Diário do Amapá - 13/03/2026

No chão, no ar… No Forum Panrotas em São Paulo, mediado por WilliamWaack, que reuniu os magnatas das companhias aéreas do País, foi visível a ansiedade e nervosismo do CEO da Azul, John Rodgerson. Diante do corte de mais de 20 destinos regionais da Aérea no Brasil e o fim da parceria com a GOL, ele sorria amarelo sem esconder que o aperto da companhia não indica bons ventos vindouros. Maringá decola Uma das maiores cidades-polo do Paraná ganhou atenção do Governo Lula da Silva, que prestigia demanda antiga do deputado Ricardo Barros (PP). Hoje, no Palácio do Planalto, com a presença do presidente, haverá assinatura da Ordem e Serviço para construção do Aeroporto de Maringá e obras do contorno rodoviário sul. São R$ 630 milhões em obras. Pós-‘pecado’ A Lei 15.354 sancionada pelo presidente Lula da Silva ontem institui a Semana Nacional de Retiros Culturais. É um agrado à Igreja Católica em ano de campanha, e um sinal para reaproximação com a CNBB: “É instituída a Semana Nacional de Retiros Culturais, a ser comemorada, anualmente, a partir da sexta- feira de Carnaval até a Quarta-feira de Cinzas, em todo o território nacional”. E nada mais. Asas & rodas Além de gostar só de notícia boa – seu hacker invadiu site de Miami e apagou matéria sobre a ex – o “banqueiro” Daniel Vorcaro tinha um estilo de vida nababesco nos pormenores. Ele deixava seu Falcon 900 na Flórida à disposição da noiva, e comprou um Rolls-Royce de quase R$ 2 milhões apenas para o motorista levar a filha à escola aqui no Brasil. Ti-ti-ti a leilão Na esteira do escândalo do Banco Master e de Daniel Vorcaro, em breve vai surgir, na corrida pela recuperação de créditos dos tombos bilionários que ele deu, uma tremenda surpresa no setor da mídia. Há dois anos o “banqueiro” comprou uma conhecida marca de site com alto potencial de alcance. E essa marca poderá ir a leilão quando os credores puxarem o fio. E o maior problema será do atual signatário, que terá de correr atrás de mais de R$ 10 milhões para recuperar seu nome. O leilão A foto de Gilberto Kassab, chefão do PSD, ao lado dos seus troféus eleitorais – Ronaldo Caiado (GO), Ratinho Junior (PR) e Eduardo Leite (RS) – e o adiamento do anúncio sobre quem será o candidato a presidente do partido são a maior prova de que o cacique colocou o trio em leilão para o futuro candidato ao Planalto Flávio Bolsonaro (PL). Essa é a leitura de outros caciques em Brasília. Embora esbravejem em seus redutos que são candidatíssimos, não o serão enquanto Kassab decidir. Ele aguarda o chamado de Flávio para uma conversa. E o filho Zero Um do ex-presidente vai avaliar qual dos nomes é o mais palatável para a chapa. Embora Romeu Zema (Novo), governador de Minas, ainda orbite a mesa do senador, o PSD, forte legenda municipalista, entrou nos planos e o mais chamativo vice para o projeto da direita hoje é o governador do Paraná. Ratinho cresceu nas pesquisas e, a exemplo do governador de Goiás, também representa o agro. E traria os votos da região sul, onde é bem avaliado. O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou nesta quinta-feira (12) pedido para obrigar a Câmara dos Deputados a instalar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para in- vestigar as fraudes no Banco Master. O mandado de segurança para garantir a abertura da CPI foi protocolado pelo deputado federal Rodrigo Rol- lemberg (PSB-DF). O parlamentar alegou que o requeri- mento para a criação da comissão já foi protocolado e cumpriu os requisitos legais, como o registro das assinaturas de um terço dos deputados. Segundo o parlamentar, há omissão do presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), ao deixar de instalar a CPI. Na decisão, Zanin citou “deficiências processuais” no pedido de parlamentar e afirmou que provas de que Motta demonstra resistência pessoal para instalar a comissão. “No presente caso, porém, como demonstrado acima, há deficiências relevantes na instrução do mandado de se- gurança que sequer permitem aferir, neste momento e de plano, omissão ou resistência pessoal da autoridade, como narrado na inicial”, decidiu o ministro. Toffoli Antes da decisão de Zanin, o ministro Dias Toffoli foi escolhido relator original do pedido de instauração da CPI. Contudo, Toffoli se declarou suspeito para analisar o caso. No mês passado, Toffoli deixou a relatoria do inquérito sobre as fraudes no Banco Master após a Polícia Federal (PF) informar o presidente do STF, Edson Fachin, que há menções a ele em mensagens encontradas no celular do banqueiro Daniel Vorcaro, que teve o aparelho apreendido durante a primeira fase da Operação Compliance Zero, deflagrada no ano passado. Oministro é um dos sócios do resort Tayayá, localizado no Paraná. O empreendimento foi comprado por um fundo de investimentos que é ligado ao Master e investigado pela PF. ■ OMISSÃO Zanin nega pedido para determinar criação da CPI do Banco Master H á décadas, grupos de homens têm atuado em fóruns de internet, redes sociais e outros canais de comunicação para estimular hierarquias de gênero e ódio contra as mulheres. Espaços e discursos de ódio, segundo especialistas, são combustíveis para ações concretas de violência, como o caso recente de estupro coletivo contra uma adolescente no Rio de Janeiro. Ativistas e pesquisadores veem esses mo- vimentos e ideologias como parte de um fe- nômeno estrutural chamado “misoginia”: o ódio contra as mulheres e a defesa da manu- tenção de privilégios históricos – sociais, cul- turais, econômicos e políticos – para os ho- mens. Grupos misóginos têm códigos comuns para se comunicar e difundir ideias. Usam, como estratégia de falsa equivalência, o termo “misandria”, ao definir umsupostomovimento de ódio e preconceito contra homens. Alegam, por exemplo, que o feminismo e leis de proteção à mulher são formas institucionalizadas de destruição da masculinidade. Em resposta ao feminismo, que defende a igualdade de direitos e oportunidades, adotam o “masculinismo”: conjunto de ideologias que prega uma “masculinidade tradicional”, com direitos diferenciados para homens e mulhe- res. A feminista e ativista LolaAronovich sofre comataquesmisóginos na internet desde 2008, quando criou o blog “Escreva Lola Escreva”. A luta dela resultouna prisãode umdos agressores e estimulou a criação da Lei nº 13.642/2018, que atribui à Polícia Federal a responsabilidade pela investigação de conteúdos misóginos na internet. Ela entende que os agressores possuem um perfil muito parecido. “Desde o começo do meu blog, percebi que são homens héteros, de extrema direita. Todos apoiam lideranças como Bolsonaro e Trump. Esses homens sempre carregam um combo de preconceitos. Não são apenas ma- chistas. São também racistas, homofóbicos, gordofóbicos, xenófobos, capacitistas”, avalia Lola. Conheça, abaixo, outras palavras e ex- pressões comuns utilizadas por grupos misó- ginos na internet. Principais grupos e comunidades Machosfera: termo que engloba fóruns na internet, canais de YouTube, grupos deWhat- sApp e perfis em redes sociais voltados para defesa da masculinidade tóxica, o ódio às mu- lheres e a oposição aos direitos femininos. Chans: fóruns anônimos que são frequen- temente espaços para discursos extremistas, vazamento de fotos íntimas e ataques coorde- nados contra mulheres. Incels: contração das em inglês involuntary celibates (celibatários involuntários). Sãohomens que alegam, de forma ressentida e violenta, não conseguir parceiras sexuais ou românticas por culpa das mulheres ou de padrões sociais. Redpill: termo inspirado no filme Matrix, emqueoprotagonista tomaumapílula vermelha que dá a ele consciência da realidade. Na ma- chosfera, descreve homens que acreditam ter “despertado” para uma suposta realidade em que as mulheres manipulam e exploram os homens. Pregamque o homemdeve reassumir o domínio e manter a mulher submissa. ■ VIOLÊNCIA ENTENDA O QUE SÃO “REDPILL” E OUTROS TERMOS DE ÓDIO CONTRA MULHERES V Foto/ Tomaz Silva/Agência Brasil ESPLANADA |OPINIÃO | DIÁRIO DO AMAPÁ SEXTA-FEIRA | 13 DE MARÇO DE 2026 5 ComWalmor Parente (DF), BethPaiva (RJ) eHenrique Barbosa (PE) E-mail: reportagem@colunaesplanada.com.br LEANDRO MAZZINI PODER , POLÍTICAEMERCADO

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