Diário do Amapá - 26/02/2026
FALECOM0COMERCIAL E-mail: comercial.da@bol.com.br site: www.diariodoamapa.com twitter: @diariodoamapa Instagram: @diariodoamapa ECONOMIA | ECONOMIA | DIÁRIO DO AMAPÁ 7 QUINTA-FEIRA | 26 DE FEVEREIRO DE 2026 Os juros médios para as famílias e empresas conti- nuaram subindo em janeiro deste ano. Para as pes- soas f ísicas, a taxa média de juros alcançou 61% ao ano, com acréscimos de 0,9 ponto percentual (p.p.), no mês, e de 6,7 p.p., em 12 meses, de acordo com as Estatísticas Monetárias e de Crédito, divulgadas nesta quarta-feira (25), pelo Banco Central (BC). Um dos destaques é a elevação da taxa das operações de cartão de crédito parcelado, com alta de 6,8 p.p., no mês, e de 17,7 p.p., em 12 meses, alcançando 194,9% ao ano. Após 30 dias de utilização do crédito rotativo, as ins- tituições financeiras parcelam a dívida do cartão de crédito seguindo essa modalidade de juros. Ainda assim, a carteira de cartão de crédito rotativo ainda opera com os juros mais elevados do mercado. Apesar do recuo de 13,7 p.p., no mês, e de 26,3 p.p., em 12 meses, a taxa do cartão rotativo ficou em 424,5% ao ano em janeiro. O crédito rotativo dura 30 dias e é tomado pelo con- sumidor quando paga menos que o valor integral da fatura do cartão de crédito. Ou seja, contrai um empréstimo e começa a pagar juros sobre o valor que não conseguiu quitar. Outros destaques nas operações para pessoas f ísicas, em janeiro, são as altas nas taxas de crédito pessoal não consignado (1,5 p.p.), financiamento para aquisição de veículos (1,3 p.p.) e crédito pessoal consignado para tra- balhadores do setor privado (1,2 p.p.). No caso das operações com empresas, a taxa média situou-se em 25,2% ao ano no fim de janeiro, com acréscimo de 1,6 p.p., no mês, e 1,1 p.p., em 12 meses. Em janeiro, esse desempenho foi influenciado, basi- camente, pelo aumento sazonal das taxas médias de des- conto de duplicatas e outros recebíveis (0,9 p.p.) e pelo incremento de outras modalidades, como capital de giro com prazo superior a 365 dias (1,8 p.p.), cheque especial (25,9 p.p.) e cartão rotativo (63,9 p.p.). Essas são as taxas no crédito livre, nas quais os bancos têm autonomia para emprestar o dinheiro captado no mercado e definir as taxas de juros cobradas dos clientes. Já o crédito direcionado ─ com regras definidas pelo governo ─ é destinado basicamente aos setores habita- cional, rural, de infraestrutura e ao microcrédito. ■ DÍVIDAS Juros subiram para famílias e empresas em janeiro, mostra BC ● O s juros altos impediram a queda da Dívida Pública Federal (DPF) em janeiro, mesmo com grande vencimento de papéis prefixados. Segundo números divulgados nesta quarta-feira (25) pelo Tesouro Nacional, a DPF passou de R$ 8,635 trilhões em dezembro para R$ 8,641 trilhões no mês passado, alta de 0,07%. Emagosto do ano passado, o indicador superou pela primeira vez a barreira de R$ 8 trilhões. De acordo com o Plano Anual de Financiamento (PAF), divulgado em ja- neiro, o estoque da DPF deve encerrar 2026 entre R$ 9,3 trilhões e R$ 10,3 tri- lhões. ADívida PúblicaMobiliária (emtítulos) interna (DPMFi) avançou 0,26%, passando de R$ 8,309 trilhões emdezembro para R$ 8,33 trilhões em janeiro. No mês passado, o Tesouro resgatou R$ 67,02 bilhões em títulos amais do que emitiu, principalmente em papéis vinculados à Selic. Esse resgate líquido, no entanto, foi compensado pela apropriação de R$ 88,53 bilhões em juros. Por meio da apropriação de juros, o governo reconhece, mês a mês, a correção dos juros que incide sobre os títulos e in- corpora o valor ao estoque da dívida pública. Com a Taxa Selic (juros básicos da econo- mia) em 15% ao ano, a apropriação de juros pressiona o endividamento do go- verno. No mês passado, o Tesouro emitiu R$ 145,87 bilhões em títulos da DPMFi. No entanto, como alto volume de vencimentos de títulos prefixados em janeiro, típicos do iníciode cada trimestre, os resgates somaram R$ 212,89 bilhões. ADívidaPública Federal externa (DPFe) caiu 4,75%, passando de R$ 326,07 bilhões em dezembro para R$ 310,59 bilhões em janeiro. O principal fator foi o recuo de 4,95% do dólar no mês passado, em meio ao alívio no mercado financeiro no último mês. Colchão Pelo segundo mês seguido, o colchão da dívida pública (reserva financeira usada em momentos de turbulência ou de forte concentração de vencimentos) caiu. Essa reserva passou de R$ 1,187 trilhão em de- zembro para R$ 1,085 trilhão no mês pas- sado.Oprincipalmotivo, segundooTesouro Nacional, foi o resgate líquido (resgates menos emissões) no mês passado. Atualmente, o colchão cobre 6,77meses de vencimentos da dívida pública, omenor prazo desde março do ano passado. Nos próximos 12 meses, está previsto o venci- mento de R$ 1,424 trilhão em títulos federais. A expectativa é que as reservas subam nos próximos meses, por causa do baixo volume de vencimentos. Composição Como forte vencimento de títulos pre- fixados, a composição da DPF variou da seguinte forma de dezembro para janeiro: Títulos vinculados a Selic: 48,25% para 49,42%; Títulos corrigidos pela inflação: 25,93% para 26,35%; Títulos prefixados: 22,05% para 20,65%; Títulos vinculados ao câmbio: 3,76% para 3,58%. O PAF prevê que os títulos encerrarão o ano nos seguintes intervalos Títulos vinculados a Selic: 46% a 50%; Títulos corrigidos pela inflação: 23% a 27%; Títulos prefixados: 21% a 25%; Títulos vinculados ao câmbio: 3% a 7%. Normalmente, os papéis prefixados (comtaxas definidas nomomento da emis- são) indicam mais previsibilidade para a dívida pública, porque as taxas sãodefinidas com antecedência. No entanto, em mo- mentos de instabilidade no mercado fi- nanceiro, as emissões caem porque os in- vestidores pedem juros muito altos, que comprometeria a administração da dívida do governo. ■ DÍVIDA PÚBLICA FICA PRATICAMENTE ESTÁVEL, MAS SUPERA R$ 8,6 TRILHÕES DPF V Foto/ Marcello Casal JrAgência Brasil
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