mariosaturno@uol.com.br Tecnologista Sênior

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