Diário do Amapá - 01 e 02/03/2026

ma GuerraNuclear é omaior pesadelo daHumanidade. Ela tem o potencial de destruir a vida sobre a face da Terra, de maneira direta ou indireta, seja pela conta- minação de bilhões de pessoas, seja pela destruição da in- fraestrutura necessária à produção e distribuição de alimentos aos sobreviventes, seja pelo inverno nuclear, cujas alterações na atmosfera terrestre tornariam inviável toda forma de vida. Presidente do Brasil de 1985 a 1990, determinei em meu governo o fim de toda pesquisa de artefatos nucleares comfins militares. Aomesmo tempo estabeleci, emparceria comRaúl Alfonsín, Presidente da Argentina, uma cooperação no desenvolvimento nuclear comfins pacíficos. Finalmente, por proposta de nossos dois países, Brasil e Argentina, em 1986, durante a III Sessão Especial da Assembleia Geral daONU sobre Desarmamento foi aprovada, coma Resolução no 41/11, a Zona de Paz e de Cooperação do Atlântico Sul, que tornou a região livre de armas nucleares e de destruição em massa. Os acordos sobre mísseis nucleares têm uma longa história. Desde os SALT e START até o Tratado deMoscou e o New START, de 2010, Estados Unidos e Rússia têm examinado a redução de armas nucleares estratégicas, en- quanto o INF, de 1988, baniu as armas de alcance interme- diário. Infelizmente, em 2019, os Estados Unidos deixaram o INF e, agora em 2026, expirou o New START. Não há mais acordo para limitar suas armas nucleares. Assim, na última década, tivemos um retrocesso no controle das armas nucleares, que são perigosas demais para esgotar-se nas negociações entre os dois países, pois afetam toda a Humanidade. É doutrina inconcebível a segurança de alguns pela in- segurança de todos. A tarefa da salvação é de todos, sem exclusão de ninguém. Oenfraquecimento domultilateralismo é danoso à causa da paz. O desarmamento, por maiores que sejam os arsenais das grandes potências, não pode ser apenas uma discussão a dois. A natureza e tudo que vive estão no âmago desta questão. Não é a arte da guerra. É a questão transcendente da vida, não como um bem individual, mas filosófico, coletivo, que é ameaçado, desde o pobre índio da Amazônia, desde a mais pequenina flor adormecida, cultivada com dificuldade, até toda a riqueza acumulada pelos homens, nos países e nos continentes. A destruição total não escolhe entre ricos e pobres. Ceifa o gênero humano. A morte a invadir seres e coisas. O silêncio eterno. Estou profundamente preocupado e com medo das consequências depois que esse acordo nuclear entre Estados Unidos e Rússia teve seu prazo vencido sem que as duas potências o renovassem. Isso representa, sem dúvida, uma grande ameaça para a Humanidade, que se vê, uma vez mais, exposta ao abismo da incerteza. Não é que tenhamos algum conflito iminente a nos apontar para um conflito nuclear, que se tenha nesse vácuo uma sedução para o uso desse dédalo final, mas subsiste o medo de que qualquer conflito no futuro conduza a Terra a uma catástrofe absoluta. Nesse sentido me dispus a escrever esse artigo movido pelo ideal pacifista, cumprindo com meu dever de cons- ciência, uma vez que ao longo da vida sempre me posicionei contra o uso de armas nucleares, na esperança de que minhas palavras ecoem em outros espíritos com este mesmo ideal. Por mim não existiria nenhuma arma nuclear na face da Terra, pois enquanto tivermos um artefato nuclear o mundo não estará tranquilo. E a espécie humana, sempre ameaçada. Pelo bem da Humanidade, que os Presidentes Donald Trump e Vladimir Putin voltem a conversar e acordar tra- tados pela progressiva redução dos seus arsenais nuclea- res. A Humanidade passaria a dever aos dois presidentes a coragem de romper barreiras e começar de maneira efetiva um programa de desarmamento; que não pode parar e que deve continuar, para que se rompa essa teoria satânica de que a paz é o equilíbrio do terror. Tenho autoridade para me manifestar dessa maneira por ter sido, com Raúl Alfonsín, o Estadista das Américas, responsável pela exclusão das Armas Nucleares, o que tornou a América Latina como a primeira zona densamente habitada do mundo a ser oficialmente livre de armas nu- cleares. Não às armas. Tudo pela Paz. ■ Não às Armas E-mail: j.sarney@uol.com.br Ex Presidente do Brasil JOSÉSARNEY U ➔ E-mail: luizmello.da@uol.com.br ➔ Instagram: @luizmelodiario© 2018 ➔ twitter: @luizmelodiario RÁPIDAS ● Nada de vice... O casal Luciana e Vinícius Gurgel quer protagonismo. Com ela - inclusive, já no secretariado de Furlan -, tentando recuperar o mandato de deputada estadual perdido em 2022. E ele, claro, em busca da reeleição à Câmara Federal. ● Arranque... Fiel escudeira de Davi, Alliny Serrão teria desistido de buscar reeleição a estadual para se dedicar em tempo integral à reeleiçao de Clécio ao Setentrião. Mas ela na linha de frente e, segundo números, já dando muito certo, pelo crescimento já registrado - na cidade, principalmente, admitem aliados. ● Amapá mais forte... “Gente, a minha satisfação é de fazer emBrasília que a vida do Amapá mude”. Promessa do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que neste sábado, 28, passa o dia inteiro em Tartarugalzinho, pilotando o projeto ‘Maratonando Municípios’ - com aliados e de olho na reeleição de Clécio, em outubro. ● Maismais... Rodolfo Vale já é, oficialmente, o titular da vaga, porque Paulo Nogueira renunciou cadeira de deputado estadual, posição na qual Rodolfo figura como suplente. Agora, já no exercício do mandato, há quem diga que ele vai ser o deputado mais votado da história do Amapá, em outubro. De grão emgrão... Até agora, o único prefeito que deve apoiar Fur- lan ao governo é Júnior Mourõ, de Cutias do Araguari. Hoje é um, mas amanhã pode apare- cer mais gente. Ou não. E é assim., movimento por movimento, que o jogo vai se revelando até outubro. Clécio Luís vai à reeleição com um ativo claro: a articulação de Davi Alcolumbre. É dele [Davi] a costura que resultou no maior arco de alianças em torno do projeto de reeleição do governador - ummovimento planejado pra chegar forte e competitivo em outubro. ● Tricotagem Tremde pouso... Com Lucas e Rayssa já com chão marcado, de re- pente começa a faltar pista para o emedebista Acácio Favacho pousar com sua candidatura ao Senado. “Mas alternativas, em outros chãos, não faltam”, garantem aliados. Capiberibe, que tem por hábito enrolar o bigode, faz agora com mais frequência sempre que o perguntam se ainda vai às urnas ou segue no empreendedorismo, no ramo de produção de vinho de açaí. Mas, responde, tangeando: “só falo em junho”. E ponto final. ● Nunquinha... Já no gabinete civil de Clécio, no Setentrião, David Covre descarta num papo commais pró- ximos: sequer sonha de repente enveredar pela política como candidato. E que a missão a cum- prir aqui e agora é ajudar Clécio a se reeleger governador, sublinhou o ex-Seinf. Sei não... Jaime Nunes foi inaugurar loja doMaracá, emSan- tana. Trocoumimos comClécio, convidado ilustre, e, no vai e vemda conversa, de repente o nome dele sob insi- nuação para tambémentrar no jogo da reeleição. De vice , quem sabe? E um largo sorriso, como resposta. |OPINIÃO | DIÁRIO DO AMAPÁ DOMINGO E SEGUNDA-FEIRA | 01 E 02 DE MARÇO DE 2026 3 FROM / LuizMelo Suspense... O artista tem que ser gênio para alguns e imbecil para outros. Se puder ser imbecil para todos, melhor ainda. Nelson Rodrigues Escritor e Jornalista brasileiro Tô de olho, Lula... Dessa vez te pego! Flávio Bolsonaro “ “ Samba no pé e no gogó.... Já com 90tinha no costado, Franciscco Lino, ‘Mestre Lino no carnavalesco’, foi pra avenida sim, senhor,!, pra ver e sambar com o seu Boêmios do Laguinho. Detalhe histórico: Lino é o único fundador vivo da Boêmios do Laguinho e autor de vários sambas-enredo que marcaram a história do carnaval amapaense.

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