Diário do Amapá - 01 e 02/03/2026

ENTREVISTA COMPOSITOR |ENTREVISTA | DIÁRIO DO AMAPÁ DOMINGO E SEGUNDA-FEIRA | 01 E 02 DE MARÇO DE 2026 14 Menestrel da nação negra do Laguinho destaca evolução do carnaval amapaense, exalta a comunidade e relembra homenagem na Sapucaí C leber Barbosa – Olha só, que honra estar aqui na casa de Francisco Lino da Silva, o nosso Mestre Lino, menestrel da nação ne- gra do Laguinho e campeão do carnaval deste ano com o Boêmios do Laguinho. Mestre, obrigado por nos receber. O senhor esteve na Diário FM recente- mente e hoje a gente retribui a visita? Mestre Lino - Eu que agradeço. É um prazer dar entrevista para uma das maiores rádios do Amapá. A casa está sempre aberta. Cleber Barbosa – Este ano o senhor não desfilou aqui em Macapá porque estava no Rio de Janeiro, homenageado pela Estação Primeira de Mangueira. Como foi viver o carnaval na Sapucaí? Mestre Lino - Foi uma emoção muito grande. É um carna- val diferente, que mexe com a gente. A gente ainda tem muito a aprender com as escolas do Rio. Lá tudo é planejado com antecedência. Mas digo que as nossas escolas também podem chegar nesse nível, desde que haja organização e compromis- so. Cleber Barbosa – Quando saiu o resultado da apu- ração aqui em Macapá, o senhor já estava de volta? Mestre Linos - Já estava. Acompanhei pela televisão e pela rádio. Foi uma alegria enorme. O Boêmios fez um grande desfile. No ano passado perdemos no critério de desempate. Este ano foi sem contestação. A escola passou e foi aplaudida. Cleber Barbosa – Muitos analistas elogiaram o ní- vel do carnaval deste ano. Alegorias bem acabadas, sem ferragens aparentes, organização melhor. O senhor também percebeu essa evolução? Mestre Lino - Percebi, sim. Isso é fruto de aprendizado. Uma alegoria precisa ter acabamento perfeito. O repasse an- tecipado ajudou muito, porque os carnavalescos puderam comprar material antes. O resultado apareceu na avenida. Cleber Barbosa – O senhor já exerceu praticamen- te todos os cargos na escola, não é? Mestre Lino - Só não fui passista (risos). Já fui ritmista, aderecista, já fiz de tudo um pouco. Mas minha maior contri- buição é como compositor. Já são 35 sambas-enredo cantados na avenida, fora os que a gente nem lembra mais. Minha filha está até organizando um acervo para catalogar tudo. Cleber Barbosa – E como é o processo de composi- ção? É mais técnica ou inspiração? Mestre Lino - É a união dos dois. Primeiro vem a técnica, porque a gente precisa estudar a sinopse da escola e escrever dentro do enredo. Depois vem a inspiração. E cantar o samba na avenida, ouvir a comunidade cantando junto, é a maior re- compensa. Cleber Barbosa – O carnaval também movimenta a economia e depende muito da comunidade, não é? Mestre Lino - Sem comunidade não existe carnaval. Quem faz a festa é o povo. Aqui no Laguinho e no Perpétuo Socorro muita gente ajuda sem pedir nada em troca. Somos um bairro pequeno, com escolas próximas umas das outras, mas cada um puxando a sardinha para sua brasa (risos). E isso faz par- te. Cleber Barbosa – O senhor é botafoguense assumi- do. Aproveitou a ida ao Rio para visitar General Se- veriano? Mestre Lino - General Severiano eu já conhecia. Ainda não fui ao Engenhão, mas assisti jogo pela televisão. O coração é alvinegro. Cleber Barbosa – Para fechar, o que o carnaval re- presenta na sua vida? Mestre Lino - Representa tudo. Está no sangue. Como um dos fundadores do Boêmios, eu continuo fazendo o que pu- der pela escola. Enquanto tiver saúde, estarei aqui. O carnaval é cultura, é economia, é identidade. Cleber Barbosa – O carnaval também movimenta a economia e depende muito da comunidade, não é? Mestre Lino - Sem comunas). E isso faz parte. ■ Cleber Barbosa – O carnaval também movimenta a economia e depende muito da comunidade, não é? Mestre Lino - Sem comunas). E isso faz parte. ■ Reportagem: CLEBER BARBOSA PERFIL Francisco Lino da Silva é umrenomado compositor, sambista e fundador da escola de samba Boêmios do Laguinho, noAmapá, reconhecido como umdos grandes nomes emenestréis do samba na região. Commais de 90 anos, sua trajetória é celebrada pela resistência cultural e contribuição à identidade amapaense. Principais detalhes sobre Francisco Lino da Silva: -Atuação Cultural: Conhecido como um dos fundadores e guardião das tradições da escola Boêmios do Laguinho.Homenagen s: Possui o "Theatro do Samba Francisco Lino da Silva" nomeado em sua honra, espaço que é um centro de memórias e tradições.Reconheci mento: Recebeu prêmios como o "Bambas do Samba" em 2025, celebrando sua trajetória e contribuição ao samba brasileiro.O "Menestrel": Referido como o "Menestrel da Nação Negra" e uma voz importante para a cultura do Amapá. A casa de Mestre Lino, no Laguinho, virou ponto de referência cultural. Uma placa na frente indica o endereço como se fosse atração turística — e de certa forma é. Ali moram memórias, fotografias, sambas históricos e a trajetória de um homem que ajudou a escrever capítulos importantes da folia amapaense. Ao final da conversa, o mestre retribui o carinho: “Você é dedicado. Parabéns pelo trabalho”. E assim, entre lembranças e projetos, o menestrel da nação negra segue firme, com a mesma paixão de sempre. Francisco Lino “As nossas escolas de samba também podem alcançar o nível do Rio de Janeiro”

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