Diário do Amapá - 03/03/2026

| OPINIÃO | DIÁRIO DO AMAPÁ TERÇA-FEIRA | 03 DE MARÇO DE 2026 2 LUIZ MELO Diretor Superintendente ZIULANA MELO Diretora de Jornalismo Circulação simultânea em Macapá, Belém, Brasília e em todos os municípios do Amapá. Os conceitos emitidos em artigos e colunas são de responsabilidade dos seus autores e nem sempre refletem a opinião deste Jornal. Suas publicações são com o propósito de estimular o debate dos problemas amapaenses e do país. O Diário do Amapá busca levantar e fomentar debates que visem a solução dos problemas amapaenses e brasileiros, e também refletir as diversas tendências do pensamento das sociedades nacional e internacional. MÁRLIO MELO Diretor Administrativo DIÁRIODECOMUNICAÇÕES LTDA. C.N.P.J: 02.401.125/0001-59 Administração, Redação e Publicidade Avenida Coriolano Jucá, 456 - Centro CEP 68900-101 Macapá (AP) - Fone: 96-3084-2216 www.diariodoamapa.com.br COMPROMISSOCOMANOTÍCIA H ámomentos emque a vida parece umenigma dif ícil de decifrar. Trabalhamos oito ou dez horas por dia, enfrentamos transporte lotado, metas e cobranças, e ainda assim o dinheiro nunca parece suficiente. Pelas telas dos celulares, assistimos alguns enriquecerem rapidamente, enquanto a maioria luta para pagar contas, cuidar da saúde e manter a dignidade. Quando o corpo adoece, quando as oportunidades não chegam, quando o esforço não produz o resultado esperado, surge a pergunta que atravessa gerações, qual é o sentido de tudo isso. É nesse cenário que a busca pela fé se intensifica. Não apenas como consolo, mas como tentativa de compreender nossa existência, nossos fracassos e nosso so- frimento. No Brasil, essa procura se torna ainda mais visível durante a Quaresma. As igrejas ficam lotadas, multiplicam-se novenas e encontros de oração. Este é o tempo favorável em que a Igreja nos convida a recolocar o mistério de Deus no centro da vida, para que a fé reencontre vigor e o coração não se perca nas distrações do cotidiano. O caminho de conversão começa quando nos deixamos alcançar pela Palavra de Deus e a acolhemos com docilidade. Há um vínculo profundo entre o dom da Palavra, a hospitalidade que lhe oferecemos e a transformação que ela realiza em nós. Quando escutada com sinceridade, ela ilumina as sombras, orienta as escolhas e fortalece a esperança. Em suamensagem, o Papa Leão XIV destacou a im- portância da escuta. Dar lugar à Palavra por meio da escuta atenta é o primeiro sinal de quem deseja entrar verdadeiramente emrelação comDeus e como próximo. Entre tantas vozes que atravessam a vida social, as Es- crituras ajudama reconhecer o clamor que nasce do so- frimento e da injustiça, para que não fique semresposta. Quem aprende a escutar Deus torna-se mais sensível à dor do outro. Este é o tempo também de jejum e de abstinência. Muitos católicos deixam de beber, evitam a carne vermelha e buscam uma purificação do corpo como sinal de disciplina espiritual e como pedido de alento para a alma. A abstinência, tradição antiga e sempre atual, educa os sentidos e revela do que realmente temos fome. Ajuda-nos a ordenar os apetites e a manter viva a sede de justiça, conduzindo-nos à oração e à responsa- bilidade concreta. Porém, há um jejum ainda mais necessário em nossos dias, o jejumdas palavras. De que adianta fechar a boca para a comida e deixá-la aberta para amaledicência. Não adianta deixar de comer e permitir que a língua fale mal do vizinho, do companheiro ou companheira, dos deslizes dos familiares, dos colegas de trabalho ou dos chefes. Enquanto a boca se fecha para comidas e bebidas, a língua pode crescer para espalhar julgamentos, inveja e ressentimento. Se o sofrimento social nos fere, se a desigualdade e a falta de oportunidades nos revoltam, muitas vezes reagimos com palavras que também ferem. A conversão quaresmal exige coerência e verdade no agir. Somos chamados a desarmar a linguagem, renunciando a ofensas, julgamentos apressados e mentiras, e a cultivar a gentileza na família, entre amigos, no trabalho e nas mídias sociais. O verdadeiro jejum deve alcançar a alma. Jejuar do orgulho que impede o pedido de perdão, jejuar da inveja que corrói ao ver o sucesso alheio, jejuar da de- sesperança que convence de que nada vale a pena, jejuar da indiferença diante da dor dos outros. Esse jejum interior não aparece nas redes sociais e não rende elogios públicos, mas produz uma transformação silenciosa e profunda. A fé não elimina o sofrimento nem resolve automaticamente as injustiças sociais, mas oferece um horizonte de sentido. Recorda que o valor de cada pessoa não se mede apenas pelo saldo bancário, que o fracasso não é sentença definitiva e que o sofrimento não é vazio quando vivido com esperança. Se jejuarmos das palavras que dividem, se escutarmosmais o outro e oferecermos palavras que edificam, o ódio poderá dar lugar à esperança e à paz. Talvez a grande riqueza que buscamos não esteja na rapidez do enriquecimento material, mas na profundidade de um coração reconciliado. O caminho para compreender nossa existência começa pelo silêncio que purifica e pela palavra que cura. ■ Jejum da alma exige boca fechada para a maldade A fé não elimina o sofrimento nem resolve automaticamente as injustiças sociais, mas oferece um horizonte de sentido. Recorda que o valor de cada pessoa não se mede apenas pelo saldo bancário, que o fracasso não é sentença definitiva e que o sofrimento não é vazio quando vivido com esperança. GREGÓRIOJ.L. SIMÃO E-mail: gregoriojsimao@yahoo.com.br Radialista e estudante de Filosofia T odo traidor tem uma motivação em sua cabeça que lhe parece nobre ou justa, o suficiente para amenizar seu crime. O mesmo acontece entre seus amigos, familiares e simpatizantes. E muitos destes cometem crimes para proteger aqueles. Nos Estados Unidos da América, para um político, trair a esposa já acabaria com sua carreira, afinal, se não consegue ser fiel àquela a quem co- nheceu, namorou, noivou e jurou fidelidade no casamento, o que fará àqueles a quem não conhece? Muitos traidores tornaram-se conhecidos pela História, como Efialtes de Traquis, o homem que traiu os 300 espartanos na Batalha das Termópilas (480 a.C.), durante as Guerras Médicas entre gregos e persas. Efialtes (pesadelo em grego) conhecia os caminhos das montanhas e ofereceu ao rei persa Xerxes I. Talvez o traidor histórico mais famoso seja Marcus Junius Brutus, filho adotivo de Júlio César, a quem devia favores e lealdade, mas participou da conspiração e assassinato de César, em 44 a.C., e justificando o ato como defesa da República contra um possível tirano. Enquanto era apunha- lando, Cesar exclama: "Até tu, Brutus?". Algumas décadas depois, surge outro famoso, Judas Iscariotes, um dos doze apóstolos de Jesus Cristo, que o traiu por 30 moedas de prata e indi- cando Jesus na escuridão por um beijo, no Getsê- mani. Até Raul Seixas e Paulo Coelho procuraram defender Iscariotes. No Brasil colonial teve um traidor, Domingos Fernandes Calabar, que colaborou com os holan- deses, durante a invasão do Brasil, fornecendo in- formações estratégicas valiosas. Sua traição foi considerada gravíssima pelos portugueses, que o capturaram e executaram por enforcamento e es- quartejamento. Finalmente chegamos a Francisco José de Oliveira Silvério dos Reis, ummilitar que se passou por pa- triota, que queria a independência do Brasil, mas denunciou a Inconfidência Mineira (1789) às au- toridades portuguesas, em troca do perdão de dívidas com a Coroa. Na França, Philippe Pétain, herói francês da Primeira Guerra Mundial, tornou-se líder do governo de Vichy durante a ocupação nazista na Segunda Guerra. Colaborou com Hitler, instaurando regime autoritário e antissemita na zona livre da França. Depois, foi julgado por traição, condenado à morte, mas teve a pena comutada para prisão perpétua, por sua idade. Outro traidor famoso é o Aldrich Ames, ex-agente da CIA, Ames traiu os EUA ao espionar para a KGB nos anos 1980 e 1990, entregou identidades de agentes norte-americanos infiltrados na URSS, causando várias execuções. Motivado por dinheiro, recebeu milhões dos soviéticos. Foi preso em 1994 e condenado à prisão perpétua, expos falhas graves na contrainteligência dos EUA. Pouca gente sabe, mas há pena de morte no Brasil e traição é um dos crimes punidos por essa pena capital, mas somente em tempos de guerra (Art. 355 a 361 do Código Penal Militar). Como dizia Ulisses Guimarães: traidor da Constituição é traidor da Pátria. Para os civis, não há lei para traidores, ainda! Geralmente, o Supremo Tribunal Federal pune por analogia. Traição não pode passar impune! ■ De Iscariotes, Silvério, Calabar et alii Outro traidor famoso é o Aldrich Ames, ex-agente da CIA, Ames traiu os EUA ao espionar para a KGB nos anos 1980 e 1990, entregou identidades de agentes norte-americanos infiltrados na URSS, causando várias execuções. Motivado por dinheiro, recebeu milhões dos soviéticos. Foi preso em 1994 e condenado à prisão perpétua, expos falhas graves na contrainteligência dos EUA. E-mail: mariosaturno@uol.com.br Tecnologista Sênior MARIO EUGENIO

RkJQdWJsaXNoZXIy NDAzNzc=