Diário do Amapá - 07/03/2026
| OPINIÃO | DIÁRIO DO AMAPÁ SÁBADO | 07 DE MARÇO DE 2026 2 LUIZ MELO Diretor Superintendente ZIULANA MELO Diretora de Jornalismo Circulação simultânea em Macapá, Belém, Brasília e em todos os municípios do Amapá. Os conceitos emitidos em artigos e colunas são de responsabilidade dos seus autores e nem sempre refletem a opinião deste Jornal. Suas publicações são com o propósito de estimular o debate dos problemas amapaenses e do país. O Diário do Amapá busca levantar e fomentar debates que visem a solução dos problemas amapaenses e brasileiros, e também refletir as diversas tendências do pensamento das sociedades nacional e internacional. MÁRLIO MELO Diretor Administrativo DIÁRIODECOMUNICAÇÕES LTDA. C.N.P.J: 02.401.125/0001-59 Administração, Redação e Publicidade Avenida Coriolano Jucá, 456 - Centro CEP 68900-101 Macapá (AP) - Fone: 96-3084-2216 www.diariodoamapa.com.br COMPROMISSOCOMANOTÍCIA O Papa Leão XIV escreveu a Carta Apostólica Sobre a Arqueologia por Ocasião do Centenário do Pontif ício Instituto de Arqueologia Cristã para partilhar algumas reflexões e reafirmar o seu valor para a Igreja, a teologia e a sociedade contemporânea. Em 1925, proclamado o “Jubileu da Paz”, pretendia-se aliviar as feridas atrozes da Primeira Guerra Mundial, ano que foi fundado o Instituto pelo Papa Pio XI, em 11 de dezembro. E é significativo que o centenário do Instituto coincida também com um novo Jubileu que quer, hoje, dar esperança à humanidade, atormentada por numerosas guerras, unindo a memória do passado à esperança no futuro. O Instituto visava formar doutores, com o máximo rigor científico, nos estudos sobre os monumentos do cristianismo antigo, reconstrução da vida das primeiras comunidades, formar professores de arqueologia cristã para as Universidades e Seminários, diretores de escavações ar- queológicas, conservadores de monumentos sa- grados, museus, etc. Na perspectiva de Pio XI, a arqueologia era indispensável para a reconstrução exata da história, e das raízes cristãs, dando cre- dibilidade à obra de evangelização. O Instituto formou centenas de arqueólogos do cristianismo antigo e que assumiram impor- tantes cargos de docência ou tutela, promoveram investigações em Roma e em todo o orbe cristão, promoveu a arqueologia cristã, tanto na organi- zação de congressos como intercâmbios por todo o mundo. Conseguiu seguir os passos dos pioneiros da arqueologia cristã, especialmente Giovanni Battista de Rossi. A ele se deve, na segunda metade do século XIX, a descoberta da maior parte dos ce- mitérios cristãos ao redor das muralhas de Roma, bem como o estudo dos santuários dos mártires das perseguições, especialmente as de Décio, Va- leriano e Diocleciano. Quem conhece a sua história conhece-se a si mesmo e sabe para onde vai. Sabe de quem é filho e qual a esperança a que é chamado. Os cristãos não são órfãos, têm uma genealogia de fé, uma tradição viva, uma comunhão de teste- munhas. A arqueologia cristã torna visível esta genealogia, guarda os seus sinais, interpreta-os, conta-os, transmite-os. Nesse sentido, ela é também um ministério de esperança porque mostra que a fé já atravessou épocas dif íceis, resistindo a perseguições, crises e mudanças. Soube re- novar-se, reinventar-se, enraizar-se em novos povos, florescer em novas formas. Quem estuda as origens cristãs vê que o Evangelho sempre teve uma força geradora, que a Igreja sempre renasceu, que a esperança nunca falhou. O papa Leão declara aos Bispos e aos responsáveis pela cultura e pela educação: encorajai os jovens, leigos e sacerdotes, a estudar arqueologia. "Por fim, dirijo-me a vós, irmãos e irmãs, estudiosos, professores, alunos, investigadores, agentes dos bens culturais, responsáveis eclesiásticos e leigos: o vosso trabalho é precioso!" Não vos deixeis desanimar pelas di- ficuldades. A arqueologia cristã é um serviço, é uma vocação, é uma forma de amor à Igreja e à humanidade. Continuai a escavar, a estudar, a ensinar, a contar. Que a bênção do Senhor acompanhe todos vós! ■ Arqueologia Cristã Quem conhece a sua história conhece-se a si mesmo e sabe para onde vai. Sabe de quem é filho e qual a esperança a que é chamado. Os cristãos não são órfãos, têm uma genealogia de fé, uma tradição viva, uma comunhão de testemunhas. A arqueologia cristã torna visível esta genealogia, guarda os seus sinais, interpreta-os, conta-os, transmite-os. MARIO EUGENIO E-mail: mariosaturno@uol.com.br Tecnologista Sênior C oma chegada demarço, mês internacionalmente dedicado às mulheres, somos convidados a refletir sobre o tempo em que vivemos, um momento no qual a presença feminina no centro das decisões globais deixa de ser promessa e torna-se realidade palpável, ainda que marcada por tensões e desafios que persistem. Neste ano, a divulgação da lista anual da Forbes das 100 Mulheres Mais Poderosas do Mundo expõe não apenas quem ocupa as cadeiras do poder, mas também o que isso significa numa era em que gênero e autoridade ainda tropeçam um no outro antes de caminhar lado a lado. No topo do ranking, como já vem sendo costume, desponta Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, cuja influência atravessa fronteiras e rege políticas que afetam centenas de milhões de pessoas. Ao seu lado, na segunda posição, está Christine Lagarde, presidente do Banco Central Europeu, cuja caneta dita taxas e rumos econômicos para uma grande parte do planeta. E logo em seguida aparece Sanae Takaichi, eleita primeira-ministra do Japão, um marco histórico: a primeira mulher a liderar o Executivo de uma das maiores economias do mundo, em um país onde a igualdade de gênero ainda enfrenta barreiras culturais profundas. No entanto, a narrativa do poder não se limita aos palácios de Estado ou às salas de reunião dos bancos centrais. No universo empresarial e financeiro, a lista da Forbes ilumina trajetórias que desafiam expectativas e moldam mercados. É o caso de Tarciana Paula Gomes Medeiros, presidente e CEO do Banco do Brasil, que ocupa a impressionante 18ª posição global. Única brasileira no ranking deste ano e uma das poucas líderes de grandes instituições financeiras fora do eixo tradicional Norte-América/Eu- ropa, Tarciana Medeiros simboliza o alcance con- quistado pormulheres que, vindas de origens diversas, chegaram ao topo de estruturas centenárias e com- plexas. Sua presença no ranking é um lembrete de que o poder feminino, hoje, não é apenas uma abstração ou um slogan comemorativo de março. É fato concreto: dirige economias, influencia fluxos finan- ceiros, define políticas de crédito que tocam a vida de milhões e, acima de tudo, desafia as narrativas do passado num país como o Brasil, no qual historica- mente o comando de grandes bancos sempre foi re- servado a homens. Ainda assim, essa mesma lista nos confronta com paradoxos. A ascensão de mulheres a posições de comando não extinguiu as desigualdades, ela apenas as escancara em contextos distintos. A primeira-ministra do Japão, por exemplo, ocupa um cargo inédito em Tóquio, mas lidera um governo que pouco avança em políticas de gênero e igualdade real, refletindo tensões internas de um país tradicionalista. Emais, nomes que figuramno rankingmovembilhões, moldam economias e influenciam redes globais, mas muitas vezes ainda enfrentam resistência institucional e cultural quando reivindicam espaço em conselhos corporativos ou quando lutam por direitos básicos que deveriam ser universais. O cenário é ambivalente. Poder, sim, mas poder ainda cuidadosamente balanceado entre conquistas impressionantes e estruturas que relutam emmudar. No Brasil, a presença de TarcianaMedeiros no ranking da Forbes reverbera como um símbolo de umpaís que ainda busca seu caminho entre desigualdades históricas e a necessidade urgente de reconhecer e ampliar o espaço das mulheres em todas as instâncias de decisão, públicas e privadas. Março chega, e com ele a certeza de que o futuro está, sim, sendo moldado por mãos femininas. ■ Mês Internacional da Mulher Um espetáculo de poder, influência e contradições No Brasil, a presença de Tarciana Medeiros no ranking da Forbes reverbera como um símbolo de um país que ainda busca seu caminho entre desigualdades históricas e a necessidade urgente de reconhecer e ampliar o espaço das mulheres em todas as instâncias de decisão, públicas e privadas. E-mail: gregogiojsimao@yahoo.com.br Radialista e estudante de Filosofia GREGÓRIOJ.L. SIMÃO
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