Diário do Amapá - 08 e 09/03/2026
Congresso, Câmara e Senado, aprovou o acordo co- mercial do Mercosul com a Comunidade Europeia. Embora ainda pendente da aprovação pelo Parlamento Europeu —mas com efeito parcial garantido pela Comissão Europeia —, o resultado dessa junção é a grande ampliação que passamos a ter do nosso mercado, que vai atingir oitocentos [ou mais quinhentos] milhões de pessoas, mais dametade comalto poder aquisitivo. Os países que compõem oMercosul assimpassama ter umpatamar que nos assegura uma grande participação no mercado mundial. Brasil e Ar- gentina, os dois maiores países do grupo, passam a ter uma responsabilidade muito grande ao liderar essa participação da América do Sul. Nossos países precisamestar unidos e omáximo possível ter posições conjuntas. Tenho afirmado sempre da minha luta pela união e integração do Cone Sul, que a única coisa que o homemnão podemudar é a geografia. Estamos juntos e estamos condenados — ou salvos — a viver juntos eterna- mente. Aquele que perde amemória histórica arrisca-se a repetir erros do passado. A história das relações entre Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai foimarcada pelos desencontros. A questão do Prata, como caminho dominante do centro da América do Sul, criou rivalidades e alimentou disputas que chegaram até nossas gerações. Ao chegar à Presidência eu levava a decisão firme de iniciar nova etapa das relações entre o Brasil e os demais países doCone Sul. Isso aconteceu. As relações do continente mudaram, e devemos crescer juntos e juntos caminhar para o desenvolvimento. Lembremos uma vez mais Saens Pena, quando disse: “Tudo nos une, nada nos separa.” Enviei a Buenos Aires, dois meses depois de assumir, meuMinistro das Relações Exteriores, Olavo Setúbal. Tinha pressa. Queríamos estabelecer uma grandemudança. Nasceu meu encontro comRaúl Alfonsín, em Iguaçu, emnovembro de 1985. Havia uma afinidade total em nossas visões. Ali conheci as virtudes extraordinárias desse homem, Estadista das Américas, grande patrimônio moral e político da Ar- gentina. Ele compreendia que deveríamos crescer juntos, mudar a história do continente, com a formação de um mercado comum entre nossos países. Alfonsín deu o primeiro passo importante para mudar a imagem de nossas diferenças. Visitou Itaipu. Ficou apenas uma foto, que sepultou a fantasiosa guerra das águas do Paraná. Assinamos acordos básicos, inclusive o primeiro na área nuclear. Necessitávamos suprimir essa tentação de alguns setores militares de nossos países, a tentação do brutal, que seria uma corrida nuclear no Cone Sul. Depois, Alfonsín le- vou-me a Pilcaniyeu, e eu o trouxe a Aramar, locais onde cada um processava urânio. Ele inaugurou a nova usina bra- sileira, até então mantida em segredo, sob a jurisdição de nossa Marinha de Guerra. O Uruguai, sob a liderança iluminada de Julio María Sanguinetti, juntou-se logo, e depois o Paraguai, assim que aderiu aos princípios democráticos. Nosso ideal era seguir o exemplo do mercado comum europeu (a União Europeia se formou mais tarde, em 1992): integração econômica, estratégica, política e cultural. Na Europa, há 75 anos, essa solução começou com o acordo sobre o carvão e o aço. Nosso projeto seria, também, por setores. Deveria dar passos firmes, para evitar retrocessos e frustrações. Estabelecemos um programa. Onde nos equivocamos? No meu modo de ver, quando em julho de 1990, com os novos presidentes, os quatro países decidiram mudar os rumos e priorizaram a união aduaneira. Agora temos que voltar ao projeto inicial do mercado comum. Os problemas que surgiram, que aparecem e crescem a toda hora, exigem dos envolvidos capacidade e paciência para negociar e uma decisão política firme de avançar e não retroceder. Sejamos vigilantes nessa direção. A economia é o transitório. O permanente são os ideais que nos uniram. O balanço dos anos que vão da Ata de Foz do Iguaçu e a criação do Mercosul a nossos dias tem resultados positivos extraordinários. Mas nunca foi tão necessária a criação de espaços geopolítico-econômicos para aumentar o poder de competência e de defesa frente à concentração de riquezas, em ummundo globalizado. OMercosul é para que cresçamos juntos e não para em- pobrecermos juntos. É para criar uma poderosa plataforma de exportação e para participarmos firmemente da economia mundial. ■ Brasil e Argentina E-mail: j.sarney@uol.com.br Ex Presidente do Brasil JOSÉSARNEY O ➔ E-mail: luizmello.da@uol.com.br ➔ Instagram: @luizmelodiario© 2018 ➔ twitter: @luizmelodiario RÁPIDAS ● Pressa... Agora é o Ministério Público Eleitoral quem morde o calcanhar de Aquiles de Furlan - por propaganda eleitoral antecipada. E já desde a quarta, 4, quando afastado. Ou seja, mal saiu do gabinete e logo entrou em modo campanha. ● Pra valer... “Se for preciso, vou pedir socorro ao governador Clécio Luís. O que não posso é deixar a população sem transporte, sem remédio e sem atendimento”, disse o prefeito Pedro DaLula à Diário FM. “Porque se estou prefeito, seja lá por quanto tempo for, tanto faz, serei prefeito pra valer. Podem escrever aí”, disse. ● Ônibus... Na entrevista à Diário FM, Pedro da Lua criticou a condução do processo de licitação do sistema de transporte e disse buscar soluções emergenciais para garantir serviço de qualidade à população. E, inclusive, com possibilidade de gratuidade a usuários. ● Perseverança... “Meu primeiro plano foi o conhecimento, não o poder”, no dito ao ‘Togas e Becas’, na Diário FM, pela reitora da Ueap, Kátia Paulino - mulher negra e pobre que galga degraus e ocupa espaços através da educação, sem pensar em empoderamento feminino, mas combatendo a sociedade patriarcal. Abrindo comportas... Davi Alcolumbre deu o sinal e Alliny Serrão, com bandeira pela reeleição de Clécio, já faz es- tragos nas represas de votos de Furlan, cidade adentro. Tão alinhada com Davi, que até já considera deixar a própria reeleição em segundo plano. Eis que possível renúncia de Mário Neto da vice, de onde segue afastado pelo STF, de repente começou a circular com força nos bastidores. O que, se confirmado, abre um novo capítulo no tabuleiro, porque a legislação prevê nova eleição em 90 dias para prefeito e vice na prefeitura. Vice na berlinda Pista pra decolagem... ComMDB já fora do time Furlan, Acácio busca novo porto seguro por onde alçar candidatura ao Senado, em outubro. Que até pode ser na base União Brasil, mas desde que também como uma das alternativas preferenciais do grupo. À Diário FM neste sábado, 7, prefeito DaLula garantiu que sua ‘cavalaria’ vai abrir a segunda, 9, fuçando as entranhas da MacapaPrev, na prefeitura, em procedimento tipo ‘auditagem de profundidade’. “E tendo o que contar, a PF será a primeira a saber”, disse. Saiu ficando... Furlan, com a renúncia, oficialmente sai da pre- feitura, mas, politicamente continua no jogo - porque mantém caminho aberto para disputar o governo do estado, em outubro. Ou seja: mesmo sob os holofotes do STF, segue elegível pela regra da Justiça Eleitoral. Abafando barulho... Ministro Flávio Dino , do STF, passou a caneta: 60 dias de castigo para o prefeito Furlan e seu viceMário Neto. Motivo: suspeita de desvio de emendas federais na área da saúde. Mas, antes que a poeira levantasse demais, Furlan renunciou ao cargo. |OPINIÃO | DIÁRIO DO AMAPÁ DOMINGO E SEGUNDA-FEIRA | 08 E 09 DE MARÇO DE 2026 3 FROM / LuizMelo Suspeitas Não fales bem de ti aos outros, pois não os convencerás. Não fales mal, pois te julgarão muito pior do que és. Confúcio Pensador, professor e filósofo chinês Seja obcecado por soluções, não problemas Donald Trump “ “ Pode ou não pode? Com hipóse de nova eleição em Macapá, com renúncia do vice, surge a pergunta: Ele [Mário Neto], embora afastado pelo STF, também vai poder disputar essa nova eleição? Para juristas e políticos, ouvidos, em tese, sim - desde que não exista condenação com inelegibilidade ou outra decisão judicial que o impeça de registrar candidatura. Jo o duplo Uma outra leitura que também se escuta nos bastidores: Furlan, não havendo novo impedimento do STF, pode acabar fazendo duas campanhas ao mesmo tempo - uma para eleger um novo prefeito e outra para tentar subir a rampa do governo estadual.
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