Diário do Amapá - 04/03/2026

| OPINIÃO | DIÁRIO DO AMAPÁ QUARTA-FEIRA | 04 DE MARÇO DE 2026 2 LUIZ MELO Diretor Superintendente ZIULANA MELO Diretora de Jornalismo Circulação simultânea em Macapá, Belém, Brasília e em todos os municípios do Amapá. Os conceitos emitidos em artigos e colunas são de responsabilidade dos seus autores e nem sempre refletem a opinião deste Jornal. Suas publicações são com o propósito de estimular o debate dos problemas amapaenses e do país. O Diário do Amapá busca levantar e fomentar debates que visem a solução dos problemas amapaenses e brasileiros, e também refletir as diversas tendências do pensamento das sociedades nacional e internacional. MÁRLIO MELO Diretor Administrativo DIÁRIODECOMUNICAÇÕES LTDA. C.N.P.J: 02.401.125/0001-59 Administração, Redação e Publicidade Avenida Coriolano Jucá, 456 - Centro CEP 68900-101 Macapá (AP) - Fone: 96-3084-2216 www.diariodoamapa.com.br COMPROMISSOCOMANOTÍCIA H á acontecimentos que não pedem apenas registro, pedem reflexão. A incorporação de mulheres ao serviço militar inicial no Brasil é um desses momentos. Não se trata apenas de números, fardas ou protocolos. Trata-se de um gesto simbólico e concreto de amadurecimento institucional e social. O Ministério da Defesa realizou em Brasília a primeira cerimônia de in- corporação feminina ao serviço militar inicial. Ao todo, 1.467 jovens passam a integrar as Forças Armadas, distribuídas por 51 municípios de 13 estados e do Distrito Federal. São 157 na Marinha, 1.010 no Exército e 300 na Força Aérea. A solenidade ocorreu de forma conjunta à incorporação dos homens, o que por si só já carrega uma mensagem poderosa de integração. Durante anos, a imagem da defesa nacional esteve associada quase ex- clusivamente ao universo masculino. A ideia de proteger fronteiras, operar armamentos e tomar decisões estratégicas parecia reservada a um único perfil. A realidade, no entanto, é mais complexa e mais rica. A presença feminina amplia perspectivas, agrega competências e fortalece a instituição. O ministro da Defesa, José Múcio, destacou a expressiva procura pelo alistamento voluntário fe- minino. Foram 33 mil mulheres interessadas em servir. O dado revela algo que vai além da estatística. Revela desejo de pertencimento, de contribuição ativa, de participação na construção da segurança nacional. Não se trata de concessão, mas de reco- nhecimento de capacidade. As jovens incorporadas passam pelas mesmas capacitações destinadas aos homens. Treinamento f ísico, instruções de manuseio de armamentos, serviço de guarda, ordem unida e atividades em campo fazem parte da rotina. Direitos e deveres são equivalentes. O ingresso é voluntário aos 18 anos, mas uma vez incorporadas, o compromisso se torna obrigatório por um ano, com possibilidade de prorrogação. Há remuneração, assistência médica, férias e contagem de tempo para aposentadoria. É um vínculo profissional sério, estruturado e res- ponsável. A promoção da primeira General de Exército da história da Força, a coronel-médica Claudia Lima Gusmão Cacho, reforça esse novo capítulo. Não é uma vitória isolada, é um símbolo de que as instituições evoluem quando acompanham a sociedade que represen- tam. É importante sublinhar que não se trata de substituir homens por mulheres, mas de formar uma equipe. Defesa nacional é tarefa coletiva. Exige disciplina, preparo, inteligência emocional e capacidade de decisão sob pressão. Características que não pertencem a um gênero, mas ao ser humano preparado. Quando uma jovem de 18 anos afirma que sempre se viu nesse espaço e que deseja servir, estamos diante de algo transformador. A farda deixa de ser barreira e passa a ser possibilidade. O quartel deixa de ser território restrito e se torna espaço compartilhado. A integração das mulheres nas Forças Armadas brasileiras não é apenas um avanço institucional. É um sinal de que o país compreende que segurança, soberania e responsabilidade são compromissos de todos. E quando todos participam, a nação se fortalece. ■ Defesa Nacional tem voz feminina na linha de frente É importante sublinhar que não se trata de substituir homens por mulheres, mas de formar uma equipe. Defesa nacional é tarefa coletiva. Exige disciplina, preparo, inteligência emocional e capacidade de decisão sob pressão. Características que não pertencem a um gênero, mas ao ser humano preparado. GREGÓRIOJ.L. SIMÃO E-mail: gregoriojsimao@yahoo.com.br Radialista e estudante de Filosofia P assei o semestre reestudando a História da Igreja Católica para auxiliar a Escola de Teologia Para Leigos São José de Anchieta da Diocese de Caraguatatuba e enquanto assistia ao especial do Brasil Jazz Sinfônica para o Dia da Consciência Negra - um programa excepcional da TV Cultura-, fiquei refletindo sobre quando foi que a Igreja começou a ser contra a escravidão. Embora a escravidão não seja somente de negros da África meridional, para a América é o que importa. Eu sempre fui visto como branco, mas minha bisavó materna foi escrava liberta pela Lei Áurea. Em verdade, a Igreja Cristã, denominada Católica a partir do ano 103, já herdara dos judeus o Antigo Testamento, que se manifestava contra a escravidão, limitando sua ação, ao menos contra os próprios hebreus, como vemos em Êxodo (21,2-3): quando comprares um escravo hebreu, ele servirá seis anos, no sétimo sairá livre, sem pagar nada; se entrou sozinho, sozinho sairá, se tiver mulher, sua mulher partirá com ele. Mas é claro, Moisés não era um cara legal assim, então tinha a pegadinha para favorecer os ricos (Ex 21,4-10). Em Deuteronômio (15,12-18), repete-se a lei dos seis anos, mas iguala homem e mulher, e que, ao libertar, "não o deixarás partir com as mãos vazias (v. 13), mas lhe dá alguma coisa dos teus rebanhos e uma parte dos bens (v. 14). Lembra-te de que estiveste em servidão no Egito e é por isso que hoje te imponho esse mandamento (v. 15). E, claro, mantém a pega- dinha (v. 16 e 17). Interessante conclusão: não te seja penoso libertá-lo, porque o serviço que te prestou durante seis anos valeu bem o dobro do salário de um mercenário (v. 18). Havia ainda a Lei do Ano do Jubileu (Lv 25,39-55): a cada 50 anos, todos os escravos hebreus deveriam ser libertados e suas proprie- dades familiares restauradas. Preciso pesquisar os livros de história para saber se isso aconteceu alguma vez... De qualquer forma, o hebraico era pobre, servo e criado era ‘eved ( דֶבֶע ) que os tradutores da Septuaginta traduziram para doulos (δο ῦ λος, escravo), perdendo oportunidade para precisar. O Novo Testamento usa bastante, como em Efésios (6,5-9), alertando os senhores que Deus não faz distinção de pessoas (mesmo que Cl 3,22-4,1), mas conformista em Timóteo (1Tm 6,1-2), certamente não foi Paulo quem escreveu isso. Paulo ainda usa a "doulia" como metáfora, "escravos de Deus", em Romanos (6,15-23) e Coríntios (1 Cor 7,20-24). Outras palavras gregas do koiné passam a ser utilizadas, como diákonos (διάκονος, servo, não escravo); pais (πα ῖ ς, criança, filho, servo, como o do Centurião, provavelmente era filho dele, não servo); oiketēs (ο ἰ κέτης), servo doméstico, aquele que não pode servir a dois senhores de Lucas (16,13), aparece também em Atos (10,7), bem traduzido na Ave Maria como criados; e somaton (σωμάτων), corpos, na lista de mercadorias em Apocalipse (18,13). E vem de Gálatas (3,28) o que se tornaria o princípio teológico que, séculos depois, seria a base para derrubar a escravidão: já não há judeu nem grego, nem escravo nem livre, nem homem nem mulher, pois todos vós sois um em Cristo Jesus. ■ A Bíblia e a escravidão O Novo Testamento usa bastante, como em Efésios (6,5-9), alertando os senhores que Deus não faz distinção de pessoas (mesmo que Cl 3,22- 4,1), mas conformista em Timóteo (1Tm 6,1- 2), certamente não foi Paulo quem escreveu isso. Paulo ainda usa a "doulia" como metáfora, "escravos de Deus", em Romanos (6,15-23) e Coríntios (1 Cor 7,20-24). E-mail: mariosaturno@uol.com.br Tecnologista Sênior MARIO EUGENIO

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