Diário do Amapá - 08 e 09/03/2026

CIDADES 12 |CIDADES | DIÁRIO DO AMAPÁ FALECOMAREDAÇÃO E-mail: diario-ap@uol.com.br site: www.diariodoamapa.com twitter: @diariodoamapa Instagram: @diariodoamapa A recente mudança na dire- ção do Hospital São Camilo e São Luís, considerado o principal hospital privado do Amapá, tem gerado um clima de incerteza e insatisfação nos basti- dores da unidade. Desde a che- gada do novo diretor institucional, Mike Roberto Hetti, (foto) comentários internos apon- tam descontentamento por parte de alguns funcionários e colabo- radores em relação à nova filoso- fia de trabalho e às regras administrativas que vêm sendo implantadas. Entre as medidas que mais re- percutiram dentro do hospital está uma proposta apresentada pela nova gestão que prevê a re- tenção de 20% dos honorários pagos aos médicos pelos procedi- mentos realizados na unidade. A iniciativa não foi bem rece- bida por parte dos profissionais e já provoca reações dentro do corpo clínico, com alguns médi- cos avaliando até mesmo a possi- bilidade de deixar o hospital caso a medida seja mantida. Os primeiros profissionais a serem comunicados sobre a pro- posta foram os anestesiologistas. Pelo modelo apresentado pela di- reção, os médicos teriam que re- passar ao hospital uma parte dos valores recebidos pelos serviços prestados, funcionando na prá- tica como uma espécie de taxa ou comissão pela utilização da estru- tura da unidade. Diante da resistência pratica- mente unânime entre os profis- sionais que já atuam no hospital, a administração teria iniciado conversas com médicos que tra- balham em outras instituições, que eventualmente aceitariam aderir ao modelo, descrito inter- namente como uma forma de “agenciamento” dos serviços mé- dicos. Nos bastidores, a mudança na direção do hospital e a adoção de novas regras administrativas têm provocado apreensão e descon- forto entre parte dos profissionais e colaboradores, cenário que vem sendo apontado como um mo- mento delicado para a tradicional casa de saúde no estado. A nova direção do hospital ainda não se manifestou sobre o assunto. ■ ENTRE JANEIRO E FEVEREIRO O Governo do Amapá fortalece a qualificação da as- sistência em saúde com a adesão do Hospital Esta- dual de Santana (HES) como polo da Residência Multidisciplinar da Universidade Federal do Amapá (Uni- fap). A unidade passa a receber residentes de fisioterapia, enfermagem e psicologia para treinamento intensivo hos- pitalar. Ao todo, seis profissionais iniciarão as atividades na se- gunda-feira, 9 de março, sendo dois para cada área. Eles atuarão diretamente no atendimento aos pacientes, sob su- pervisão de preceptores que integram a equipe técnica do hospital. A iniciativa faz parte de um conjunto de novas residên- cias multidisciplinares implantadas pela Unifap, sob coor- denação da professora adjunta da instituição e coordenadora da Comissão de Residência Multiprofissio- nal (Coremu), Dra. Natália Iosimuta. O programa na área de Cuidados Intensivos tem como coordenadora a profes- sora doutora Beatriz Sá e como vice-coordenador Wesley Cavalcante. De acordo com a fisioterapeuta intensivista e respon- sável técnica pelo setor de fisioterapia da Unidade de Te- rapia Intensiva (UTI) Adulto do Hospital de Santana, Nicoly Brito Uchôa, a adesão é um avanço estratégico para a rede pública. ■ RESIDÊNCIA O Hospital da Mulher Mãe Luzia (HMML), emMacapá, registrou 952 partos entre janeiro e fevereiro de 2026. Somente no mês de janeiro foram realizados 501 par- tos, sendo 305 normais e 196 cesarianas. Já em fevereiro, amaternidade contabilizou 451 nascimen- tos, mantendo o equilíbrio entre as modalidades de parto e compredominância do parto normal, que representou 53,28% dos procedimentos, enquanto 46,72% foram cesarianas. O le- vantamento da ambiência de parto normal do hospital tam- bém mostra que o fluxo de atendimentos permaneceu constante ao longo do mês. O dia 4 de fevereiro registrou o maior volume de nascimentos, com 25 partos, enquanto o dia 11 apresentou a menor ocupação, com oito nascimentos. A análise por turnos demonstra uma distribuição equi- librada dos atendimentos entre os períodos da manhã, tarde e noite. Entre os 244 partos normais realizados em feve- reiro, foram registrados 63 nascimentos no período da manhã, 52 à tarde e 129 durante a noite, somando os dois turnos noturnos. Já entre as 207 cesarianas, a maior con- centração ocorreu nos turnos da tarde e no primeiro pe- ríodo da noite, entre 19h e 1h. ■ Hospital de Santana fortalece a qualificação em saúde e agora é polo de residência da Unifap Hospital da Mulher Mãe Luzia registra quase mil partos em dois meses MUDANÇAS NA DIREÇÃO DO HOSPITAL SÃO CAMILO GERAM INSATISFAÇÃO E TENSÃO ENTRE MÉDICOS E FUNCIONÁRIOS RETENÇÃO DE HONORÁRIOS E m referência ao Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, a reitora da Universidade do Estado do Amapá, Kátia Paulino, falou, entre outras coisas, da presença feminina nos espaços de poder e de como o co- nhecimento pode transformar vidas. Kátia afirma que ter mulheres ocupando cadeiras de poder é uma conquista e uma forma de resistência diária ao patriarcado, que é um sistema social feito por homens e para homens, principalmente no mundo acadêmico, que por muito tempo foi um ambiente predomi- nantemente masculino. “Até um passado recente, as mulheres só podiam atuar na formação de crianças, pela ideia natural de cuidar. O mundo científico era dos homens, e as mulheres que buscavam conhecimento eram tachadas e punidas como bruxas”, lamentou a reitora em entrevista ao programa ‘Togas e Becas’ (Diário FM 90,9). Relembrando sua trajetória, Kátia contou que a educação proporciona uma revolução em seu lar, e que foi a pri- meira mulher de sua família a ingressar no ensino superior. Apaixonada pelos estudos desde cedo, a reitora afirmou que ouviu de uma professora da terceira série que tinha um grande potencial, e levou essa afirmação por toda a vida. “O plano não era ocupar espaços de poder, o plano era aprender. Eu fui acolhida por professores maravilhosos. Fui da primeira turma de ciências sociais da Unifap, passei em um concurso público aos vinte anos, e desde então fui as- sumindo papéis de responsabilidade, desde jovem eu vi que era capaz”, disse a reitora. Kátia enxerga nas universidades, igrejas e demais instituições um dever moral de combater a violência contra a mulher que, segundo ela, reforça, atinge todos os setores da sociedade, o que a torna tema transversal. “Todos devem orientar as mulheres a quebrarem esse ciclo com uma educação que ofereça respeito de uma forma geral, e orientar os homens a defenderem as mulheres que fazem parte de sua vida”, concluiu. ■ ENTREVISTA Mulheres no mundo acadêmico é uma forma de resistência, afirma Kátia Paulino PAULO SILVA DA REDAÇÃO DOMINGO E SEGUNDA-FEIRA | 08 E 09 DE MARÇO DE 2026

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