Diário do Amapá - 07/03/2026
FALECOM0COMERCIAL E-mail: comercial.da@bol.com.br site: www.diariodoamapa.com twitter: @diariodoamapa Instagram: @diariodoamapa ECONOMIA | ECONOMIA | DIÁRIO DO AMAPÁ 7 SÁBADO | 07 DE MARÇO DE 2026 A produção industrial brasileira cresceu 1,8% em janeiro de 2026, em relação ao mês de de- zembro de 2025, registrando o maior crescimento desde junho de 2024, quando a indústria deu um salto de 4,4%. Com a expansão no início deste ano, a indústria nacional reverte parte das perdas acumuladas entre setembro e dezembro de 2025. As informações foram divulgada nesta sexta-feira (6) pela Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e integram a Pesquisa Industrial Mensal (PIM). Na comparação com janeiro de 2025, o crescimento deste ano, de 0,2%, interrompe três meses consecutivos de queda na produção. Em dezembro, novembro e outubro, a indústria tinha recuado -0,1%, -1,4% e - 0,5%, respectivamente. Com o resultado positivo em janeiro, a indústria nacional conseguiu crescer também de 1,8% acima do patamar de produção antes da pandemia de covid-19, em fevereiro de 2020. Mas ainda está abaixo do recorde de 15,3% de crescimento no mês de maio de 2011. De acordo com o gerente da pesquisa, André Ma- cedo, o crescimento de janeiro de 2026 se deu diante de uma "intensa queda" da produção em dezembro de 2025, que tinha sido a mais elevada desde março de 2021. “Naquele mês, além do movimento de menor di- namismo que vinha caracterizando o setor industrial, observou-se também uma maior frequência de férias coletivas. Com a retomada das atividades produtivas no início do ano, ocorre uma recuperação de parte dessa perda”, explicou, em nota divulgada à imprensa pelo IBGE. Como fatores que ainda travam a economia, Macedo cita a política monetária, de juros altos, que dificultam o acesso ao crédito para investimentos. “O avanço de janeiro de 2026 é relevante, mas ainda não é suficiente para compensar integralmente a perda acumulada no final do ano passado, de setembro a dezembro, permanecendo um saldo negativo de 0,8%”, observou. ■ MAIOR ALTA Indústria nacional cresce 1,8% em janeiro de 2026 ● O agravamentodas tensões noOrien- teMédio pode trazer efeitosmistos para o comércio exterior brasileiro, compossível aumento nas exportações de combustíveis e impacto temporárionegativo nas vendas de alimentos. A avaliação é do diretor de Estatísticas e Estudos de Co- mércio Exterior do Ministério do Desen- volvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), Herlon Brandão. Em entrevista nesta quinta-feira (5) para comentar dados da balança comercial, Brandão afirmou que conflitos na região costumam pressionar o preço do petróleo no mercado internacional, o que tende a beneficiar o Brasil, que é exportador líquido do produto. “O Brasil é um exportador líquido de petróleo e, na medida em que o preço do petróleo suba, o saldo do comércio de combustíveis tende a aumentar”, disse o diretor do Mdic. Por outro lado, Brandão destacou que países do Oriente Médio são importantes compradores de alimentos brasileiros, como carne de frango, milho, açúcar e produtos halal (produzidos conforme as normas islâmicas). Segundo odiretor, umeventual impacto negativo nas vendas desses produtos deve ser temporário. “Ademanda por alimentos nesses países não vai desaparecer. Os fluxos tendem a se normalizar”, afirmou. De acordo com dados do Mdic, cerca de 32% das exportações brasileiras de milho têmcomo destino oOrienteMédio. A participação chega a 30% no caso da carne de aves, 17% para o açúcar e 7% para a carne bovina. Estados Unidos Os números da balança comercial tam- bém mostram mudanças importantes no comércio do Brasil com os principais par- ceiros. As exportações brasileiras para os Es- tados Unidos somaramUS$ 2,523 bilhões em fevereiro, queda de 20,3% em relação ao mesmo mês do ano passado. As im- portações também recuaram, diminuindo 16,5% e totalizando US$ 2,788 bilhões. Com isso, o saldo comercial com o país foi negativo emUS$ 265 milhões. Esta foi a sétima queda consecutiva nas vendas ao mercado estadunidense, movimento associado à sobretaxa de 50% imposta pelo governo do presidenteDonald Trump sobre produtos brasileiros emmea- dos de 2025. No fim de fevereiro, a Corte Suprema dos Estados Unidos derrubou a sobretaxa, mas as repercussões na balança comercial só devemaparecer nos próximos meses. China Em direção oposta, as exportações para aChina registraramforte crescimento. Em fevereiro, as vendas brasileiras ao país asiático somaram US$ 7,220 bilhões, alta de 38,7% em comparação com os US$ 5,206 bilhões registrados no mesmo mês de 2025. Já as importações vindas da China caí- ram 31,3% no período, totalizando US$ 5,494 bilhões. O resultado foi umsuperávit de US$ 1,73 bilhão na balança comercial com o país asiático. Segundo Brandão, umdos fatores que influenciaram os números de importação foi a compra de uma plataforma de petróleo no valor de cerca de US$ 2,5 bilhões. O equipamento foi adquirido da Coreia do Sul, o que também impactou as estatísticas regionais de comércio. União Europeia e Argentina As exportações brasileiras para aUnião Europeia cresceram 34,7% em fevereiro, alcançando US$ 4,232 bilhões. As impor- tações do bloco recuaram10,8%, para US$ 3,301 bilhões, resultando em superávit de US$ 931 milhões. No comércio com a Argentina, houve retração tanto nas vendas quanto nas com- pras. As exportações caíram 26,5%, so- mando US$ 1,057 bilhão, enquanto as im- portações recuaram 19,2%, para US$ 850 milhões. Ainda assim, o Brasil registrou superávit de US$ 207 milhões na relação comercial com o país vizinho. ■ CONFLITO NO ORIENTE PODE ELEVAR EXPORTAÇÕES DE COMBUSTÍVEL DO BRASIL TENSÕES V Foto/ Petrobras/Divulgação
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