Diário do Amapá - 14/03/2026
| OPINIÃO | DIÁRIO DO AMAPÁ SÁBADO | 14 DE MARÇO DE 2026 2 LUIZ MELO Diretor Superintendente ZIULANA MELO Diretora de Jornalismo Circulação simultânea em Macapá, Belém, Brasília e em todos os municípios do Amapá. Os conceitos emitidos em artigos e colunas são de responsabilidade dos seus autores e nem sempre refletem a opinião deste Jornal. Suas publicações são com o propósito de estimular o debate dos problemas amapaenses e do país. O Diário do Amapá busca levantar e fomentar debates que visem a solução dos problemas amapaenses e brasileiros, e também refletir as diversas tendências do pensamento das sociedades nacional e internacional. MÁRLIO MELO Diretor Administrativo DIÁRIODECOMUNICAÇÕES LTDA. C.N.P.J: 02.401.125/0001-59 Administração, Redação e Publicidade Avenida Coriolano Jucá, 456 - Centro CEP 68900-101 Macapá (AP) - Fone: 96-3084-2216 www.diariodoamapa.com.br COMPROMISSOCOMANOTÍCIA A demissão de Filipe Luiz, técnico do Flamengo, trouxe à tona um tema que, embora muitas vezes relegado ao silêncio, permeia as relações humanas e sociais: a ingratidão. O episódio, marcado por promessas não cumpridas e reações inesperadas, convida-nos a refletir sobre a essência dessa conduta que, como bem sabemos, é muitas vezes disfarçada sob a máscara do pragmatismo. Filipe Luiz chegou ao Flamengo em um momento de transição, trazendo consigo não apenas uma vasta experiência, mas também um espírito renovador. Sob sua liderança, o time alcançou vitórias memoráveis e conquistou a admiração de torcedores e críticos. No entanto, a euforia das conquistas é frequentemente efêmera, e a ingratidão pode surgir de onde menos se espera. A demissão, anunciada de forma abrupta, após uma vitória acachapante, em uma sala fria do Maracanã, em um diálogo que durou cerca de trinta e dois segundos, deixou muitos perplexos. A decisão parecia mais um ato de covardia do que uma avaliação técnica, expondo a fragilidade das relações no mundo do esporte. O que leva alguém a esquecer tão rapidamente das conquistas do outro? Quais são os critérios que justificam essa mudança de direção? A ingratidão, como uma erva daninha, infiltra-se emdiversas esferas da vida. No contexto do Flamengo, ela se manifestou de forma clara: a incapacidade de re- conhecer o esforço e a dedicação de alguém que deu o melhor de si pelo time. Essa atitude, ecoando um com- portamentomais amplo na sociedade, revela a covardia que reside na falta de reconhecimento. O que é a ingratidão senão uma forma de covardia? É fácil criticar, apontar dedos e desmerecer o trabalho alheio, mas reconhecer o valor do outro exige coragem. A coragem de admitir que, muitas vezes, dependemos de outras pessoas para alcançar nossos objetivos. A coragem de ser grato, de se colocar na posição do outro e reconhecer o sacrif ício que foi feito. A Bíblia Sagrada, em várias passagens, nos alerta sobre os perigos da ingratidão. Um exemplo marcante é encontrado em Lucas 17:11-19, onde Jesus cura dez leprosos, mas apenas um retorna para agradecer. Essa história não é apenas sobre a cura f ísica, mas também sobre a importância de reconhecer o que foi feito por alguém. A ingratidão dos nove curados representa a falta de reconhecimento e, consequentemente, a covardia em não se colocar no lugar do outro. Assim como os leprosos que foram curados, a in- gratidão no mundo do futebol — e, por extensão, em nossa sociedade — revela uma desconexão com os va- lores humanos fundamentais. O reconhecimento e a gratidão são pilares que sustentam as relações, sejam elas pessoais ou profissionais. O que podemos aprender com a demissão de Filipe Luiz e a ingratidão que a rodeou? Em ummundo que valoriza resultados imediatos e o sucesso a qualquer custo, é fácil esquecer que as pessoas são mais do que peças de um jogo. Elas têm histórias, emoções e dedicam suas vidas a algo maior. A ingratidão não apenas machuca quem a recebe, mas também empobrece quem a pratica. Observamos que a ingratidão gera um ciclo vicioso. Quando não reconhecemos o esforço do outro, criamos um ambiente hostil, onde a colaboração e o respeito se tornam ra- ridades. Esse comportamento não se limita ao futebol; ele se espalha por empresas, relacionamentos e comunidades. A falta de gratidão cria um ambiente de desconfiança e desunião. Em uma era em que as redes sociais amplificam a voz de todos, a ingratidão se torna aindamais evidente. As críticas são rápidas e, muitas vezes, sem fundamento. A coragem de elogiar e reconhecer o trabalho alheio, por sua vez, parece escassa. Essa dinâmica não apenas prejudica a imagem de quem é alvo da ingratidão, mas também reflete um caráter coletivo que valoriza a desunião. A demissão de Filipe Luiz nos oferece uma oportunidade de reflexão sobre o papel da gratidão em nossas vidas. Em tempos de rápidas mudanças e decisões impensadas, é fundamental lembrar que a coragemnão está apenas em conquistar vitórias, mas também em reconhecer os esforços dos que nos cercam. ■ Assim como os leprosos que foram curados, a ingratidão no mundo do futebol — e, por extensão, em nossa sociedade — revela uma desconexão com os valores humanos fundamentais. O reconhecimento e a gratidão são pilares que sustentam as relações, sejam elas pessoais ou profissionais. Ingratidão: a essência da covardia E-mail: drrodrigolimajunior@gmail.com Teólogo, pedagogo e advogado RODRIGO LIMA JUNIOR O cientista Antônio Nobre do INPE (irmão do Carlos Nobre), que sempre fala com sabedoria sobre o desastre que o ser humano provoca no planeta, elaborou dez mandamentos de efeitos bio- geof ísicos para o clima, de conservação e restauração da vegetação nativa. Em outras palavras, para salvar a humanidade. Veremos alguns neste artigo. O impacto que a vegetação tem nos ciclos de água e energia, e, portanto, no próprio clima, são ignorados. A proteção das florestas nativas é essencial para preservar a biodiversidade e o equilíbrio no ciclo do carbono. Eis os mandamentos: (1) Os esforços de reflorestamento e de recuperação de ecossistemas tem que levar em conta a disponibilidade de água. A longevidade do sequestro de carbono em projetos de reflorestamento não pode ser ade- quadamente avaliada sem também considerar as condições hidrológicas e os ambientes climáticos de cada local. Assim, a vegetação que promove e sustenta um clima úmido pode também capturar e manter mais carbono em sua biomassa. (2) Solos compactados absorvem pouca ou ne- nhuma água da chuva. Chuvas que caem em solos impermeáveis são, portanto, perdidas em escoa- mentos superficiais, gerando inundações e drenando inutilmente para os oceanos. A vegetação em geral, especialmente as árvores, são excelentes promotoras de infiltração. Capazes de perfurar profundamente o solo compactado com suas raízes, as árvores também criam uma camada de detritos orgânicos, formando um colchão de raízes que atrai e mantém uma ampla variedade de insetos escavadores e uma imensa população de organismos decompositores, que transformam o solo endure- cido em uma terra fofa e fértil, capaz de reter umidade. Além de uma série de benef ícios hidro- lógicos, a água retida na paisagem promove a pro- dutividade das plantas por um período prolongado e, portanto, contribui para a capacidade das plantas de condicionar e favorecer o clima. (3) As árvores bombeiam água do solo e emitem vapor d'água através da copa, aumentando a umi- dade do ar. Tal efeito, por mais estranho que pareça, resfria a superf ície. Uma caloria é uma medida da energia térmica necessária para aumentar a temperatura de 1 grama de água líquida em 1 grau Celsius. Apenas 100 calorias são absorvidas para elevar um grama de água de zero graus até o ponto de ebulição a 100 graus Celsius, enquanto cinco vezes mais energia é necessária para converter esse grama de líquido em gás (vapor). Assim, a evaporação absorve eficientemente a energia térmica do ambiente, di- minuindo a temperatura local. As plantas transpiram em grandes quantidades durante o dia, chegando até 1000 litros por dia em uma árvore madura de grande porte em uma floresta tropical. Ao contrário de um ar condicionado, a transpiração das plantas captura o calor do ambiente na superf ície, armazenando-o em vapor de água que é transportado para altitudes maiores e para latitudes distantes na atmosfera. O transporte de calor é uma parte extraordinariamente importante e necessária do efeito de resfriamento promovido pelas flores- tas. Trataremos os demais mandamentos futuramente. ■ Ao contrário de um ar condicionado, a transpiração das plantas captura o calor do ambiente na superfície, armazenando-o em vapor de água que é transportado para altitudes maiores e para latitudes distantes na atmosfera. O transporte de calor é uma parte extraordinariamente importante e necessária do efeito de resfriamento promovido pelas florestas. Alguns Mandamentos Climáticos MARIO EUGENIO E-mail: mariosaturno@uol.com.br Tecnologista Sênior
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