Diário do Amapá - 06/03/2026
| OPINIÃO | DIÁRIO DO AMAPÁ SEXTA-FEIRA | 06 DE MARÇO DE 2026 2 LUIZ MELO Diretor Superintendente ZIULANA MELO Diretora de Jornalismo Circulação simultânea em Macapá, Belém, Brasília e em todos os municípios do Amapá. Os conceitos emitidos em artigos e colunas são de responsabilidade dos seus autores e nem sempre refletem a opinião deste Jornal. Suas publicações são com o propósito de estimular o debate dos problemas amapaenses e do país. O Diário do Amapá busca levantar e fomentar debates que visem a solução dos problemas amapaenses e brasileiros, e também refletir as diversas tendências do pensamento das sociedades nacional e internacional. MÁRLIO MELO Diretor Administrativo DIÁRIODECOMUNICAÇÕES LTDA. C.N.P.J: 02.401.125/0001-59 Administração, Redação e Publicidade Avenida Coriolano Jucá, 456 - Centro CEP 68900-101 Macapá (AP) - Fone: 96-3084-2216 www.diariodoamapa.com.br COMPROMISSOCOMANOTÍCIA A té parece que o Papa ouviu os protestantes e evangélicos em uma queixa antiga e persistente: não há como Maria ser corredentora, nem medianeira. Embora o Papa não se guie pelo que pensam os que estão fora da Igreja, sua origem norte-americana deve ter pesado na hora de assinar, afinal é um tema presente nos últimos 30 anos. E, no dia 7 de outubro, o Papa Leão XIV aprovou a Nota "Mater Populi fidelis" (Mãe do Povo fiel), sobre a cooperação de Maria na obra da Salvação. Maria é contemplada com afeto e admiração pelos cristãos porque é a expressão mais perfeita de tudo quanto pode operar a graça de Cristo no ser humano. (MPf 1). Tradicionalmente, a cooperação de Maria ocorre na Redenção de Cristo, durante sua vida e na Páscoa, atestada nas Escrituras, e a influência que ela tem atualmente (MPf 4). Assim, Maria é prefigurada em Gn 3,15, porque é a mulher que participa da vitória de- finitiva contra a serpente. Por isso, não chama a atenção que Jesus se dirija a Maria com a denominação de "Mulher" na cena do Calvário (Jo 19,26), como já o fizera em Caná (Jo 2,4) (MPf 5). Ali, na Hora da Cruz, ela novamente pronuncia o “sim” da Anunciação nesse momento sagrado que o Evangelho apresenta-a como "Mãe" (Jo 19,27). O Evangelho, como resposta, utiliza um verbo que assume o sentido de “acolher” (labon, ἔ λαβεν, παρέλαβον, ἔ λαβον etc.) na fé (cf. Jo 1,11-12; 5,43 e 13,20). Só então Jesus reconhece que "tudo se consumara" (Jo 19,28). De modo se- melhante, o Apocalipse apresenta a "Mulher" (Ap 12,1) como mãe do Messias (cf. Ap 12, 5) e como mãe do "resto da sua descendência" (Ap 12, 17) (MPf 6). E Maria ainda é a "testemunha privilegiada" dos eventos narrados nos Evangelhos (cf. Lc 1-2; Mt 1-2) que marcaram a concepção, o nascimento e a infância de Jesus. E, ainda junto à cruz (Jo 19, 25) e no Pentecostes (Act 1, 14) (MPf 7). Em Lucas, Maria é a nova Filha de Sião que recebe e transmite a alegria da salvação (cf. Sf 3,14-17; Zc 9,9). Nela se cumprem as promessas que fizeram saltar de alegria João Batista (cf. Lc 1, 41). Isabel apresenta- se como indigna de recebe sua visita (Lc 1, 43). E ela não diz: “Donde me é dado que venha ter comigo o meu Senhor?”. Refere-se diretamente à mãe. Isabel fala cheia do Espírito Santo (cf. Lc 1, 41): "Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre!" (Lc 1, 42). Chama a atenção que não lhe baste chamar de “bendito” a Jesus, mas também a mãe. E Maria aparece como a “Feliz” por excelência: "Feliz de ti que acre- ditaste" (Lc 1, 45); "o meu espírito se alegra" (Lc 1, 47); "me chamarão bem-aventurada todas as gerações" (Lc 1, 48). Esta felicidade (cf. Lc 6, 20-23)é o cumprimento das promessas messiânicas nos pequenos, que têm uma grande recompensa no céu (MPf 8). Já nos primeiros séculos, interessaram-se pela maternidade divina de Maria (Theotokos), pela sua virgindade perpétua (Aeiparthenos), pela sua perfeita santidade durante toda a sua vida (Panagia) e pela sua função de nova Eva, vários Pais da Igreja primitiva, como S. Justino, S. Irineu de Lião, e Tertuliano. ■ Maria é mãe do povo fiel? Em Lucas, Maria é a nova Filha de Sião que recebe e transmite a alegria da salvação (cf. Sf 3,14-17; Zc 9,9). Nela se cumprem as promessas que fizeram saltar de alegria João Batista (cf. Lc 1, 41). Isabel apresenta-se como indigna de recebe sua visita (Lc 1, 43). MARIO EUGENIO E-mail: mariosaturno@uol.com.br Tecnologista Sênior H á uma praga moderna que não usa jaleco manchado de sangue, mas jaleco bem passado para foto de perfil. Ela não ronda hospitais; ronda algoritmos. Não atende em plantão; atende em stories. São os falsos médicos, falsos especialistas, doutores de mentira, que descobriram que, no Brasil das redes sociais, título não precisa de diploma, precisa de engajamento. Antigamente, o charlatão vendia elixir em praça pública. Hoje ele vende fórmula mágica com link na bio. Promete emagrecimento sem esforço, cura sem tratamento, juventude sem tempo e felicidade em cápsulas. Fala dif ícil, escreve “cientificamente”, assina como Dr. e pronto: nasce mais um salvador digital da pátria, sem residência, sem especialidade, sem respon- sabilidade. O mais trágico é que dá errado quase sempre. Corpos deformados, rostos destruídos, órgãos comprometidos, vidas interrompidas. O que era promessa vira processo judicial; o que era esperança vira luto. Mas aí já é tarde. O influenciador troca de perfil, apaga vídeos, muda o discurso e segue vendendo cursos sobre “como ajudar pessoas”. Há algo de profundamente cruel nisso. Porque o charlatão moderno não vende só produto: vende esperança. E esperança, quando falsificada, mata. Mata devagar, mata com sorriso, mata com depoi- mento comprado e antes-e-depois fraudado. O disparate chega ao cúmulo de muitos assina- rem como doutores sem o serem, especialistas sem jamais terem passado por uma residência mé- dica, esse rito silencioso, duro, longo, que não rende curtidas, mas salva vidas. A residência não dá glamour. Dá cicatriz. E é exatamente por isso que ela importa. No meio desse mercado de ilusões, vale repetir como quem repete uma oração de sobrevivência: é sempre bom buscar conhecimento, porque es- pecialistas de redes sociais existem aos montes, oferecendo soluções fáceis, produtos milagrosos e serviços muitas vezes fictícios. Eu aprendi que, para saber se meu médico é realmente especializado, não basta confiar no que ele diz ou no que aparece nas redes sociais. Eu busco informações seguras no RQE (Registro de Qualificação de Especialista), junto ao CRM do meu estado. Pode parecer detalhe burocrático. Não é. É linha que separa ciência de picaretagem, cuidado de aposta, medicina de espetáculo. Porque saúde não é palco. Corpo humano não é teste. E vida não é au- diência. E se Nelson Rodrigues estivesse vivo, talvez dissesse, com aquela crueldade lúcida que lhe era própria, “o Brasil não é um país de médicos ruins. É um país onde o charlatão descobriu que a mentira, quando bem iluminada, parece verdade.” No fim das contas, o futuro não passa por milagres, passa por seriedade. E seriedade, convenhamos, não cabe em reels de 59 segundos. ■ A bio diz “Doutor”, o seguidor é uma “vítima” E se Nelson Rodrigues estivesse vivo, talvez dissesse, com aquela crueldade lúcida que lhe era própria, “o Brasil não é um país de médicos ruins. É um país onde o charlatão descobriu que a mentira, quando bem iluminada, parece verdade.” E-mail: gregogiojsimao@yahoo.com.br Radialista e estudante de Filosofia GREGÓRIOJ.L. SIMÃO
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